terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Elementos pós natalinos

Algumas denominações cristãs não celebram o Natal. As justificativas são diversas. Uns dizem que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro; alguns afirmam que essa data era uma celebração pagã que envolvia deuses estranhos; uma outra justificativa é que o mercado se aproveitou dessa data para manipular as pessoas, a fim de que elas consumissem o máximo possível.
Essas afirmações não deixam de ser verdades, além do que, existem muitas outras justificativas para não se comemorar o natal. Mas a partir do momento em que se anula toda expressividade da data natalina, deixa-se de lado, também, a grande dinâmica divina que ela gera nos corações das pessoas, que, de modo muito especial, é apresentado pelo evangelho de Mateus.
Nota-se, claramente, que a grande preocupação do Evangelho de Mateus é apresentar o vínculo de Jesus com a tradição judaica, e, assim, legitimar sua messianidade (algo tão esperado pelo povo). É um Evangelho que se utiliza da história, a fim de evidenciar que, em Jesus, todas as promessas foram realizadas e cumpridas. Logo, todos os povos são unificados no Messias. A dinâmica do Evangelho de Mateus é desenvolver a salvação dentro e fora do povo, utilizando-se de ideias renovadoras.
A palavra 'dinâmica' traz à tona muitos sentidos, dentre eles a ideia de explosão, alteração de uma realidade. De fato foi isso o que o nascimento de Jesus trouxe para a realidade da humanidade. Nâo só no nascimento de Jesus, mas todas as pessoas que estiveram envolvidas nesse processo, experimentaram dessa dinâmica. Vejamos algumas elementos que podem ser destacados.
O primeiro elemento a ser destacado é a Disposição para os desafios. Um termo que é repetido várias vezes neste texto é 'Disposição'. Desde o falar de Deus para com José, como na reação de José diante das palavras de Deus. Disposição corta todo este trecho. A disposição é uma palavra muito valorizada na Bíblia. Disposição é o ato de uma pessoa investir em alguma coisa, acreditando que não está perdendo tempo em suas ações.
Estar disposto é muito mais que se envolver em uma ação, é comprometer-se a ponto de dar a sua vida por uma causa, não mensurando o que está em risco, mas focando o que será alcançado. Dispor-se para uma situação é criar estratégias para enfrentar os desafios rotineiros.
Vivemos tempos em que as pessoas que se dizem cristãs são desafiadas à se posicionarem de formas diferentes diante da vida. O povo de Deus precisa se dispor para viver o Evangelho de maneira pura, integra e intensa.
Como segundo elemento, nota-se que as forças de destruição sempre existirão. O texto deixa claro que Herodes buscou diversas maneiras para matar o menino Jesus, nas quais, tanto a mentira como o discurso religioso de boa aparência eram notórios. Herodes tinha o plano perfeito e, porque não, infalível. Uma linda característica de Deus é que diante dos desafios, Ele sempre aponta boas alternativas.
Ser cristão/ã não é vestir uma armadura que combate as forças negativas da vida, como se fosse um repelente da tragédia. É, sobretudo, posicionar-se firmemente diante das situações contrárias da vida, acreditando na esperança, na fé e no amor. Superando, assim, os desafios da vida.
O terceiro elemento que pode ser mencionado é que o cuidado de Deus é constante. A cada momento Deus trazia novos desafios para José e sua família. Nas mudanças, nos eventos, enfim, tudo era fato de desafio. Não existiu uma 'trégua' quanto as dificuldades. Não existiu, nem sequer em um segundo, a ausência de Deus. Em todo tempo Deus apresentou o Seu cuidado.
Deus cumpriu a sua palavra. É certo afirmar que toda dificuldade traz consigo uma possibilidade de experimentar o amor de Deus de forma profunda e inexplicável. As diversidades não foram maiores do que o cuidado constante de Deus.
A palavra de Deus sempre se cumpre, é o quarto elemento a ser percebido. Gosto de falar sobre a concretude das promessas de Deus, porque noto que a memória do povo de Deus é muito curta no que se refere às verdadeiras promessas feitas Deus. Neste texto, notamos que, pelo menos três vezes, as promessas divinas se fazem reais na vida do povo.
Sejam nos novos desafios, nas dores, na providência, etc., tudo o que Deus disse, com mais ou menos tempo, se cumpri na vida das pessoas. Essa convicção é o que sustenta a fé de todo o Seu povo.
Por fim, como quinto elemento a se mencionar é: todo lugar que Deus nos coloca é onde o melhor lugar para se estar. Deus colocou a família de Jesus em lugares variados. Hora em cidades estruturas, hora em cidades pouco estruturadas, hora diante de grandes desafios, hora em lugares mais calmos. Contudo, todos os lugares que eles estiveram, todos eram para a glória de Deus.
Uma grande dinâmica que precisamos aprender é que se vivemos segundo a vontade de Deus, tudo o que acontece em nossas vidas é para o nosso bem. Deus coloca-nos em lugares que mais precisam de nossa contribuição. E o que for difícil para ser executado, por nossas forças, Deus providenciará o que for necessário.
Deus tem um cuidado surpreendente! Ele visualiza nossos limites e potencialidades, assim, coloca-nos nos lugares em que seremos verdadeiras testemunhas do seu amor e graça.
Finalmente, a dinâmica proposta pelo evangelho vai para além de nossas compreensões. Ele gera disposição em nossos corações para enfrentarmos os obstáculos da vida. Sustenta-nos quando as forças destruidoras se colocam à nossa frente. Afirma que o cuidado divino é constante, independente da situação. Traz a certeza de que Palavra de Deus se cumpre. E, por fim, Todos os lugares que estamos é aonde deveríamos estar. Logo, viver a graça do Evangelho é viver na constante dependência e cuidado de Deus que se revela diariamente às nossas vidas.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Orar dizendo:



