terça-feira, 23 de outubro de 2012

Miqueias

[série profetas menores na IM em Guaianases - sintese]


O profeta Miquéias é interessante porque sua denuncia abrange tanto o reino do Norte como do Sul. É um profeta descrito num tempo específico, isto é, no reinado de Jotão, Acaz e Ezequias, reis do norte e do sul. Miqueias morava em uma região sudoeste de Judá, contudo o seu ministério abrangia os dois povos.
Como os demais livros, Miquéias não pode ser lido apenas em seus fragmentos. Por mais que seus fragmentos sejam bastante animadores, são partes que precisam dialogar com o todo do livro, por exemplo 6.8:
“8 Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.”
Um texto que anima a pessoa a praticar a justiça, amar a misericórdia e andar com humildade. Cada ação é movida por um verbo. Mas por que o profeta pede para praticar, amar e andar com essas virtudes? O que estava em jogo? Outro trecho bastante bonito é 7.18-20:
“18 Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.  19 Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. 20 Mostrarás a Jacó a fidelidade e a Abraão, a misericórdia, as quais juraste a nossos pais, desde os dias antigos.”
O profeta, no fim do livro, descreve um pouco sobre Deus: um caráter perdoador, que não tem prazer em ver o povo se perdendo, mas tem alegria em perdoar e agir de modo misericordioso, isto é, dar aquilo que as pessoas não mereciam, mas por amor Deus faz. É, sem sombra de dúvidas, um texto muito bonito, animador, porém, quais foram as circunstâncias que levaram o profeta a escrever?
Em primeiro lugar, Miquéias denuncia que não existe uma liderança ou um povo que se esforça em agradar a Deus, ao contrário disso, o povo esta perdido e pervertido.
Existem pessoas gananciosas e oprimem o povo. São pessoas que maquinam o mal no travesseiro e cumprem o que pensou quando o dia inicia (2.1-2). São pessoas que não tem controle para o que desejam! São descontrolados e não avaliam a destruição que causam na vida do povo.
Além de criticar as pessoas que tem poder e privilégios, o profeta denuncia com veemência os falsos profetas e os sacerdotes da mentira. Existem pessoas que aborrece o bem e aplaude o mal (3.2).
Muito parecido nos dias atuais, existiam profetas que conduziam o povo ao erro, ao pecado. Para pessoas que lhe dão o que comer, o profeta tem palavras doces e de paz, todavia, para pessoas que não o que dar para os profetas, são julgadas e condenadas, mesmo inocentes.
O profeta afirma que está cheio do poder de Deus para denunciar aquelas pessoas que, em nome de Deus fazem barbaridades (3.8). Não dá para fazer tal afirmação de qualquer forma, ao contrário, é preciso muito discernimento, temor e tremor diante de Deus, pois é em nome d’Ele que se fala.
O profeta, com a convicção do seu chamado levanta a sua voz contra todas as estruturas de destruição. Miquéias nos ensina a importância de saber da certeza da sua experiência com Deus, da certeza e convicção para o que foi chamado. Ele sabia que o impacto de sua voz não estava em suas palavras veementes, ao contrário disso, o poder de suas palavras estavam no Espírito de Deus que estava sobre ele.
Miqueias fala contra os cabeças, que abominam o juízo, o que é certo, o que é bom, em favor de si mesmos, além de perverter o correto. Suas edificações são a base do sangue e da perversidade, um progresso demoníaco e distante de ter relação com a expansão de Deus.
Isso é interessante pois, num tempo em que a prosperidade é destacada como bênção, o profeta refuta esse pensamento, haja vista que o crescimento não pode se dar a qualquer preço.
O suborno ainda era algo presente na vida do povo. Não havia o que era justo, o certo, toda decisão era corrompida às vontades pessoais e próprias – muito parecido ao dias atuais em que decisões são alteradas devido a suborno.
Há uma forte crítica aos sacerdotes, aquelas pessoas responsáveis em conduzir o povo à uma profunda espiritualidade com Deus, eles estavam fazendo tudo não por vocação ou chamado, ao invés disso, por interesses: o que ele estava ganhando, o que ele teria em troca, quais eram os benefícios disso tudo, enfim, sacerdotes do mal.
Não diferente disso, os profetas viviam a mesma dinâmica, adivinhavam por dinheiro. Sua resposta sairia na proporção do que se pudesse pagar. O pior de tudo era dizer que o que estava fazendo era sobre a orientação de Deus (3.11).
O profeta é categórico em afirmar que por causa dessas posturas o povo seria lavrado, tirado, limpado, extirpado, lembrando muito o reinado de Jeroboão I e II quando se relata que Deus poderia limpar o nome da terra, acabar com aquele povo, mas por misericórdia não o fez.
Existe um discurso de que o povo será chamado. Não qualquer povo, principalmente aqueles que sofreram, os que usurparam do seu poder e não fizerem o que deveriam fazer, cairão por terra e serão extirpados. Deus, por sua vez, chamara aqueles que nunca teriam lugar, os que mancam e os que foram exilados e sofreram grandes abusos (4.7).
Fica claro que os grandes governantes não sabem ou não conhecem quem de fato é Deus. Nos versos 4.12-13 o profeta deixa claro a soberania de Deus e esse pequeno trecho é o início de uma profecia messiânica, a qual descreve, com maestria, a vinda do messias que mudará as circuntâncias. Por mais que os tempos fossem outros, e o problema fosse emergencial, o profeta não despreza a importância de buscar em Deus e na espera do seu salvador! Ele crê, denunciando e anunciando.
O capítulo 5 detém tempo falando sobre o messias, nas suas características no que ele fará a favor do povo e que o povo não pode desistir, ao invés disso, persistir em seus sonhos e na ideia da liberdade para um dia viver em liberdade.
Agora os demais versos citados a cima fazem sentido, principalmente quando são vistos em diálogo com o julgamento  dos perversos e, ao mesmo tempo, esperança para aqueles que esperam em Deus. Deus é aquele que lança o pecado nas profundezas do mar e dá nossa chance de vida e esperança. Estudar os profetas menores nos faz entender que a vida por pior que esteja, com Deus ainda há alternativas.



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