Existem livros e histórias na Bíblia que são bastante
conhecidos. A história de Moisés, de Davi, Jó, algumas parábolas de Jesus e, é
claro, a história de Jonas. O profeta que foi engolido pela ‘baleia’ (peixe
grande).
O livro de Jonas esta localizado no bloco dos profetas
menores. A tradição afirma que esse Jonas é o mesmo de 2 Reis 14.25, contudo,
numa análise exegética minuciosa, sabe-se que esse profeta ou personagem está
localizado num período a frente do período de Jeroboão II.
A história é interessante. O texto bíblico diz que Veio
a palavra do Senhor, pela primeira vez, a Jonas, um personagem que tem origem,
com diretrizes clara: para sair de onde estava para ir até Nínive, para pregar
algo duro contra aquela cidade. O texto diz que Jonas se dispõe, mas ao
contrário do que se espera, para não fazer a vontade de Deus, para fugir de
Deus. por que será que ele não gostaria de ir para Nínive?
Era uma cidade em que a família real residia. O local em
que toda a sabedoria e estratégia do povo Assírico residia. Foi a cidade em que
liderou as conquistas das terras de Israel e de Jerusalém. Que recebeu grande
parte das pessoas que foram engolidas pelo êxodo militar. Portanto, era uma
cidade que o povo odiava. Talvez o salmo 137 fosse algo cantado pelo povo
judeu, da sua grande expectativa de lançar na paredes as crianças, isto é, os
filhos, tamanho era o ódio.
Jonas recebe uma ordem de Deus para pregar contra a
cidade que só tinha assolado e destruído o seu povo, a recepção de Jonas a
respeito dessa palavra de Deus foi estranha.
Ao invés de ir para a Nínive, a grande opressora, ele
foi para Tarsis, uma cidade localizada ao Norte da Espanha. Os barcos que iam
para Tarsis eram bem equipados e preparados, haja vista que Tarsis era uma
cidade de refinaria de ferro, situada ao Norte, logo os navios que iam rumo a essa
nação eram bem preparados para enfrentar tempestades, capaz de fazer longas
viagens, eram capazes de carregar cargas pesadas.
Jonas escolhe ir para longe de Nínive. Para Tarsis,
escolhe uma embarcação segura, um trajeto que não passaria por perto da cidade,
pois era o oposto. Mas o que faz Jonas não querer ir para a cidade cruel com o
seu povo, por que?
Ele embarca e vai para Tarsis. No meio da viagem inicia
uma grande tempestade, capaz de dar medo em uma embarcação resistente de sua
época. Enquanto a tempestade faz com que os tripulantes joguem coisas fora do
navio, Jonas dorme. Até que o capitão acorda Jonas e pergunta se ele não iria
fazer nada? Pede para ele invocar o seu deus, pois os deuses dos tripulantes
não estão ajudando. Os tripulantes tiram sorte e descobrem que tudo estava
acontecendo por causa de Jonas e fazem cinco perguntas: por causa de quem
sobreveio este mal? Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual é a tua terra? E de
que povo és tu? (v. 8). A resposta de Jonas soa prepotente: era hebreu e teme
ao Senhor, o Deus d céu que fez a terra e o mar.
Parece que nessa hora ele esquece que ele estava fugindo
da presença de Deus. os tripulantes perguntam o que precisam fazer para
conseguirem se livrar daquela tempestade, Jonas diz que só lançando ele para
fora do navio. Num primeiro momento eles não querem fazer isso, acham muito
desumano. Ao passo que eles percebem que as coisas estavam apertando, pedem
perdão para Deus e lança Jonas. Por causa disso os homens do navio temeram ao
Senhor e Jonas foi tragado por um peixe.
Ele fica três dias e três noites. No capítulo 2 ele faz
uma oração, no ventre do peixe. Parece que o quebrantamento está condicionado a
um período de perda e escuridão. Após esse tempo de oração, o peixe lança Jonas
em Nínive. A cidade que ele não queria ir foi conduzido para cumprir sua
missão.
Pela segunda vez veio à palavra de Deus: vai a grande
cidade e proclama contra ela. Jonas se levanta e entra na cidade. Diz o texto
que era uma cidade grande, que precisava de três dias de caminhada para ser
percorrida por inteiro, Jonas consegue fazer isso em um dia. Sem uma retórica
bem estruturada, ou uma homilia com bons argumentos, o discurso dele é: em quarenta
dias Nínive será destruída/subvertida.
Um homem que saí gritando nas ruas, de modo bizarro, uma
frase de ameaça e de destruição. O incrível é que toda a cidade, inclusive o
rei é surpreendido por esse discurso. Todos ficaram comovidos, o arrependimento
surpreendeu a todos e o luto e a vergonha foi o vestuário das pessoas. Se
arrependeram.
“Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau
caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito que lhes faria e não o
fez.” (3.10). O texto mostra um Deus que ao ver o arrependimento sincero se
arrepende de fazer o mal que havia pré dito.
Jonas, por sua vez, não gostou do que Deus estava
fazendo. Ele ficou desgostoso e extremamente irado com essa situação. E orou a
Deus externando o seu descontentamento. Ele não queria ver Deus poupando
Nínive. Ele foge da presença de Deus pois ele sabia o Deus que ele servia, e
sabia que ele iria poupar o povo de Nínive se houvesse a pregação da mensagem. Sabia
que Deus era clemente, tardio em irar-se, misericordioso e grande em
benignidade, e que seu amor é universal e que poderia alcançar até mesmo os
ninivitas.
Essa ideia era insuportável para Jonas. Deus pergunta se
essa indignação de Jonas era justa, o profeta não responde. Jonas, saiu da
cidade, pensando que Deus poderia mudar de ideia novamente e destruir a cidade,
por isso esperou do lado de fora, num camarote, para ver a destruição de
Nínive.
Deus fez nascer uma arvore para fazer sombra para Jonas.
Ele se alegrou em extremo em ver aquele ‘milagre’, talvez seria o inicio da
destruição de Nínive? No outro dia Deus manda um verme que pica a árvore e essa
morre. Jonas fica indignado e pede a morte! Não era possível admitir algo desse
gênero! A morte era melhor do que qualquer coisa.
Deus pergunta para Jonas se isso era razoável? Por
incrível que parece Jonas disse que sim! Não suportava a cidade não ser
destruída e a árvore sim! Ele preferia a morte ao ver que Nínive não iria ser
subvertida!
A reação do Senhor é surpreendente. Ele não entende a
indignação do profeta a respeito de uma árvore que ele não plantou, não cuidou
e que num passo surgiu e noutro desapareceu, mas, ao mesmo tempo, ele queria
ver a destruição de uma cidade em que havia pelo menos 120 mil pessoa que não
entendia nada, eram ignorantes, que não conseguiam discernir a mão direta da
mão esquerda.
Por um lado é possível entender a indignação do profeta. Por outro é
difícil compreender. Sua disponibilidade era restrita, Deus chama para um
ministério abrangente; era preconceituoso Deus Chama para um ministério
mestiço, misturado; era um homem que se alegrava com a punição do ímpio, Deus
sugere o perdão e o recomeço; o profeta prefere um Deus inquisidor, Deus se
propõe a se arrepender em favor da vida. O livro de Jonas no ensina e nos
motiva a repensar a vida e ministério.
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