Outro dia, como num estalo, notei que as orações que faço junto com à Igreja são bem diferentes das orações que faço sozinho. Percebi um alerta de Deus, orientado-me que servir ao nome de Jesus diante da Igreja é bem mais fácil que servi-lo sozinho. Descobri que o verdadeiro cristianismo envolve a ausência da aprovação elitizada, e do glamour dos aplausos da unanimidade falida.
É diante da encarnação que o cristianismo dá os seus primeiros passos. Para isso acontecer, não é fácil, é necessário estar disposto/a a desfrutar da presença do Espírito Santo, ter fitos sobre si os olhos do Deus Pai criador de todas as ações amorosas e da aprovação singela de Jesus. Assumir isso é, realmente, assumir o verdadeiro cristianismo.
Lembrei-me de uma oração que 'li' logo no meu primeiro ano de seminário. Essa oração evocou sobre mim a necessidade da integralidade e do serviço sincero e pleno diante de Deus. Tento, sempre que possível, orar dizendo:

“Tu sabes, Senhor, como eu te sirvo,”
com enorme fervor emocional,
quando estou debaixo dos holofotes.
Sabes como falo de ti ardentemente
na reunião das senhoras.
Sabes com que entusiasmo
eu promovo uma reunião de confraternização.
Sabes do meu sincero fervor
quando estou no grupo de estudo bíblico.
Mas como será que eu reagiria
se tu me desses uma bacia de água,
e me pedisses para lavar os pés calosos
de uma velhinha enrugada, arqueada,
todos os dias, todos os meses,
num lugar recluso,
onde ninguém visse e ninguém soubesse
que eu estava fazendo aquilo?
Como seria o meu cristianismo?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Adaptabilidade


Lc 1.38 “Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra [...]”

Clarice Lispector tem razão ao afirmar que as pessoas têm grande facilidade em se acostumar com a vida. Acostumam-se com o baixo salário, com a fome, com as desgraças, enfim, definitivamente, o ser humano é um ser 'acostumável'. Existe, porém, uma leve distinção entre acostumar-se com uma situação e/ou adaptar-se à alguma imposição existencial. Entendo que “acostumar-se” é uma postura passiva diante das situações da vida. Adaptar-se, por sua vez, é a ação ativa diante da vida. Isto é, a capacidade proativa de ler, interpretar e reagir diante das imposições da própria existência.
Não é a característica hermenêutica mais evidente do texto, mas o que vale é a disposição da Maria em se adaptar ao que Deus tinha proposto para ela. Maria se coloca como serva e pede para Deus cumprir nela a sua vontade. Quanta disposição! Quanta coragem! Quanta convicção! Maria não se acostumou com a situação, ela se adaptou as novas exigências proporcionados pelo próprio Deus.
Para se adaptar nas novas situações da vida é preciso, em primeiro lugar, estar disposto/a para às possíveis mudanças que surgiram na trajetória. Mudar é correr riscos, andar no escuro. É se deixar brincar de ser feliz! Para adaptar-se é necessário reconhecer, como Maria, sua condição de serva, portanto, de dependência de Deus! Todas as pessoas que se acham auto suficientes, que acham que dão conta das demandas do dia-a-dia, sempre, sem exceção, se espantam com o impacto da frustração. Lembrando Paulo: Quanto estou fraco é aí que estou forte! É diante das limitações que descobrimos as nossas maiores potencialidades!
Adaptar-se, também, é estar convencido que a palavra de Deus é o melhor que pode haver para as nossas vidas. Somos encantados/as pelas propostas passageiras que o mundo oferece. Somos iludidos/as por aquilo que parece ser bom, tem agradável aparência, possui até um discurso sagrado, mas, no fundo no fundo, não passa de uma ilusão sedutora que nada acrescenta além da desgraça.
Para adaptar-se às demandas da vida é preciso abraçar as oportunidades que, ordinariamente, são dadas por Deus! Por vezes deixamos pra depois, ou, na maioria das vezes, pensamos que a vida é longa de mais, e/ou que teremos outras oportunidades como esta. Esquecemos que a vida passa de tal maneira que num instalo, perdemos a vida e tudo o que era importante.
Para terminar, deixo a poesia de Maria Quintana, a fim de pensarmos o jeito que vivemos as oportunidades de adaptabilidade dada por Deus. Por conseguinte, pense se todo o tempo que você tem buscado ganhar, no fim, você, como eu, acaba matando...

