Igreja
metodista em Guaianases – Culto Vespertino
Missão:
parte 2
26 Disse ainda: O reino de
Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; 27 depois, dormisse e
se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não
sabendo ele como. 28 A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a
espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29 E, quando o fruto já está
maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa. 30 Disse mais: A
que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31 É
como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes
sobre a terra; 32 mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as
hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se
à sua sombra. 33 E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra,
conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34 E sem parábolas não lhes
falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.
Quinta-feira andei
de trem para ir até a Igreja da Luz. Foi um tempo ímpar em minha trajetória
cristã, pois, depois de muito tempo, pude prestar atenção nas pessoas. Foi o
trajeto de Guaianases até a Luz. E entre esses dois pontos muitas coisas
interessantes aconteceram.
Ao entrar no trem, na
ida, não estava tão cheio. Era possível ouvir até ‘um’ certo silêncio no ar, no
qual descrevia a labuta de cada trabalhador/a. Eu lia. Até que do nada surgiu
uma voz protestando: como os homens
impedem aquilo que O Grande salvador mandou fazer? Eles não deixam mais dar
esmola. Mas a Bíblia diz que temos que dar esmolas para as pessoas. É um
absurdo! Os homens tentam desmandar o que Deus mandou! Eu não admito isso que a
ordem de Deus seja engolida por uma ordem humana! Se Jesus mandar dar esmolas,
temos que dá. O Lula quando era pobre pedia esmola, agora que é presidente não
deixa mais! Isso é um absurdo! Foi assim entre o Tatuapé e a Luz. AS
pessoas a princípio não falaram nada, mas depois de certo tempo, a paciência se
foi e já passaram a detestar a ideia de dar esmolas. O tal ‘homem da esmola’
foi falando do trem, desceu as escadas, subiu as escadas, indignado com a
proibição de esmola. Na volta a surpresa foi outra. Estava lendo meu livro, ainda
na plataforma. Num segundo sozinho, noutro rodeado por dezenas de pessoas. A
expectativa fluía pelos poros. As vozes se misturavam, mas, ao mesmo tempo,
fazia um grande volume de vidas em tangência. O trem se aproxima, as pessoas
param de fazer o que estavam fazendo e esperam a parada do trem. Ele passa
direto.
A ansiedade aumenta.
Cadê o outro trem? Era a pergunta que gritava nos ruídos. Ouve-se um som. O
trem chegou. Fechei o livro e me preparei para entrar. Quando o grande veículo
ferroviário parou nem precisei impulsionar minhas pernas, apenas me controlar
para não cair, pois o movimento estava por conta das pessoas que estava em
desespero para sentar e dormir um pouco. Entrei e, quase que milagrosamente,
sentei. Re-abri meu livro e voltei a ler a história de Melochio. Rapidamente o
veículo estava lotado. As vozes ficaram mais altas e intensas. E, diante de
todo esse barulho, ouvi nitidamente o Senhor falar: feche o seu livro e ouça as pessoas. Levantei a cabeça e passei a
observar as pessoas que estavam ali comigo. Do meu lado esquerdo havia um
corinthiano, falando com um amigo tricolor e outro do mesmo time, de suas
expectativas para quarta-feira. O tricolor parecia que não estava mais ali,
pois ouvia o seu time num rádio. Do lado direito havia outro homem sentando, no
chão. Cansado, esgotado, parecia que tinha sido pisado pelo dia, mas depois de
tanto esforços havia vencido. Em minha frente havia uma moça, preocupada com a
família (essa falarei mais adiante). No meu lado esquerdo, em pé e desconfiado,
um homem que havia assumido sua feminilidade, só que desconfiava de todas as
pessoas a sua volta, afinal de contas, todas são suspeitos/as em potencial por
causa de um preconceito desenfreado e demoníaco. Do lado direito, em pé, chamando
a atenção de todo o vagão, algumas meninas que faziam questão de mostrar que
tinham uma vida sexualmente ativa, que eram desejadas, que faziam o que
queriam, que tinham um encontro com pelo menos
um cara, logo um
processo de auto afirmação. Além dessas pessoas existiam tantas outras que
descreviam em suas faces o anseio de chegar em suas casas e se prepararem para
outro dia de enfrentamento. Mas sabe aquela moça que estava em minha frente?
Ela estava com problemas familiares, pelo menos é o que parecia pela sua
conversa no telefone (eu só tinha uma parte da ligação), estava em desespero
querendo chegar logo em casa. Olhei para ela e disse: fique calma, as coisas
vão se ajeitar. Ela respondeu: não tem opção de ficar calma nessa situação. Eu
(não sei bem se eu mesmo) respondi: sempre há uma opção. A partir disso começamos
um diálogo. Ela disse de sua família, sua irmã, cunhado, pai, mãe e vó, do seu
trabalho e que estava aflita porque estava para chegar em casa e uma guerra
estava em pleno vapor. Disse que estaria em oração por ela, ela disse que
estava mais em paz. E partimos...
