terça-feira, 26 de junho de 2012


[mensagem pregada no culto de oração na Igreja Metodista em Guaianases no dia 26 de junho de 2012]


Culto de Oração e Libertação IM Guaianases
Juizes 17
1 Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica, 2 o qual disse a sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te foram tirados, por cuja causa deitavas maldições e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então, lhe disse a mãe: Bendito do SENHOR seja meu filho! 3 Assim, restituiu os mil e cem siclos de prata a sua mãe, que disse: De minha mão dedico este dinheiro ao SENHOR para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição, de sorte que, agora, eu to devolvo. 4 Porém ele restituiu o dinheiro a sua mãe, que tomou duzentos siclos de prata e os deu ao ourives, o qual fez deles uma imagem de escultura e uma de fundição; e a imagem esteve em casa de Mica. 5 E, assim, este homem, Mica, veio a ter uma casa de deuses; fez uma estola sacerdotal e ídolos do lar e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote. 6 Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto. 7 Havia um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e se demorava ali. 8 Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá para ficar onde melhor lhe parecesse. Seguindo, pois, o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, até à casa de Mica. 9 Perguntou-lhe Mica: Donde vens? Ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de Judá e vou ficar onde melhor me parecer. 10 Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez siclos de prata, o vestuário e o sustento. O levita entrou 11 e consentiu em ficar com aquele homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos. 12 Consagrou Mica ao moço levita, que lhe passou a ser sacerdote; e ficou em casa de Mica. 13 Então, disse Mica: Sei, agora, que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote.

