[Mensagem na Igreja Metodista em Guaianases, no dia 2 de setembro de 2012 no culto vespertino].
Marcos
7.20-21a
E dizia: O que sai
do homem, isso é o que o contamina. 21 Porque de dentro, do coração dos homens,
é que procedem os maus desígnios [...].
Não é mérito do
cristianismo pensar e falar sobre o que é fazer o bem e/ou fazer o mal. Todas
as religiões que existem no mundo estão preocupadas com a conduta das pessoas. Ações
positivas que geraram resultados positivos, evitar a maldade, crueldade, etc.
Portanto o
cristianismo não é o único que pensa sobre o fazer mal. A maldade pode ser
interpretada em diversas dimensões. Na área moral, ética, social. Enfim, não poucas
as possibilidades, o que receberá o destaque é ao mal que fazemos a nós mesmos.
Um mal pessoal, que, não poucas vezes, acontece de modo silencioso, após tomar
forma e ganhar grandes dimensões na vida, tanto que é possível confundir como
parte si mesmos.
O termo mal no grego
é definido como pathos, isto é, paixão. É aquilo que te deixa cego,
descontrolado, impossibilidade de ver e perceber outras possibilidades, outros
caminhos, outras alternativas, isso porque se transformou numa pessoa cega por
tudo o que esta acontecendo. Não poucas vezes uma pessoa apaixonada, é tida
como uma pessoa cega, que não consegue ver a verdade, por mais que a mentira
esteja na cara. Uma pessoa apaixonada faz loucuras em nome do amor (que não é
amor) e quando são alertadas ou corrigidas, entram em estágio de loucura porque
não admitem que seu rumo seja alterado.
Os versos lidos, estão inseridos num trecho em que Jesus
exorta fariseus, escribas e seus discípulos. Eram pessoas que viviam segundo
uma religião que estava falida, sem futuro, nem rumo. Jesus ao exortar essas
pessoas Ele exorta uma comunidade que esqueceu o que é a verdadeira maldade. O pathos,
o mal verdadeiro, a paixão desenfreada, a patologia espiritual não é detectada
por uma comunidade que não consegue mais distinguir o que é certo do errado.
Existem pelo menos
quatro maldades ou violências contra nós mesmos que percebemos nessa comunidade
e que precisamos abrir nossos olhos e ter uma transformação pessoal.
1 – paixão pelo ego – Existem pessoas que são fissuradas
por seu próprio ego. Por si mesmos. Existe uma boa definição a respeito de
demônio que descreve esse ser maligno como um ego absoluto, uma pessoa que se basta e que não precisa de mais
ninguém em sua vida. Uma pessoa que não está interessada em ninguém, além de si
mesmo. Os/as filhos/as estão condicionados/as a satisfazer a si mesmo. A/o
esposa/o são ferramentas para saciar um status seja em qual dimensão que ele
esteja inserido. Uma pessoa que tem paixão exacerbado sobre seu próprio ego não
consegue ver a vida como uma junção de histórias. Não poucas são as pessoas
religiosas que caminham por rumo, sendo prepotentes, arrogantes mas ao mesmo tempo insuportáveis e indigestas.
2 – paixão pelo controle – existem muitas
pessoas que precisa controlar todas as situações. Tem pessoas que controlam
outras com o olhar, amedrontando, melindrando. Pessoas que querem controlar a
vida de tudo, toda a Igreja, não admite ser contrariada, em que a última
palavra tem que ser dela. Pessoas que são absolutas e acham que não precisam
ser corrigidas porque são completas e donas da única e pura verdade.
3 – paixão por definir – há aquelas que gostam
de classificar os outros. Criar rótulos. Essa pessoa é tradicional. Essa é
liberal. Ele é pentecostal. Ele é pobre. Ela é caloteira. Ele é falso. Ela é
fofoqueira. E por aí adiante. O que não faltam são rótulos, definições
perniciosas e maldosas sobre as pessoas. Tem paixão em definir as relações, a
Igreja, a vida. Não tem olhos bons porque sua vida esta envolta de trevas.
4 – paixão por realizar – Outras pessoas,
por sua vez, tem fetiche em realizar as coisas. Vivem uma vida desenfreada por
realização. Querem conquistar, ter vitórias sobre vitórias, quanto mais se tem
mais é sinal de que é um homem bem aventurado, uma pessoa bem sucedida. Realizar
no sentido de gerar um numerador positivo, uma pessoa descontrolada para realizar.
Deste modo, torna-se uma pessoa frenética.
Esses são alguns
males que permeiam a vida humana. Paixões que matam e destroem o ser humano.
Jesus fala que é de dentro que saí nossa impureza. É dentro do ser humano que
existe toda maldade, toda crueldade. A maldade se expressa nas ações, nos relacionamentos,
na vida como um todo. É importante lutar contra essas paixões que geram
maldades.
1 – Adoração
Para vencer o ego
absoluto é preciso centrar sua vida em algo que está para além de si mesmo.
Lançar numa vida de adoração. A renovada imagem de Cristo com sua paixão por
adorar, um desejo incomparável em força potencial para glorificar a Deus,
adorando-o e revelando-o aos outros. Conforme que a dimensão da adoração invade
o ser humano, em que ele reconhece quem Deus é em sua vida, existe uma nova
identidade. Uma nova pureza. A santificação
se torna um caminho automático, pois a adoração acontece quando existe paixão
por adorar a Deus.
2 – Confiança
A única ferramenta
para evitar o controle é conseguir confiar em Deus. Para confiar em Deus é
preciso saber quem ele é e o que faz parte do seu caráter. O reconhecimento de
quem somos e de quem é Deus, reconhecimento esse que desperta a paixão por confiar,
o impulso que possibilita repousar numa tempestade e continuar tranquilamente nossa
caminhada durmo a Deus, o impulso de depender de Deus radicalmente. Ao passo
que isso se desenvolve adquirimos uma
nova identidade.
3 – Crescimento
A vontade de crescer
é algo que não pode faltar na vida das pessoas. É certo que todos os
crescimentos tem um critério, e é por causa disso que não se é fissurado em
definir tudo e todos. A postura nos faz ver nas experiências da vida
oportunidades de satisfazer a paixão pelo crescimento, motivos para celebrar as
provações como fator de aprimoramento espiritual e as bênçãos como prenúncios
do que está por vir, uma nova inclinação.
4 –Obediência
Ao invés de ficar
maluco para realizar, o que fica enraizado no coração é obedecer. Descobrir o
que Deus quer realizar em nós e a partir de nós. Adotar a lei de Deus como o
caráter da pessoa que mais amamos, postura essa que nutre a paixão por
odebeder, não uma pressão, mas uma avidez de agradar ao Pai, a qual é livre de
toda raiva e é despertada sobrenaturalmente. Surge, então, um novo poder, uma nova capacidade. Ao obedecer a Deus entendemos
que nossos sonhos não são limitados, são ampliados diante de Deus porque se
saber que não há nada melhor do que obedecer (melhor que sacrificar).
Que Deus nos ajude a
superar nossas maldades interiores.

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