[texto escrito após um 'acontece'.]
‘Tinha que ser assim!’ ‘O que é pra ser será!’ ‘O que é seu ninguém
toma!’ ‘Não era pra ser!’ ‘Deus quis assim!’ ‘É o melhor pra você!’ ‘Acontece...’
Realmente são expressões de consolo, ou de uma pseudotentativa de consolar,
contudo são expressões que não levam à lugar algum, além da esfera da indignação do não ocorrido.
Em suma ‘acontece’. Acontece você sonhar e não concretizar.
Acontece você pensar e não falar. Acontece você hesitar e não amar. Enfim,
acontece.
O que fazer quando esses infortúnios nos surpreendem? Em que
o incidente passa a ser rotina e que a beleza se esvai com a indisposição? Não tem
muito que fazer. Conjecturar? Pra que? Justificar? Por quê? Imaginar? É,
talvez. Impossível é não fazer nada.
Por conseguinte, quando ‘acontece’ existem duas
possibilidades que podem culminar [ou não] num mesmo rio: a primeira
possibilidade é quando ‘acontece’ de ser surpreendido pela felicidade e que há
uma possibilidade bárbara de ser feliz, aproveite enquanto há; por outro lado,
quando ‘acontece’ do abismo da tristeza te surpreender, nada melhor que se
lembrar da momentaneidade dessa circunstância, preparando-se, pois, nenhuma
lágrima é eterna, nenhum riso constante, nenhuma tristeza perpétua.
Não perca as chances bárbaras, sensacionais que lhe são
dadas pela vida. Ela não repete e alguns ‘acontecimentos acontecem’ num estalo,
e podem [ou não] ecoar por um longo tempo. Pois bem, ‘acontece’.

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