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Novo na Mesmice

Mateus 1.18-25
"18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando
Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se
grávida pelo Espírito Santo. 19 Mas José, seu esposo, sendo justo e não a
querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. 20 Enquanto ponderava nestas
coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho
de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do
Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque
ele salvará o seu povo dos pecados deles. 22 Ora, tudo isto aconteceu para que
se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: 23 Eis que a
virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel
(que quer dizer: Deus conosco). 24 Despertado José do sono, fez como lhe
ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. 25 Contudo, não a conheceu,
enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus."


Parece que os/as cristãos/ãs têm dificuldade no processo de releitura de textos conhecidos. Toda vez que textos natalinos aparecem, as pessoas têm as mesmas reações. Talvez porque conheçam o fim da história. Já sabem que Jesus vai nascer, afinal de contas, ele já 'nasce', do mesmo jeito, a dois mil anos, então, cade a novidade desse 'nascimento'? Realmente, por esse ponto de vista, o nascimento de Jesus não tem nenhuma novidade. As mesmas músicas, os mesmos atos litúrgicos, os mesmos texto bíblicos, os mesmos conteúdos homiléticos, etc. Contudo, existe algo que não se consegue reproduzir em outros momentos. Há uma particularidade no natal! Um fenômeno tão especial que não dá para ser reproduzido em outras datas. O texto bíblico a cima pode ajudar a perceber algumas novidades que o clima pré-natalino proporciona.
Você já pensou na situação de José ao saber que sua noiva amada estava grávida? Já pensou na sensação de saber que o 'pai' dessa criança é o Espírito Santo? Hoje, espiritualizamos muito bem essa cena! Até glorificamos a Deus quando lemos este texto. Mas a situação de José era, no mínimo, incomoda e/ou desconfortável. Talvez a raiva tenha apertado o seu coração num primeiro momento, ou a dúvida. Quem sabe o desconforto. Quantos sentimentos devem ter sido aglutinados.
José estava entre fazer o que era certo ou fazer o que era bom. Fazer o certo porque ele tinha o direito de entregar Maria para as autoridades, e, segundo a lei, ela seria apedrejada até a morte, ou fazer o que era bom, isto é, fugir de sua terra e ser considerado um homem corrupto que engravidou a sua noiva, e fugiu para não assumir a criança. Além da má fama que ele ganharia, ele seria 'amaldiçoado' em todas as suas gerações procedentes. O interessante é que José estava disposto a passar por tudo isso ao ver a morte de Maria e da criança.
Ele revela que o que é bom tem que ser linha de conduta para o que é certo. Nem tudo o que é certo é bom! Mas tudo o que é bom, revela um pouco de Deus. O certo é legalista, o bom é sensitivo. O certo é moralista, o bom é libertador. Deus é bom (Sl 73.1), mas Deus não é certo, ou pelo menos a Bíblia não relata, em nenhum versículo, que Deus seja certo. Deus simplesmente é bom! É amor! É agradável! E ensina ao seu povo que mais vale ser bom segundo os padrões bíblicos do que ser certo segundo uma legislação humana vazia e descomprometida com a vida.
José estava disposto a deixar Maria em secreto. Quem sabe as malas já estavam prontas e esperando o momento oportuno para partir sem ser percebido por ninguém. Quiçá, diante desse clima de êxodo, José cai em um cochilo. Definitivamente, Deus intervem em nossas vidas quando percebe as verdadeiras intenções dos nossos corações. Em sonho, aparece um anjo para José explicando tudo o que, de fato, tinha acontecido. As revelações de Deus são surpreendentes! Isso se dá apenas quando existe sinceridade na maneira como vamos prosseguir diante de Deus. Deus intervém em nossas vidas quando percebe a coerência das nossas atitudes com os nossos sentimentos.
Por conseguinte, nota-se que o inesperado sempre supera as expectativas. José descobre que sua noiva carrega no ventre o verdadeiro Filho de Deus. Descobre que José iria criar o divino da maneira mais humana! É surpreendente porque é inesperado. Jesus não segue os padrões de poder se sua época. Ele assume a fragilidade da vida para afirmar ser o Deus conosco. Para ser humano assim, só sendo divino. Quantas vezes somos surpreendidos por nós mesmos diante dos nossos desejos egoístas e mesquinhos. A tentação não é dada por Deus mas é alimentada por nossos próprios desejos. Seguindo um prisma administrativo: um pensamento gera um desejo, o desejo gera uma atitude, uma atitude gera um hábito, um hábito gera um caráter!
Deus, em sua majestade, escolheu ser pequeno e simples. Mas, homens e mulheres, em sua miserabilidade, anseiam as grandezas diabólicas. É nesse paradoxo que se descobre a ação divina. Não existe promessa de Deus que possa ser frustrada. A revelação surpreendente de Deus traz à tona a presença do Deus conosco.
O salmista é sábio quando descreve que ao fazer a vontade de Deus, Ele, Deus, satisfará os desejos do seu coração. É nesse viés que as promessas de Deus se concretizarão em nossas vidas.
Depois deste êxtase, José teve que acordar! Quantas vezes vivemos em êxtases divinos e esquecemos de acordar para a vida. É mais fácil viver no 'mundo das fantasias' do que enfrentar o 'admirável mundo novo' que está a frente! É preciso acordar para a vida. Lembrando o poeta, por vezes perdemos a vida com coisas que são superficiais e deixamos de desfrutar do que realmente é importante, porque estamos presos em um mundo irreal. Um mundo fictício.
José precisou acordar para enfrentar a vida, e, de igual modo, precisamos acordar para as coisas que Deus tem colocado logo adiante! Quanto mais cedo acordar, mais fácil será desfrutar do que é bom, perfeito e agradável! O mundo 'cor de rosa' não passa de uma ilusão condicional!
Ao acordar para vida, José é desafiado pelo Anjo à não 'conhecer' Maria até o filho nascer e passar o período de resguardo. Realmente nossa 'amigo' José teve que pagar um alto preço. Isso aponta que abrir mão de algumas coisas é fundamental para, no futuro, viver fatos melhores e maiores. As vezes é melhor perder uma batalha a fim de conquistar uma guerra.
Somente o tempo pode ajudar nesse processo. Existem “Nãos” que abrirão caminhos para “Sins”. Na perspectiva do Reino de Deus, perder é o primeiro passo para ganhar. Isso não acontece na dimensão de troca “perco algo para ganhar algo”, pelo contrário, não se ganha nada! Mas as pessoas que, realmente, conseguem interpretar o ato de perder, descobre que o ganhar é o perder.
O clima natalino é único porque proporciona à todas as pessoas a possibilidade de reviver momentos únicos e especiais! O natal é novidade porque traz a novidade de vida gerada por e em Jesus. É único porque aponta que, diante das maiores tensões e crises, é possível encontrar alternativas para a vida e seus desafios.
Que as vésperas do natal possamos reviver a novidade de vida que Deus nos possibilita. O Deus conosco não nos abandona e não dos deixa. Ele nos ajuda a ressignificar nossas vidas. Qual é a novidade que precisamos viver neste período natalino?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Interfaces da Vocação


