domingo, 2 de setembro de 2012

O mal saí de dentro...



[Mensagem na Igreja Metodista em Guaianases, no dia 2 de setembro de 2012 no culto vespertino].

Marcos 7.20-21a
E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. 21 Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios [...].

Não é mérito do cristianismo pensar e falar sobre o que é fazer o bem e/ou fazer o mal. Todas as religiões que existem no mundo estão preocupadas com a conduta das pessoas. Ações positivas que geraram resultados positivos, evitar a maldade, crueldade, etc.
Portanto o cristianismo não é o único que pensa sobre o fazer mal. A maldade pode ser interpretada em diversas dimensões. Na área moral, ética, social. Enfim, não poucas as possibilidades, o que receberá o destaque é ao mal que fazemos a nós mesmos. Um mal pessoal, que, não poucas vezes, acontece de modo silencioso, após tomar forma e ganhar grandes dimensões na vida, tanto que é possível confundir como parte si mesmos.
O termo mal no grego é definido como pathos, isto é, paixão. É aquilo que te deixa cego, descontrolado, impossibilidade de ver e perceber outras possibilidades, outros caminhos, outras alternativas, isso porque se transformou numa pessoa cega por tudo o que esta acontecendo. Não poucas vezes uma pessoa apaixonada, é tida como uma pessoa cega, que não consegue ver a verdade, por mais que a mentira esteja na cara. Uma pessoa apaixonada faz loucuras em nome do amor (que não é amor) e quando são alertadas ou corrigidas, entram em estágio de loucura porque não admitem que seu rumo seja alterado.
Os versos lidos, estão inseridos num trecho em que Jesus exorta fariseus, escribas e seus discípulos. Eram pessoas que viviam segundo uma religião que estava falida, sem futuro, nem rumo. Jesus ao exortar essas pessoas Ele exorta uma comunidade que esqueceu o que é a verdadeira maldade. O pathos, o mal verdadeiro, a paixão desenfreada, a patologia espiritual não é detectada por uma comunidade que não consegue mais distinguir o que é certo do errado.
Existem pelo menos quatro maldades ou violências contra nós mesmos que percebemos nessa comunidade e que precisamos abrir nossos olhos e ter uma transformação pessoal.
1 – paixão pelo ego – Existem pessoas que são fissuradas por seu próprio ego. Por si mesmos. Existe uma boa definição a respeito de demônio que descreve esse ser maligno como um ego absoluto, uma pessoa que se basta e que não precisa de mais ninguém em sua vida. Uma pessoa que não está interessada em ninguém, além de si mesmo. Os/as filhos/as estão condicionados/as a satisfazer a si mesmo. A/o esposa/o são ferramentas para saciar um status seja em qual dimensão que ele esteja inserido. Uma pessoa que tem paixão exacerbado sobre seu próprio ego não consegue ver a vida como uma junção de histórias. Não poucas são as pessoas religiosas que caminham por rumo, sendo prepotentes, arrogantes  mas ao mesmo tempo insuportáveis e indigestas.
2 – paixão pelo controle – existem muitas pessoas que precisa controlar todas as situações. Tem pessoas que controlam outras com o olhar, amedrontando, melindrando. Pessoas que querem controlar a vida de tudo, toda a Igreja, não admite ser contrariada, em que a última palavra tem que ser dela. Pessoas que são absolutas e acham que não precisam ser corrigidas porque são completas e donas da única e pura verdade.
3 – paixão por definir – há aquelas que gostam de classificar os outros. Criar rótulos. Essa pessoa é tradicional. Essa é liberal. Ele é pentecostal. Ele é pobre. Ela é caloteira. Ele é falso. Ela é fofoqueira. E por aí adiante. O que não faltam são rótulos, definições perniciosas e maldosas sobre as pessoas. Tem paixão em definir as relações, a Igreja, a vida. Não tem olhos bons porque sua vida esta envolta de trevas.
4 – paixão por realizar – Outras pessoas, por sua vez, tem fetiche em realizar as coisas. Vivem uma vida desenfreada por realização. Querem conquistar, ter vitórias sobre vitórias, quanto mais se tem mais é sinal de que é um homem bem aventurado, uma pessoa bem sucedida. Realizar no sentido de gerar um numerador positivo, uma pessoa descontrolada para realizar. Deste modo, torna-se uma pessoa frenética.
Esses são alguns males que permeiam a vida humana. Paixões que matam e destroem o ser humano. Jesus fala que é de dentro que saí nossa impureza. É dentro do ser humano que existe toda maldade, toda crueldade. A maldade se expressa nas ações, nos relacionamentos, na vida como um todo. É importante lutar contra essas paixões que geram maldades.
1 – Adoração
Para vencer o ego absoluto é preciso centrar sua vida em algo que está para além de si mesmo. Lançar numa vida de adoração. A renovada imagem de Cristo com sua paixão por adorar, um desejo incomparável em força potencial para glorificar a Deus, adorando-o e revelando-o aos outros. Conforme que a dimensão da adoração invade o ser humano, em que ele reconhece quem Deus é em sua vida, existe uma nova identidade. Uma nova pureza. A santificação se torna um caminho automático, pois a adoração acontece quando existe paixão por adorar a Deus.
2 – Confiança
A única ferramenta para evitar o controle é conseguir confiar em Deus. Para confiar em Deus é preciso saber quem ele é e o que faz parte do seu caráter. O reconhecimento de quem somos e de quem é Deus, reconhecimento esse que desperta a paixão por confiar, o impulso que possibilita repousar numa tempestade e continuar tranquilamente nossa caminhada durmo a Deus, o impulso de depender de Deus radicalmente. Ao passo que isso se desenvolve adquirimos uma nova identidade.
3 – Crescimento 
A vontade de crescer é algo que não pode faltar na vida das pessoas. É certo que todos os crescimentos tem um critério, e é por causa disso que não se é fissurado em definir tudo e todos. A postura nos faz ver nas experiências da vida oportunidades de satisfazer a paixão pelo crescimento, motivos para celebrar as provações como fator de aprimoramento espiritual e as bênçãos como prenúncios do que está por vir, uma nova inclinação.
4 –Obediência 
Ao invés de ficar maluco para realizar, o que fica enraizado no coração é obedecer. Descobrir o que Deus quer realizar em nós e a partir de nós. Adotar a lei de Deus como o caráter da pessoa que mais amamos, postura essa que nutre a paixão por odebeder, não uma pressão, mas uma avidez de agradar ao Pai, a qual é livre de toda raiva e é despertada sobrenaturalmente. Surge, então, um novo poder, uma nova capacidade. Ao obedecer a Deus entendemos que nossos sonhos não são limitados, são ampliados diante de Deus porque se saber que não há nada melhor do que obedecer (melhor que sacrificar).
Que Deus nos ajude a superar nossas maldades interiores.

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