domingo, 17 de junho de 2012

Missão: Parte II



Igreja metodista em Guaianases – Culto Vespertino
Missão: parte 2

26 Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; 27 depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. 28 A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29 E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa. 30 Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31 É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32 mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra. 33 E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34 E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

Quinta-feira andei de trem para ir até a Igreja da Luz. Foi um tempo ímpar em minha trajetória cristã, pois, depois de muito tempo, pude prestar atenção nas pessoas. Foi o trajeto de Guaianases até a Luz. E entre esses dois pontos muitas coisas interessantes aconteceram.
Ao entrar no trem, na ida, não estava tão cheio. Era possível ouvir até ‘um’ certo silêncio no ar, no qual descrevia a labuta de cada trabalhador/a. Eu lia. Até que do nada surgiu uma voz protestando: como os homens impedem aquilo que O Grande salvador mandou fazer? Eles não deixam mais dar esmola. Mas a Bíblia diz que temos que dar esmolas para as pessoas. É um absurdo! Os homens tentam desmandar o que Deus mandou! Eu não admito isso que a ordem de Deus seja engolida por uma ordem humana! Se Jesus mandar dar esmolas, temos que dá. O Lula quando era pobre pedia esmola, agora que é presidente não deixa mais! Isso é um absurdo! Foi assim entre o Tatuapé e a Luz. AS pessoas a princípio não falaram nada, mas depois de certo tempo, a paciência se foi e já passaram a detestar a ideia de dar esmolas. O tal ‘homem da esmola’ foi falando do trem, desceu as escadas, subiu as escadas, indignado com a proibição de esmola. Na volta a surpresa foi outra. Estava lendo meu livro, ainda na plataforma. Num segundo sozinho, noutro rodeado por dezenas de pessoas. A expectativa fluía pelos poros. As vozes se misturavam, mas, ao mesmo tempo, fazia um grande volume de vidas em tangência. O trem se aproxima, as pessoas param de fazer o que estavam fazendo e esperam a parada do trem. Ele passa direto.

A ansiedade aumenta. Cadê o outro trem? Era a pergunta que gritava nos ruídos. Ouve-se um som. O trem chegou. Fechei o livro e me preparei para entrar. Quando o grande veículo ferroviário parou nem precisei impulsionar minhas pernas, apenas me controlar para não cair, pois o movimento estava por conta das pessoas que estava em desespero para sentar e dormir um pouco. Entrei e, quase que milagrosamente, sentei. Re-abri meu livro e voltei a ler a história de Melochio. Rapidamente o veículo estava lotado. As vozes ficaram mais altas e intensas. E, diante de todo esse barulho, ouvi nitidamente o Senhor falar: feche o seu livro e ouça as pessoas. Levantei a cabeça e passei a observar as pessoas que estavam ali comigo. Do meu lado esquerdo havia um corinthiano, falando com um amigo tricolor e outro do mesmo time, de suas expectativas para quarta-feira. O tricolor parecia que não estava mais ali, pois ouvia o seu time num rádio. Do lado direito havia outro homem sentando, no chão. Cansado, esgotado, parecia que tinha sido pisado pelo dia, mas depois de tanto esforços havia vencido. Em minha frente havia uma moça, preocupada com a família (essa falarei mais adiante). No meu lado esquerdo, em pé e desconfiado, um homem que havia assumido sua feminilidade, só que desconfiava de todas as pessoas a sua volta, afinal de contas, todas são suspeitos/as em potencial por causa de um preconceito desenfreado e demoníaco. Do lado direito, em pé, chamando a atenção de todo o vagão, algumas meninas que faziam questão de mostrar que tinham uma vida sexualmente ativa, que eram desejadas, que faziam o que queriam, que tinham um encontro com pelo menos
um cara, logo um processo de auto afirmação. Além dessas pessoas existiam tantas outras que descreviam em suas faces o anseio de chegar em suas casas e se prepararem para outro dia de enfrentamento. Mas sabe aquela moça que estava em minha frente? Ela estava com problemas familiares, pelo menos é o que parecia pela sua conversa no telefone (eu só tinha uma parte da ligação), estava em desespero querendo chegar logo em casa. Olhei para ela e disse: fique calma, as coisas vão se ajeitar. Ela respondeu: não tem opção de ficar calma nessa situação. Eu (não sei bem se eu mesmo) respondi: sempre há uma opção. A partir disso começamos um diálogo. Ela disse de sua família, sua irmã, cunhado, pai, mãe e vó, do seu trabalho e que estava aflita porque estava para chegar em casa e uma guerra estava em pleno vapor. Disse que estaria em oração por ela, ela disse que estava mais em paz. E partimos...