Efésios “4:1 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados [...]”

Muitas pessoas me perguntam: Você é tão novo e é pastor? A segunda decepção dessas pessoas surge quando elas descobrem que eu não sou 'ex' nada. Ex ladrão, ex usuário de drogas, ex isso ou ex aquilo... Diante dessas perguntas passei a questionar a minha vocação. Será que sou vocacionado para ser um pastor de ovelhas?
Essa pergunta me levou a 20 anos atrás, quando minha mãe era faxineira da família que me levou à Igreja. A dona da casa estava sentada no sofá, minha mãe passando roupa, eu estava sentado quase que aos pés da minha mãe, e, lá fora, uma garoa (característica da terra da garoa). Não lembro ao certo o assunto, acho que era o que eu queria ser quando crescer. Segundo as testemunhas presentes, eu disse em alto e bom tom “Eu vou ser pastoi”. Elas acharam fofinho o que eu disse, mas só isso.
O tempo foi passando e esse desejo apertando em meu coração. Parecia que pulsava em meu peito o grande desejo de anunciar o evangelho, tomar conta de pessoas, chorar e rir, falar e silenciar, enfim, ser pastor. Mas, diante de crises juvenis, questionava a mim mesmo: será que nasci para ser pastor? Já era um músico razoável, e já batia a porta a exigência de pensar em uma profissão. O que fazer? Falei com Deus: Deus fala comigo.
Num culto de sexta-feira na casa da juventude, aos meus 16 anos de idade, a pastora usou o texto de João 21. Nesse texto Jesus fala para Pedro demonstrar o seu amor pastoreando as ovelhas de Jesus. A pastora pediu para substituir o nome de Pedro pelo nosso próprio nome, foi então que eu ouvi. “B” apascente as minhas ovelhas.
Descobri que o primeiro elemento importante para ser pastor é ser chamado por Deus. Logo, ouvir sua vocação! Quando Deus nos chama Ele percebe em nós talentos, potencialidades e limites. Essa vocação só se faz presente quando estamos sensíveis a ouvir a voz de Deus. A vocação acontece quando, mesmo diante das incertezas, temos certeza que é Deus que nos chama.
Só que a vocação (ou chamado) de Deus não se restringe a um momento, por conseguinte Ele me convocou a exercer o meu ministério. Percebi então que é possível ser pastor mesmo sem ser pastor. Aludindo uma frase do Bispo Adriel quando pregou para os/as primeiros/as enviados/as para o Projeto de Revitalização de Igrejas: “Instituição não faz pastor/a, é o Espírito que faz pastor/a!”. Mesmo sendo um juvenil, passei a tentar ser como um pastor metodista. Parecia bobo, mas a convocação de Deus exigiu uma reação da minha parte. Descobri que devemos agir hoje da maneira que queremos ser amanhã. Não é fácil, mas como diria Fernando Pessoa “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, passei a insistir nisso. Errei muito, a frustração era algo constante, contudo, o que me mantinha firme nessa direção era que eu tinha uma vocação, e havia sido convocado por Deus para exercer o meu ministério sem ter um ministério.
Com o tempo cheguei à tão sonhada Faculdade de Teologia. Esse foi o período em que senti a provocação de Deus. Descobri que Deus não nos tenta (isso a Bíblia nos alerta), mas Deus nos provoca. Senti que estava sendo desafiado pelo divino para colocar à prova minha vocação. Parafraseando Wesley “ou eu colocava fogo em minha vocação ou jogava minha vocação no fogo”. No segundo ano de teologia atuava, mesmo sem ser, como pastor em um lindo ponto Missionário. Quantos erros eu cometi! Quantas bobagens eu falei! Quantos equívocos! Mas graças a Deus por ter passado por tudo isso. A provocação de Deus moldou o meu caráter, aperfeiçoou minha intuição e, sobretudo, confirmou o meu chamado.
Nessas etapas a Bíblia sempre foi fundamental, isso porque ela sempre traz à tona a dimensão da vocação. O autor de Efésios tem em mente ensinar a comunidade a trilhar (andar) de modo digno, honrado, com caráter, e, acima de tudo, honrando a vocação que foi dada por Deus por intermédio de um chamado.
Neste contexto provocativo, aprendi o valor a invocação. O Salmo 56.9 afirma que ao invocar o nome do Senhor, todos os inimigos baterão em retirada. Descobri que nada no ministério pastoral acontece por minhas forças, mas no nome de Jesus. Se participo de um milagre, foi a mão de Deus, se participo de uma cura, foi Jesus. Se presencio a reconciliação, é o amor de Jesus,e, enfim, na dimensão da invocação, aprendo a depender mais de Deus e reconhecer a minha real impotência.
Muitas pessoas se sentem chamadas por Deus, porém, junto com essa vocação surge a dúvida. Será? Sou eu mesmo/a que Ele está chamando? Tenho aprendido que, diante do chamado de Jesus, a vocação fica latente em sua vida. Não é porque todas as portas (profissionais) estão fechadas que Deus está te chamando para o ministério. Pelo contrário, muitas portas estão abertas, mas você só consegue enxergar a sua vocação, o seu chamado. Trabalhos, projeções acadêmicas não se comparam com o que você visualiza fazendo a obra do Reino de Deus.
Toda vocação é despertada diante da convocação. Deus nunca fará o que você tem que fazer. A convocação de Deus é isso, Ele nos chama para fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance, e tudo o que não pudermos fazer, isso sim, Deus fará.
A provocação de Deus coloca em prova ou desafia a nossa vocação. É neste momento que aprendemos que o valor de causa não se restringe ao que se ganhará com ela, mas o que está disposto a pagar, consequentemente perder, por esta causa. Quer saber se é vocacionado/a? Pense se está disposto/a a 'negar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo'.
Invocar o cuidado e amor de Jesus precisa ser uma prática constante em nossas vidas. Só no nome d'Ele que se consegue descobrir potencialidades nos limites. Somente a graça d'Ele nos basta, pois o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza, haja vista que, quando estamos fracos é aí que estamos fortea. Clamar/invocar o nome de Jesus é uma práxis cotidiana e fundamental.
Portanto a vocação é testificada pela convocação, que é estimulada pela provocação e mantida pela invocação. Hoje, o que se torna imprescindível é o ato da evocação, isto é, trazer a memória o que Deus já fez, tendo em mente que Ele não é homem para mentir nem filho do homem para que se arrependa. Seguindo o prisma de Lutero “Deixe Deus ser Deus” ou o conselho bíblico: “Quero trazer a memória aquilo que pode me dar esperança”.
Andar de modo digno da vocação é valorizar o dom que Deus nos deu. Antes de afirmar sou um/a vocacionado/a, questione: será que sou um/a vocacionado/a?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O fracassado que venceu