Deus me ensinou que
meus olhos precisam estar atentos para a realidade das pessoas. Prestar atenção
nos detalhes de cada uma delas e fazer missão a partir daí. As vezes queremos
ir para lugares diferentes, longínquos, pensando que são nesses lugares que
Deus fará a sua missão. E nessa limitação humana esquecemos que a missão de
Deus acontece na caminhada pausada de passo a passo em direção das pessoas no
mundo.
O termo missão é
entendido, na maioria das vezes, como o deslocamento de uma pessoa ou um grupo
para um lugar específico; um ponto iniciante de pregação que tem como proposição
fundante e principal a missão e conversão de pessoas ao Evangelho. Depois de
tempo, o ponto de pregação ‘vira’ igreja e o processo de constituição e de
estabilidade parece que muda o foco missionário.
Conceitualmente a
Igreja Metodista é conhecida como missionária, afinal de contas ela diz “o
mundo é a minha paróquia”. Todavia a pergunta ressoa: Missão pra que? Será que
pensar em Missão é só nos que estão fora? Mas quem tá fora? Quem está dentro?
Será que não existe muitas pessoas tidas como ‘dentro’ que precisam receber na
Missão? Quando a missão começa? Quando ela acaba?
O evangelista tem um jeito especial de descrever suas
duas parábolas. Ele afirma que a conversão acontece quando a semente encontra a
terra, ela acaba apenas quando a foice da morte chega e acaba com ela. Mesmo
assim, os frutos ficam.
Cada parábola tem
algo em especial. Na primeira parábola define o que é o reino de Deus (assim é o Reino de Deus), na segunda
parábola Jesus aponta um novo paradigma (como
comparamos o Reino de Deus).
Hoje, O que se esperamos
do Reino de Deus? Justiça, Paz, Amor, Felicidade,
Saúde, Prosperidade, etc. Parece que esses elementos são tão complicados em
um mundo como o nosso aonde uma laranja pobre estraga todas. Será que isso se
aplica ao Reino de Deus? Ele foi estragado?
Num primeiro momento
Jesus define o que é o reino de Deus, o mesmo termo que se utiliza para o fruto
do Espírito, isto é ‘estin’ (é). A ilustração que Jesus escolhe para descrever
é de um homem que semeia. É uma parábola estranha porque não segue a ordem
necessária do crescimento, mas, mesmo assim, o reino se propaga de um jeito
incomparável. Jesus deixa claro que todo o crescimento não depende da ação
humana. O ser humano tem apenas uma função: semear.
No segundo exemplo,
no qual Jesus compara o Reino de Deus, ele usa a mostarda. Por que Jesus usou
essa ilustração?
É interessante que
diante de tantas sementes ele escolhe a menor de todas e, mais do que isso, a
que era tida como praga, que precisava ser sempre cortada, porque se não tomava
conta de toda a plantação. Uma pequena semente poderia fazer um grande estrago.
No exemplo de Jesus ela fica grande, coisa que nenhum ‘pé’ de mostarda ficava.
De tão grande faz sombra para os pássaros dos céus. Logo se transforma numa
grande árvore (algo impossível para uma hortaliça). Se o propósito de Jesus era
impactar, ele conseguiu.
I – Minha função é lançar a semente.
Só damos aquilo que
temos. Se não temos a semente não tem como o reino crescer automaticamente. Não
é por méritos humanos ou tecnológicos. Se existe mérito é todo de Deus. Lançar
a semente e descansar. Todo o processo de crescimento e desenvolvimento é feito
pelo próprio Deus. Isso classifica o que o Reino é: é ação de Deus com
cooperação humana.
II – O Reino supera não tem padrão.
O texto afirma que o
Reino é comparado com a praga das mostardas que além de pequenas e
irrelevantes, elas quando nascem dominam tudo e supera todas as expectativas.
Que de tão intensa não se padroniza a nada! Quebra estereótipos e se torna uma
praga para tudo o que ofusca a vida. É tão simples que passa despercebido por
muita gente, mas quando se revela torna-se lugar de refugio e abrigo. O reino
de Deus não se compara com aritmética, mas, sim, com a biologia.
III – A mensagem de Jesus é compreendida?
O evangelista deixa descreve o cuidado de
Jesus em falar de um modo que as pessoas pudessem entender, por isso ele
utilizava de parábolas e o zelo em explicar os detalhes para os seus
discípulos. A missão acontece quando o indivíduo entende sua tarefa e
responsabilidade diante da vida. Jesus utiliza-se de parábolas para se ser compreendido
pelos seus seguidores. Preocupação para todos entenderem e o cuidado de
explicar os detalhes para os discípulos.

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