quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Acontece


[texto escrito após um 'acontece'.]


Tinha que ser assim!’ ‘O que é pra ser será!’ ‘O que é seu ninguém toma!’ ‘Não era pra ser!’ ‘Deus quis assim!’ ‘É o melhor pra você!’ ‘Acontece...’ Realmente são expressões de consolo, ou de uma pseudotentativa de consolar, contudo são expressões que não levam à lugar algum,  além da esfera da indignação do não ocorrido.
Em suma ‘acontece’. Acontece você sonhar e não concretizar. Acontece você pensar e não falar. Acontece você hesitar e não amar. Enfim, acontece.
O que fazer quando esses infortúnios nos surpreendem? Em que o incidente passa a ser rotina e que a beleza se esvai com a indisposição? Não tem muito que fazer. Conjecturar? Pra que? Justificar? Por quê? Imaginar? É, talvez. Impossível é não fazer nada.
Por conseguinte, quando ‘acontece’ existem duas possibilidades que podem culminar [ou não] num mesmo rio: a primeira possibilidade é quando ‘acontece’ de ser surpreendido pela felicidade e que há uma possibilidade bárbara de ser feliz, aproveite enquanto há; por outro lado, quando ‘acontece’ do abismo da tristeza te surpreender, nada melhor que se lembrar da momentaneidade dessa circunstância, preparando-se, pois, nenhuma lágrima é eterna, nenhum riso constante, nenhuma tristeza perpétua.
Não perca as chances bárbaras, sensacionais que lhe são dadas pela vida. Ela não repete e alguns ‘acontecimentos acontecem’ num estalo, e podem [ou não] ecoar por um longo tempo. Pois bem, ‘acontece’.

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