Quando era criança gostava de ouvir as histórias sobre Jesus. Os milagres que aconteciam por meio do seu poder divino me fascinava. Mas eu não gostava quando a história relatava sua crucificação. Não entendia como Deus, tão poderoso, poderia morrer de uma forma deplorável, triste e sofrida! Porque o final de Jesus não poderia ser igual à história do “Hércules”? Um semi Deus que fazia prodígios com os punhos. Ou semelhante ao Perseu? Outro semi deus que, sendo filho de Zeus, conseguiu vencer até mesmo o deus da morte!
Jesus, contrariando tudo, era o próprio Deus, e, em sua divindade, experimentou o pior do que a morte poderia oferecer. Talvez isso seja vertente evidente do cristianismo! Jesus, um estranho que, sendo homem, mostrou o que é ser divino. Isso é, exatamente, o cristianismo!
Normalmente os líderes são aquelas pessoas poderosas e fortes, que lutam grandes batalhas e conquistam grandes vitórias. Mesmo passando por momentos de tremenda tensão, conseguem superar e reinar sobre o seu povo. Todos os deuses ou semi-deuses gregos retratam isso. Jesus, por sua vez, é, simplesmente, a antítese disso tudo.
Homem operário, logo, pobre. Com poucos seguidores, três amigos e um 'amigão'. No fim do seu ministério termina, além de crucificado, com apenas 3 seguidoras mulheres. Isso não é estranho? Se utilizarmos da sinceridade como prumo para este raciocínio, afirmaremos, sem constrangimentos, que Jesus foi um perdedor! Seu fim não se compara ao de Hércules, Perseu, Zeus ou qualquer outra lenda. Aonde, então, está a mensagem de vitória anunciada por muitas pessoas?
Graças a Deus que Jesus, para os padrões atuais, foi um perdedor! Deste modo, Jesus mostrou que ele transcende toda lenda, ou histórias fictícias. Jesus é real porque passou na pele o que, grande parte das pessoas, vivem no seu cotidiano.
Jesus transcende todo imaginário de histórias com finais felizes, nas quais os 'heróis' passam por mazelas, porém sempre vencem. Jesus perdeu, mas, mesmo perdendo, venceu até o invencível!
A mensagem de vitória que Deus quer ensinar para o seu povo não se relaciona com os esteriótipos contemporâneos. Estes afirmam que o dinheiro é sinal de prosperidade, a saúde é o estigma do livramento de maldição, ausência de problemas é a confirmação da bênção.
Na maioria da vezes, a religião consegue dar boas desculpas para o descompromisso pessoal e social diante das situações. Já disse Peterson “ser religioso não se traduz invariavelmente em ser bom ou fidedigno. A religião é uma das melhores coberturas para o pecado, melhor do que a de qualquer outro tipo.” (PETERSON: 2007, p. 261).
Jesus quer liberta nossas vidas, e, de modo especial, a Igreja, de toda espiritualidade demoníaca. Isto é, quer libertar as pessoas de um tradicionalismo que não olha para frente, nega o presente e se esquece do passado. Quer apontar que um relacionamento sincero com Deus está para além dos meios exuberantes midiáticos, e que tem como pilastra central os relacionamentos baseados na conveniência. Jesus é vencedor por que liberta!
A espiritualidade desenvolvida por Jesus “é uma jornada interior rumo às profundezas da nossa alma. A espiritualidade dispensa doutrinas, campanhas para construções, cultos formais e teólogos.” (PETERSON: 2007, p. 261).
A partir do momento em que as pessoas mergulham, profundamente, em si mesmas, descobrem a necessidade de estender a mão para as diversas pessoas que as rodeiam. Lembram-se que o cristianismo não pode acontecer sozinho, pois Deus só está onde dois ou três estão reunidos.
A vitória que Jesus aponta é que a esperança é algo possível para aquelas pessoas que esperam nele. A vitória de Jesus consiste na derrota das trevas pessoais, em que pessoas, nas mais diversas realidades, vivem deprimidas e solitárias. A mensagem de vitória que Jesus nos traz está pautada na força do amor, e na beleza da reconciliação de Deus com o ser humano!
