segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cuidado para não deixar de Cuidar!



Numa perigosa costa, onde naufrágios são frequentes, havia, certa vez, um tosco, pequeno posto de salvamento. O prédio não passava de uma cabana, e havia um só barco salva-vidas. Mesmo assim, os membros, poucos e dedicados, mantinham uma vigilância constante sobre o mar e, sem pensar em si mesmos, saíam dia e noite, procurando incansavelmente pelos perdidos. Muitas vidas foram salvas por esse maravilhoso pequeno posto, de modo que acabou ficando famoso. Algumas das pessoas que haviam sido salvas, além de várias outras residentes nos arredores,queriam associar-se ao posto e contribuir com seu tempo, dinheiro e esforço para manter o trabalho de salvamento. Novos barcos foram comprados e novas tripulações trinadas. O pequeno posto de salvamento cresceu.
Alguns membros do posto de salvamento estavam descontentes com o fato de o prédio ser tão tosco e tão parcamente equipado. Achavam que um lugar mas confortável deveria servir de primeiro refúgio aos náufragos salvos. Assim, substituíram as macas de emergência por camas e puseram uma mobilia melhor no prédio, que foi aumentando. Agora, o posto de salvamento tornou-se um popular lugar de reunião para seus membros. Deram-lhe uma bela decoração e o mobiliaram com requente, pois o usavam como uma espécie de clube. Agora, era menor o número de membros ainda interessados em sair ao mar em missões de salvamento. Assim, tripulações de barcos salva-vidas contratadas para fazer esse trabalho. O motivo predominante na decoração do clube ainda era o salvamento de vidas, e havia um barco salva-vidas litúrgico na sala em que eram celebradas as cerimônias de admissão ao clube. Por essa época, um grande navio naufragou ao largo da costa, e as tripulações contratadas trouxeram barcadas de pessoas com frio, molhadas e semi-afogadas. Elas estavam sujas e doentes, e algumas delas eram de pele preta ou amarela. O belo e novo clube estava em caos. Por isso, o comitê responsável pela propriedade imediatamente mandou construir um banheiro do lado de fora do clube, onde as vítimas de naufrágios pudessem se limpar antes de entrar.
Na reunião seguinte, houve uma cisão entre os membros do clube. A maioria dos membros queria suspender as atividades de salvamento por serem desagradáveis e atrapalharem a vida social normal do clube. Alguns membros insistiram em que o salvamento de vidas era seu propósito primário e chamaram a atenção para o fato de que eles ainda eram chamados “posto de salvamento”. Mas, por fim, estes membros foram derrotados na votação. Foi-lhes dito que, se queriam salvas as vidas de todos os vários tipos de pessoas que naufragassem naquelas águas, ele poderiam iniciar seu próprio posto de salvamento mais abaixo naquela mesma costa. E foi o que fizeram.
Com o passar dos anos, o novo posto de salvamento passou pelas mesmas transformações ocorridas no antigo. Acabou tornando-se um clube, e mais um posto de salvamento foi fundado. A história continuou a repetir-se, de modo que, quando se visita aquela costa hoje em dia, encontram-se vários clubes exclusivos ao longa da praia. Naufrágios são frequentes naquelas águas, mas a maioria das pessoas morrem afogadas!1

Esse texto me faz pensar sobre a forma como desempenho meu ministério. Coloca em xeque as posturas que, tanto a igreja como membros, têm diante da vocação que o Senhor Jesus concedeu a cada pessoa. Todos/as, desde instituições religiosas aos indivíduos, todos existem para servir a Jesus, contudo, isso só acontece quando temos a capacidade em estender as mãos para as pessoas que nos cercam. Caminhar rumo essas pessoas que vivem sem esperança. Olhar, com olhos amorosos, para tantas pessoas desamadas. Abraçar, com os braços de Deus, todos/as que se sentem sozinhos/as.
Concluindo, lembro-me da frase “só serve para viver, quem vive para servir”. Portanto, no frigir dos ovos, o único sentido da vida é descobrir a beleza do cuidado mútuo. Quem cuida, realmente, ama.

1 - Originalmente, essa parábola apareceu num artigo de Theodore. WEDEL, “Evangelism – Mission of the church to those Outside her life”, The Ecumenical review, out. 1953, p. 24. Citamos uma paráfrase do original, feita por Richard WHEATCROFT e publicada em Letter to laymen, maio-jun. 1962, p.1.

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