domingo, 16 de setembro de 2012

Vila Penteado



Igreja Metodista em Vila Penteado
Marcos 8.27-38
27 Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu? 28 E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas. 29 Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo. 30 Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito. 31 Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse. 32 E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo. 33 Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. 34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 35 Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37 Que daria um homem em troca de sua alma? 38 Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.
Grande parte das pessoas gostam de saber o que as outras pessoas dizem a respeito delas. Por mais que se diga que a opinião dos outros não importa, no fundo no fundo, importa. O interessante é como as opiniões das pessoas que nos cercam estão condicionadas a situações e circunstâncias, proximidade e relacionamento, enfim, existem muitas variantes que determinam o que pensamos sobre determinadas pessoas.
Na maioria das vezes lidamos bem com as críticas das pessoas que estão longe, que não fazem parte do nosso circulo de relacionamentos, que não são importantes. A opinião delas são ouvidas e ponderadas, afinal de contas, não são pessoas indispensáveis, é mais uma opinião.
Isso acontece quando somos ofendidos no trânsito por um estranho. Aquilo entra num ouvido e sai no outro. Uma coisa é ser ofendido por um estranho outra por uma pessoa próxima.
Agora, quando a opinião é de alguém próximo, as coisas mudam. Normalmente isso se aplica apenas para as críticas, pois na maioria das vezes quando alguém de dentro ‘de casa’ faz um elogio, não se ouve tanto, contudo quando é uma ofensa, algo que nos contraria, parece que essas palavras são guardadas no lugar mais secreto do coração, a sete chaves e inesquecível.
Dentro disso tudo, percebe-se que a opinião de pessoas que caminham perto ou que tem nossa admiração é de extrema importância. Saber o que essas pessoas acham de nós faz com que o caminho seja alterado completamente ou mantido.
O texto relata que Jesus estava em caminho com os seus discípulos. Algo muito comum no ministério de Jesus, transitar de um lugar para o outro, e nessa movimentação as coisas aconteciam de modo muito bonito.
Jesus pergunta para os discípulos o que as outras pessoas, aquelas que não acompanham o ministério tão próximo, mas que estão interessadas apenas nos milagres, nos sinais, etc., viam em Jesus. Pedro toma a frente e diz que as pessoas de fora enxergavam Jesus como um profeta, um homem com palavras duras como João ou com a capacidade de enfrentar o sistema político e proporcionar um show ou ser apenas mais um taumaturgo, isto é, mais um milagreiro.
Parece que muitas coisas que as pessoas de antigamente buscavam continuam sendo as mesmas que elas buscam nos dias atuais. Vão atrás de Jesus porque tem uma necessidade que o dinheiro não compra ou porque não tem dinheiro. Olham para Jesus como a antecipação de vontades, o atalho para a construção do futuro ou um quebra galho.
Jesus faz outra pergunta, com o mesmo teor, mas agora as pessoas são outras. Jesus quer saber o que os seus discípulos, aqueles que caminham junto com ele acham dele. Mais um vez Pedro toma a frente e diz: tu é o Cristo. Não existe nada novo na resposta de Pedro, mas a reação de Jesus é estranha, ele proíbe Pedro de dizer isso sobre ele para as pessoas, por que?
Com o tempo algumas palavras perdem o seu sentido original. Por exemplo, na década de 60 e 70 a palavra subversiva era para descrever uma pessoa que ia contra o sistema, que poderia causar muito estrago por ter uma ideologia acima dos versos que um sistema hegemônico estabelecia. Hoje em dia ao se falar de subversivo, é um termo em desuso, que representa apenas uma pessoa que pensa diferente, ou algo do gênero.
Algo parecido aconteceu com o termo Cristo. Com o tempo foi romantizada, isto é, ganhou um valor puramente religioso, tanto que Cristo foi agregado ao nome de Jesus. Sobretudo, nesse período, mais do que um sentido religioso a palavra Cristo era encharcada do sentido político. Pois Cristo seria o grande libertador, estilo Davi, que com sua espada usurparia o lugar de César e inauguraria novos céus e nova terra. A base de luta e sangue. Só que esse tipo de identidade Jesus repreende.
Mesmo sendo discípulos as vezes temos ideias contorcidas a respeito de Jesus. Achamos que ele é algo que não é. Que tem que fazer algo que não tem que fazer. O pior de tudo é que transmitimos a imagem de um Jesus que não tem nada a ver com ele. Pior do que o loiro, de cabelos longos e de olhos azuis, transmitimos um Jesus que não é verdadeiro. O que se torna chocante é que por sermos discípulos, por ser pessoas que caminham mais próximas, éramos para ter um conceito mais lúcido e esclarecido sobre Jesus, mas ao invés disso nos iludimos com uma trajetória cristã medíocre que ao invés de conhecer em intimidade, molda Jesus ao que ele não é.
Jesus após repreender os seus discípulos passa a ensinar quem de fato ele era. Não o soldado, mas o filho do homem, aquele que morreria, seria rejeitado, perderia, mas que ressurgiria. Parece que essa fala franca, aberta não agrava muito a Pedro, era aquele tipo de discurso para perder Ibope. Pedro, com o seu jeito politicamente correto de ser, repreende Jesus, com as mesmas palavras que se repreende um demônio ou acalma-se o mar, e vem com uma palavra muito sedutora, afinal sua intenção era convencer Jesus que ele estava cometendo um grande equívoco e que precisava reconsiderar.
Quando somos contrariados, temos a mesma iniciativa de Pedro. Tentamos convencer Jesus em mudar de ideia, em alterar o rumo dos seus projetos e planos. A grande beleza é que Jesus chama Pedro e, diante de todas as pessoas, repreende ele, com o termo que se repreende o diabo e se acalma o mar, dizendo em alto e bom tom: Afasta-se de mim satanás, pois não cogitas das coisas de Deus. As vezes precisamos ser repreendidos porque estamos fora do prumo, perdemos os valores inegociáveis do reino de vista e vivemos com outros critérios, mais arrogantes, mesquinhos e descompassados.
Jesus, de maneira dura, expõe a síntese de seu ministério e o que espera aqueles que assumirem caminhar ao lado dele. Para seguir Jesus é preciso negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir. Em outras palavras é, abrir mão de sonhos particulares, assumir a responsabilidade da vida em sua integridade e caminhar sem a ilusão de que as coisas serão melhores ou que Deus irá facilitar as coisas, iremos ao encontro da morte.
Aliás, esse é o âmago do discurso de Jesus: para salvar é preciso perder. Somos seduzidos facilmente pelo demoníaco, e o demoníaco não quer perder, quer ganhar, vencer. Jesus chama para uma vida fincada em outro paradigma: em valores eternos, numa imagem esclarecida e verdadeira de quem ele é.

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