Deus me ensinou que meus olhos precisam estar atentos para a realidade das pessoas. Prestar atenção nos detalhes de cada uma delas e fazer missão a partir daí. As vezes queremos ir para lugares diferentes, longínquos, pensando que são nesses lugares que Deus fará a sua missão. E nessa limitação humana esquecemos que a missão de Deus acontece na caminhada pausada de passo a passo em direção das pessoas no mundo.
O termo missão é entendido, na maioria das vezes, como o deslocamento de uma pessoa ou um grupo para um lugar específico; um ponto iniciante de pregação que tem como proposição fundante e principal a missão e conversão de pessoas ao Evangelho. Depois de tempo, o ponto de pregação ‘vira’ igreja e o processo de constituição e de estabilidade parece que muda o foco missionário.
Conceitualmente a Igreja Metodista é conhecida como missionária, afinal de contas ela diz “o mundo é a minha paróquia”. Todavia a pergunta ressoa: Missão pra que? Será que pensar em Missão é só nos que estão fora? Mas quem tá fora? Quem está dentro? Será que não existe muitas pessoas tidas como ‘dentro’ que precisam receber na Missão? Quando a missão começa? Quando ela acaba?
O evangelista tem um jeito especial de descrever suas duas parábolas. Ele afirma que a conversão acontece quando a semente encontra a terra, ela acaba apenas quando a foice da morte chega e acaba com ela. Mesmo assim, os frutos ficam.
Cada parábola tem algo em especial. Na primeira parábola define o que é o reino de Deus (assim é o Reino de Deus), na segunda parábola Jesus aponta um novo paradigma (como comparamos o Reino de Deus).
Hoje, O que se esperamos do Reino de Deus? Justiça, Paz, Amor, Felicidade, Saúde, Prosperidade, etc. Parece que esses elementos são tão complicados em um mundo como o nosso aonde uma laranja pobre estraga todas. Será que isso se aplica ao Reino de Deus? Ele foi estragado?
Num primeiro momento Jesus define o que é o reino de Deus, o mesmo termo que se utiliza para o fruto do Espírito, isto é ‘estin’ (é). A ilustração que Jesus escolhe para descrever é de um homem que semeia. É uma parábola estranha porque não segue a ordem necessária do crescimento, mas, mesmo assim, o reino se propaga de um jeito incomparável. Jesus deixa claro que todo o crescimento não depende da ação humana. O ser humano tem apenas uma função: semear.
No segundo exemplo, no qual Jesus compara o Reino de Deus, ele usa a mostarda. Por que Jesus usou essa ilustração?


É interessante que diante de tantas sementes ele escolhe a menor de todas e, mais do que isso, a que era tida como praga, que precisava ser sempre cortada, porque se não tomava conta de toda a plantação. Uma pequena semente poderia fazer um grande estrago. No exemplo de Jesus ela fica grande, coisa que nenhum ‘pé’ de mostarda ficava. De tão grande faz sombra para os pássaros dos céus. Logo se transforma numa grande árvore (algo impossível para uma hortaliça). Se o propósito de Jesus era impactar, ele conseguiu.

I – Minha função é lançar a semente.
Só damos aquilo que temos. Se não temos a semente não tem como o reino crescer automaticamente. Não é por méritos humanos ou tecnológicos. Se existe mérito é todo de Deus. Lançar a semente e descansar. Todo o processo de crescimento e desenvolvimento é feito pelo próprio Deus. Isso classifica o que o Reino é: é ação de Deus com cooperação humana.

II – O Reino supera não tem padrão.
O texto afirma que o Reino é comparado com a praga das mostardas que além de pequenas e irrelevantes, elas quando nascem dominam tudo e supera todas as expectativas. Que de tão intensa não se padroniza a nada! Quebra estereótipos e se torna uma praga para tudo o que ofusca a vida. É tão simples que passa despercebido por muita gente, mas quando se revela torna-se lugar de refugio e abrigo. O reino de Deus não se compara com aritmética, mas, sim, com a biologia.

III – A mensagem de Jesus é compreendida?
 O evangelista deixa descreve o cuidado de Jesus em falar de um modo que as pessoas pudessem entender, por isso ele utilizava de parábolas e o zelo em explicar os detalhes para os seus discípulos. A missão acontece quando o indivíduo entende sua tarefa e responsabilidade diante da vida. Jesus utiliza-se de parábolas para se ser compreendido pelos seus seguidores. Preocupação para todos entenderem e o cuidado de explicar os detalhes para os discípulos.

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