Jesus, para muitos, pode ter sido interpretado como um perdedor frustrado que não possou de um profeta apocalíptico. Todavia, para nós que experimentamos do seu amor, vivemos da sua graça e nos alegramos em sua companhia, temos a convicção que a a maior mensagem de vitória que o povo cristão pode ter é a certeza da constância e do amor de Deus, revelado em Jesus e demonstrado dia a dia às pessoas. Pensemos: O que é mensagem de vitória para mim?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cuidado para não deixar de Cuidar!



Numa perigosa costa, onde naufrágios são frequentes, havia, certa vez, um tosco, pequeno posto de salvamento. O prédio não passava de uma cabana, e havia um só barco salva-vidas. Mesmo assim, os membros, poucos e dedicados, mantinham uma vigilância constante sobre o mar e, sem pensar em si mesmos, saíam dia e noite, procurando incansavelmente pelos perdidos. Muitas vidas foram salvas por esse maravilhoso pequeno posto, de modo que acabou ficando famoso. Algumas das pessoas que haviam sido salvas, além de várias outras residentes nos arredores,queriam associar-se ao posto e contribuir com seu tempo, dinheiro e esforço para manter o trabalho de salvamento. Novos barcos foram comprados e novas tripulações trinadas. O pequeno posto de salvamento cresceu.
Alguns membros do posto de salvamento estavam descontentes com o fato de o prédio ser tão tosco e tão parcamente equipado. Achavam que um lugar mas confortável deveria servir de primeiro refúgio aos náufragos salvos. Assim, substituíram as macas de emergência por camas e puseram uma mobilia melhor no prédio, que foi aumentando. Agora, o posto de salvamento tornou-se um popular lugar de reunião para seus membros. Deram-lhe uma bela decoração e o mobiliaram com requente, pois o usavam como uma espécie de clube. Agora, era menor o número de membros ainda interessados em sair ao mar em missões de salvamento. Assim, tripulações de barcos salva-vidas contratadas para fazer esse trabalho. O motivo predominante na decoração do clube ainda era o salvamento de vidas, e havia um barco salva-vidas litúrgico na sala em que eram celebradas as cerimônias de admissão ao clube. Por essa época, um grande navio naufragou ao largo da costa, e as tripulações contratadas trouxeram barcadas de pessoas com frio, molhadas e semi-afogadas. Elas estavam sujas e doentes, e algumas delas eram de pele preta ou amarela. O belo e novo clube estava em caos. Por isso, o comitê responsável pela propriedade imediatamente mandou construir um banheiro do lado de fora do clube, onde as vítimas de naufrágios pudessem se limpar antes de entrar.
Na reunião seguinte, houve uma cisão entre os membros do clube. A maioria dos membros queria suspender as atividades de salvamento por serem desagradáveis e atrapalharem a vida social normal do clube. Alguns membros insistiram em que o salvamento de vidas era seu propósito primário e chamaram a atenção para o fato de que eles ainda eram chamados “posto de salvamento”. Mas, por fim, estes membros foram derrotados na votação. Foi-lhes dito que, se queriam salvas as vidas de todos os vários tipos de pessoas que naufragassem naquelas águas, ele poderiam iniciar seu próprio posto de salvamento mais abaixo naquela mesma costa. E foi o que fizeram.
Com o passar dos anos, o novo posto de salvamento passou pelas mesmas transformações ocorridas no antigo. Acabou tornando-se um clube, e mais um posto de salvamento foi fundado. A história continuou a repetir-se, de modo que, quando se visita aquela costa hoje em dia, encontram-se vários clubes exclusivos ao longa da praia. Naufrágios são frequentes naquelas águas, mas a maioria das pessoas morrem afogadas!1