Normalmente o Livro de Juízes é lido apenas até o capítulo 16 com a morte de Sansão. Mas existem pelo menos dois fatos importantes neste livro. Mesmo com suas complexidades e dificuldades interpretativas, nota-se a sua importância dentro deste bloco. É um texto complicado de ser decifrado, interpretado e aplicado ao cotidiano da caminhada cristã, haja vista suas ambiguidades, mas é possível descobrir alguns indícios que nos ajudam nesse processo.
Esse texto conta a história de Micas, um homem que havia roubado de sua mãe mil e cem siclos de prata. Parece que sua mãe não sabia que ele havia feito isso, por isso amaldiçoou quem havia pego. Parece que Micas era um homem muito supersticioso, pois fica preocupado com a maldição que a mãe havia lançado e resolve devolver o dinheiro que havia roubado. A ação de sua mãe é em abençoar a vida de Micas, por ele ter feito o que era certo. Todavia, algo estranho acontece novamente. A mãe dá um dinheiro para um ourives a fim de que ele faça uma imagem a Micas e ele coloca essa imagem em sua casa. O que poderia representar essa imagem? Um sinal que ele havia roubado a mãe e aquela imagem era uma estátua da sua vergonha e reconciliação? Um amuleto da sorte?
Uma coisa passou a desencadear outras coisas. Micas (que significa quem é como o senhor?) fez uma casa de deuses, fez uma estola sacerdotal e ídolos e consagrou um dos seus filhos para que fosse o sacerdote. Em outras palavras Micas abriu sua própria Igreja, sua própria religião. O verso 6 dá uma ‘luz’ do que poderia estar acontecendo. Por não ter rei em Israel, as pessoas faziam o que queriam, o que achavam certo ou mais reto. Não havia critério, pois o povo havia se distanciado da essência dos mandamentos de Deus.
O texto apresenta um jovem levita que estava meio sem rumo, procurando um lugar para ficar ou, em outras palavras, um emprego. Esse homem havia saído de Belém de Judá, procurando um local que poderia ganhar a vida. Até que um dia chegou até a casa de Micas. Ele pergunta para o moço para onde ele vai e de onde ele vem. É interessante que a pergunta começa como futuro e, depois, o passado. Mostra que saber aonde se quer chegar é um elemento muito importante. O rapaz responde primeiro a segunda pergunta. Diz quem ele é – um levita (mas que tipo de levita?) – saiu de Belém de Judá e vai ficar aonde lhe parecer melhor, aonde ele querer, aonde ele ganhar mais. Parece um jovem sem rumo e sem fronteiras. Aonde conseguir mais lucro é ali que ficará.
Parece que Micas entendeu o que o levita sem nome queria. Micas faz uma proposta para o levita. Se ele ficasse, seria tido como pai e sacerdote, ganharia 10 siclos de prata por ano mais alimentação e moradia. O que um sacerdote costumava ganhar naquela época era no máximo 10 gramas de prata por ano, o que Micas oferece era 11,4 x 10 por ano, isto é 1quilo e 140 gramas por ano, o levita ia ganhar em um ano o que demoraria para ganhar em 10 anos. O texto não fala o nome deste levita, sua relação com Deus, apenas um elogio em boca própria, uma identidade que talvez se comprovasse nas aparências, nas evidências, mas só isso.
Talvez Mica de tão supersticioso o que queria era apenas um amuleto da sorte, um sacerdote que fizesse o que ele quisesse, falasse o que era bom aos ouvidos. E o levita, por sua vez, estabeleceu um preço para si mesmo. O levita analisa a proposta e aceita. É consagrado ou aceito por Micas e por sua casa. A convicção de Micas é que nada de ruim poderia acontecer porque sua religião estava completa. Ele tinha um templo, tinha estatuas de deuses e um sacerdote, para ele estava tudo completo e o Senhor iria abençoá-lo.
Paralelamente a isso existia a tribo dos danitas que procuravam uma terra para habitar. Mandaram 5 guerreiros para pesquisar um lugar que pudessem conquistar. Eles chegaram até a casa de Micas e pernoitaram por ali. Ouviram a voz do levita, talvez tenha reconhecido o sotaque dele e perguntaram o que tinha acontecido para ele estar ali com aquele povo. Ele diz o que aconteceu e que Mica o assalariou e ele era por sacerdote de Mica. Os homens pedem uma consulta se a viagem daria tudo certo. O levita responde, rapidamente, ide em paz que o Senhor está contigo. Não aparece nenhuma consulta a Deus ou algum ato religioso ou litúrgico, apenas uma palavra de imediato. Característica de profetas do rei, isto é, falam apenas o que o rei quer ouvir, sem nenhum temor ao Senhor.
 Os homens saem e encontram uma terra chamada Laís. Viram que o povo que estava lá era seguro, viviam em paz e confiantes. Uma terra prospera.
Mas havia um problema, esse povo não tinha alianças com nenhum império da época. Mesmo assim o povo era fértil e próspero, mas, por outro lado, não tinha como se proteger, pois não era um povo voltado para a guerra. Os danitas viram a terra e acharam boa. Voltaram para sua casa avisaram o seu povo, juntaram 600 guerreiros e foram conquistar a terra de Laís.
Antes de irem até a terra almejada, pararam na casa de Micas e pegaram as imagens de escultura de Micas e fizeram uma contra proposta para o levita, que de imediato aceitou, pois iria ganhar mais dinheiro e mais status. Micas tenta buscar o seu levita e suas imagens, mas percebe que se lutasse morreria e não luta por causa disso, volta para a casa sem nada.
Os homens chegam até a terra de Laís. Matam todas as pessoas, queimam tudo e, por fim, levantam tudo de novo, segundo os seus critérios. Tiveram seus sacerdotes, seus profetas e as imagens de Micas ficaram até o tempo em que o povo foi preso cativo.

Alguns princípios rápidos.

I – Falta de caráter não é de hoje.

II – Tem medo, mas não tem vergonha.

III – A idolatria é sedutora e dá aparente segurança.

IV – Nada caminha num espírito anarquista.

V – Oportunistas se aproveitam de aproveitadores.

VI – Vinculo financeiro não garante nada.

VII – Existem prejuízos que são irreparáveis.


São temas que podem ser trabalhados. Mas espera-se que esses princípios auxiliem na trajetória cristã pessoal, rumo a uma vida coerente com o Evangelho.

Um comentário:

Unknown disse...

Muito bom. Que Deus o abençoe.