[texto parcial do Acampamento em Volta Redonda da IM em Sto. Agostinho]
Lecíticos 26.10-13
10 Comereis o
velho da colheita anterior e, para dar lugar ao novo, tirareis fora o
velho. 11 Porei o meu tabernáculo no
meio de vós, e a minha alma não vos aborrecerá. 12 Andarei entre vós e serei o
vosso Deus, e vós sereis o meu povo. 13 Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos
tirei da terra do Egito, para que não fôsseis seus escravos; quebrei os timões
do vosso jugo e vos fiz andar eretos.
Identidade, o que é isso? Quando se fala desse tema a primeira coisa
que vem na cabeça é um documento, verde, com uma foto estranha, com um número
de identificação. As pessoas foram reduzidas a um simples número. Será que, de
fato, isso é a melhor forma para definir uma pessoa?
Existem várias formas de uma pessoa se definir: gênero, nome, idade,
escolaridade, profissão, estado civil, espiritualidade. Um homem, chamado José,
aos 24 anos, com superior completo, líder religioso, solteiro, cristão. São
maneiras para identificar uma pessoa. Mas será que essas áreas são distintas entre si ou, ao invés disso, caminham juntas, sincronizadas? São áreas que caminham com plena autonomia ou são áreas de
profunda correlação? Aspectos separados ou juntos?
Algumas pessoas preferem distinguir vida profissional, formação
acadêmica, etc., da espiritualidade. Contudo, a identidade cristã não separa
uma coisa da outra, pelo contrário, trabalha a síntese das diversas áreas, que
forma um ser humano.
Antigamente conhecia um ‘crente’ pela roupa, pela Bíblia que se
carregava debaixo do braço, do semblante sério. Com o tempo se percebeu que a
roupa não era um fator que definia a identidade então o modo de falar, o
caráter, a idoneidade, os valores, passaram a ser o critério de juízo. Hoje, parece que até mesmos esses elementos
foram descartados, agora o que vale é uma identidade de aparência. Aquela coisa: 'fingi que é, que eu
finjo que acredito'. Uma identidade mal definida, mal resolvida, em crise, em
colapso, que é movida de um lado para o outro conforme os interesses.
Num contexto assim, parece que a pessoa não tem a capacidade de
definir sua própria identidade, ao contrário disso, existem vozes que definem
quem ela são: vozes institucionais, eclesiásticas, políticas, econômicas,
sócias, enfim, quantas vozes mais?
Estoura uma grande Crise de identidade! Como definir quem se é
diante de tanto barulho e confusão? Nesse aspecto destaca-se que a identidade é
algo inventado, ou, melhor, criado. Toda vez que a pessoa acha que descobriu a
identidade ou se assumiu algo que simplesmente foi imposto, o indivíduo se
sente descolocado, fora se si e mal resolvido, logo, em profunda crise. Isso
porque queimou algumas etapas no processo de construção, de maturação, de desenvolvimento.
Então, toda instituição que tenta determinar uma identidade não
serve? É, possivelmente. Vale pensar se a identidade eclesiástica é a mesma
identidade de Jesus. Algumas instituições não promovem o crescimento e
amadurecimento de um indivíduo, é mais fácil controlar pessoas infantilizadas do
que pessoas esclarecidas.
Não poucas vezes vemos pessoas com uma identidade obsoleta, isto é,
critérios ou valores que estão fora de uso. Insistem em responder perguntas que
não são feitas mais. Uma identidade fragmentada, rasa e/ou superficial. Uma
identidade obsoleta esta em profunda crise.
O que não se pode perder de vista é que as comunidades são fundantes no processo de identidade das pessoas. Em tempos pós
modernos existe espaço para todo mundo. Tudo é muito rápido e/ou líquido, a
identidade não é tão importante assim, afinal de contas melhor é pertencer do
que ser. E o que uma pessoa não faz para ter a sensação de pertença, aceitação? Assume, até mesmo, uma identidade que não é a dela.
Existe uma distinção entre comunidade de vida [aquela vinculada
com a origem, família, a casa, aquilo que não se muda]. de comunidade
de destino ou de escolhas. Diante dos movimentos da vida, somos conduzidos a
alguns lugares em que escolhemos por nos sentirmos bem, completos, realizados.
Escolher uma comunidade de fé, e de modo especial o cristianismo, envolve perda
e ganho. A escolha que te proporciona o desenvolvimento da identidade.
Identidade coletiva entra em contraste com a identidade pessoal, não
para engoli-la, ao invés disso, proporcionar o auto desenvolvimento num clima
de complementaridade e o texto de Levítico 26 está inserido num bloco maior classificado como Código da
Santidade. Esse trecho inserido em Levítico tem como preocupação última
classificar quem de fato é o povo de Deus, preocupa-se com a identidade do
povo. Quem é o povo? Como ele se comporta? É igual aos demais povos? No que se
distingue? Como procede? Nesse bloco existem procedimentos, ações que definem
quem é o povo de Deus.
Já no capítulo 26 existe a síntese de tudo (17-25), aquilo que
precisa ser guardado no coração e levado com seriedade. São delimitados dois
horizontes, o primeiro das bênçãos resultantes de uma vida pautada na
obediência e ao lado de Deus, e, uma segunda, dos castigos decorrentes por
causa da desobediência, do erro, do pecado.
Traçando um paralelo entre o tema da identidade e o texto do código da santidade,
destaca-se alguns elementos:
I – Identidade cristã não
esculpe ídolos
Parece que o ser humano almeja por ídolos, gosta de criar ídolos.
II – A identidade cristã
tem um norte
Anda, guarda e cumpre os mandamentos.
III – A identidade cristã
tem aliança pérpetua.
Não é algo parcial.
IV – A identidade cristã
sabe a hora de (re)começar
O horizonte de recomeço e iniciar os passos.
V – A Identidade cristã entende
a vida como um culto.
Tudo é expressão de louvor porque Deus está por perto.
VI – A Identidade cristã
reconhece o seu Senhor
Tem os olhos voltados para o Senhor.
VII – A Identidade cristã
não carrega julgo
Não é um fardo pesado, mas uma vida de alegria e satisfação.
A Identidade cristã passa por um processo, algo paulatino. Não tenha pressa; não assume um fardo que não é o seu ou uma vida que não é sua. Identidade pressupõe autenticidade.

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