Esse texto me faz pensar sobre a forma como desempenho meu ministério. Coloca em xeque as posturas que, tanto a igreja como membros, têm diante da vocação que o Senhor Jesus concedeu a cada pessoa. Todos/as, desde instituições religiosas aos indivíduos, todos existem para servir a Jesus, contudo, isso só acontece quando temos a capacidade em estender as mãos para as pessoas que nos cercam. Caminhar rumo essas pessoas que vivem sem esperança. Olhar, com olhos amorosos, para tantas pessoas desamadas. Abraçar, com os braços de Deus, todos/as que se sentem sozinhos/as.
Concluindo, lembro-me da frase “só serve para viver, quem vive para servir”. Portanto, no frigir dos ovos, o único sentido da vida é descobrir a beleza do cuidado mútuo. Quem cuida, realmente, ama.

1 - Originalmente, essa parábola apareceu num artigo de Theodore. WEDEL, “Evangelism – Mission of the church to those Outside her life”, The Ecumenical review, out. 1953, p. 24. Citamos uma paráfrase do original, feita por Richard WHEATCROFT e publicada em Letter to laymen, maio-jun. 1962, p.1.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mudar: Obrigação ou Necessidade?



Os 7.1 Quando me disponho a mudar a sorte do meu povo e a sarar a Israel, se descobre a iniqüidade de Efraim, como também a maldade de Samaria, porque praticam a falsidade; por dentro há ladrões, e por fora rouba a horda de salteadores.








Será que 'mudar' é uma obrigação que todas as pessoas precisam passar? Ou será que 'mudar' é uma necessidade pessoal de cada indivíduo em resposta as exigências da vida? Uma coisa é certa, 'mudar' é um 'acessória de fábrica' de todo ser humano!
O termo mudança significa alterar alguma coisa, modificar determinado objeto, transformar certo lugar, descolar-se de um lugar para outro, mover-se da esquerda para a direita, transferir-se de cidade. De fato a mudança é algo inevitável na vida e constante. Quando se está no ventre mãe, a mudança é sair de um lugar confortável para o desconforto das mãos frias do médico. Por conseguinte, ter que respirar (que não é nada fácil). Depois os primeiros anos, após sair das fraldas, aprender a andar, falar, correr, brincar, ir à escola, fazer amizades, se apaixonar, etc... a mudança é inevitável.
Diante desse fato irreversível da vida, cabe a pergunta: mudar é obrigação ou necessidade?
O profeta Oséias fala exatamente sobre o agir de Deus que, por essência, causa mudança. É vontade e sonho de Deus mudar a situação existencial do ser humano. Mas, nesse processo de 'mudar', Deus percebe e confronta à situação das pessoas. O povo de Efraim vivia em iniquidade, isto é, um povo injusto e perverso. Já Samaria tinha como característica a maldade, portanto, eram pessoas más, cruéis, ofendia com atrocidade.
Se formos realmente honestos com a gente mesmo, encontraremos muitos pontos de tangência com essas duas cidades. Muitos daqueles/as que se dizem cristãos/ãs vivem uma vida de falsidade, que roubam a verdadeira essência do cristianismo de pessoas que, teoricamente, são muito piores, mas que são sabotados por aqueles/as que vivem segundo os próprios preceitos, mas dizem que estão em nome de Deus.
As pessoas diante de mudanças apresentam realmente quem são. Freud já dizia que a reação ou o 'ato falho' é a única atitude espontânea das pessoas. Então, quando estamos diante de uma mudança agimos com o nosso verdadeiro eu. E, talvez, por causa disso, Deus revela em nós tantos aspectos negativos e que precisam ser mudados.
Portanto, a mudança é, em primeira instância, uma obrigação. Essa obrigação é impositiva mas, ao mesmo tempo, é favorável porque atua em benefício da pessoa. A vida se impõe e exige das pessoas novas ações, deste modo, é obrigatório mudar, a fim de receber as situações da vida de um modo diferente e, ao mesmo tempo, realista. As pessoas não podem enfrentar as situações da mesma maneira que enfrentava em momentos passados, é necessário a ousadia de deixar-se mudar de modo que as situações sejam ponderadas com mais coerência e prudência.
O grande problema é que grande parte das pessoas têm dificuldades em mudar. Não se deixam tocar pelo abraço transformador. Só pessoas que estão aptas à mudanças são consistentes em suas posturas diante da vida.
Por outro lado, a mudança transita pelo viés da necessidade. Como adolescente não se pode enfrentar as situações como criança nem como adulto. Como adulto, não é correto enfrentar os desafios com a negligência juvenil ou a imaturidade infantil. É necessário 'mudar' porque além de seguir o fluxo natural da vida, as escamas dos olhos caem, porém, esse processo não é para avaliar as outras pessoas, sobretudo para se auto analisar e auto observar. A resistência das pessoas em mudança é porque descobrem que não são o que pensam que são.
A Bíblia revela que quando as pessoas se deixam tocar pela mudança de Deus, mesmo se deparando com os seus maiores defeitos, desfrutam do melhor do próprio Deus. Mudar não é fácil. Pelo contrário, é um grande desafio. Contudo, quando as pessoas se permitem mudar conseguem experimentar a encarnação da Palavra de Deus, ao afirmar que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito. Deixe a mudança de tocar e transforme sua realidade. Mudar é obrigação mas é necessidade... Experimente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Esperar Seguindo, Seguir esperando...



Espera no Senhor e segue seu caminho [...]. Sl. 137.34

É interessante como a pressão mexe com o ser humano. Não foi diferente comigo. Diante de uma situação bastante peculiar, Deus falou comigo: “Espera no Senhor e segue seu caminho”. Quando li isso, veio em minha mente: “será que Deus não vê a minha situação?”. Tenho o grande defeito de dar aos problemas proporções que, definitivamente, eles não têm. Ao dar grandes proporções para um problema, as pessoas perdem a dimensão do cuidado e amor de Deus. Foi aí que aprendi muitas lições importantes.
Os Salmos têm uma grande beleza por causa da sua relação com o cotidiano das pessoas. As pessoas cantavam Salmos diante das alegrias e tristezas, seguranças e inseguranças, certezas e incertezas, enfim, o povo utilizava-se dos Salmos para expressar sua situação para Deus.
Esperar em Deus sempre foi um desafio e, para expressar isso, era bastante complicado. O povo, por diversas vezes, era desafiado a expressar sua confiança em Deus diante dos maiores obstáculos. Isso aponta que confiar em Deus é uma atitude de fé. Acreditar naquilo que não se vê e naquilo que se espera. Nós não sabemos como será o futuro. Seja o futuro longínquo ou 'de agora'. A única coisa que podemos esperar é que Deus nunca irá nos abandonar.
Normalmente, as pessoas buscam confiar em Deus quando as situações extrapolam de seu controle. Talvez, perder o controle das coisas seja a melhor 'coisa' que possa acontecer! Quando isso acontece as chances de correr para os cuidados de Deus é muito maior e melhor.
Confiar em Deus não é perder a ansiedade, mas é saber em quem lançar a ansiedade. Certa vez um amigo me liga as 00h45. Fiquei meio apreensivo com a ligação, pois pensava que algo ruim teria acontecido. Mas não era nada daquilo. Meu amigo disse: '“B”, não tem mais ônibus para eu voltar em casa e eu to aqui na casa da 'Fulaninha', você pode vir me buscar?' Eu disse que sim. Depois de 20 minutos, lá estava em frente à casa da 'Fulaninha'. Quando ele me viu, disse: '”B” eu sabia que você viria e não me deixaria na mão'.
É uma história 'boba', porém pode nos ensinar que confiar em Deus é ter a convicção de que, independente do horário, Ele estará com o seu povo.
Entretanto, não vale apenas 'confiar' em Deus. É preciso seguir o seu caminho. Grande desafio esse! Seguir o seu próprio caminho está relacionado com tomar decisões. Haja vista que não é possível ir para um lugar sem saber que esse lugar não exista. Portanto, é precisa saber aonde se quer chegar para seguir o seu próprio caminho.
Tanto a palavra 'seguir' como 'caminho' são termos muito importantes para o cristianismo. O povo de Deus é chamado para o 'seguimento' de Jesus. Grande parte das 'revelações' de Jesus aconteceram no caminho ou à caminho. Logo, é fundamental saber para onde ir.
Deste modo, não se pode esquecer que toda ação gera uma reação e toda reação uma consequência. Logo, as escolha de hoje, sejam elas positivas ou não, pedirão contas posteriormente. Além do que isso ensina que Deus não faz nada que é função possível de ser feita. A ação de Deus acontece naquilo que não pode ser feito, mensurado ou almejado.
Seguir o caminho é um grande desafio, mas para experimentar do cuidado de Deus é preciso caminhar. Às vezes é caminhar no escuro, no nebuloso, no silêncio, mas nunca na solidão, porque aqueles que esperam no Senhor renovam suas forças, criam penas como águias, correm sem se afadigar e caminham sem se cansar.
Confiar em Deus não é fácil, todavia, é a melhor escolha que podemos fazer. Seguir o seu caminho é desafiador, mas é nesse processo que se desfruta no amor revelador de Deus. Nos momentos de inseguranças, medos, novidades, incertezas e etc., ore a Deus pedindo que ele te ajude a desenvolver a confiança e que Ele continue a te motivar a seguir, sem parar, sem vacilar.