terça-feira, 16 de junho de 2009

Peculiaridades do Pentecoste

As peculiaridades do Pentecoste
Texto: Atos 2.1-8
“1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;
2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.
3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.
4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.
5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.
6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?
8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?”
Como o cristianismo tem sofrido com estes tempos modernos. Tempos que apagam toda a intensidade de sentimentos preciosos, sendo estes colocados de lado, para se afirmar uma lógica da conveniência. Temos em nossos dias tempos de amor líquido, respeito líquido, igualdade líquida, compromisso líquido, família líquida, e tantas mais. Tudo foi “liquidado”.
O contexto de Atos tem como marca o cisma entre Jesus e os seus discípulos, pois o mestre havia subido aos céus, após ser assassinado, pontuando assim o início das perseguições. Tempo de crise que gerou dúvidas e incertezas. O texto relata que “todos estavam reunidos no mesmo lugar”. Não diz se estavam orando em alta voz ou em jejum pleno, se estavam louvando a Deus ou se quebrantando, contudo, eles simplesmente estavam juntos. Todos estavam reunidos após o término de uma festa tradicional judaica “O Pentecoste”. E tanto judeus como não judeus estavam juntos, rompendo com alguns costumes e modelos tradicionais judaicos.
Percebe-se que a ação do Espírito Deus acontece “de repente”, em tempos contrários, em meio ao rompimento cultural, mas que acontece quando o povo se propõe a estar junto. Vejamos as peculiaridades do Pentecoste para as nossas Igrejas.
Em primeiro lugar, percebe-se que:
O Pentecoste é igualitário
O texto afirma que foram distribuídas entre todos línguas de fogo e que pousou uma sobre cada um deles. Apontando que a ação de Deus coloca todos e em um mesmo patamar. Observando nossa sociedade que prega o individualismo, a exclusão do diferente, a independência do outro, a ausência do respeito e a intolerância desenfreada, a manifestação do Espírito de Deus, quebra alguns paradigmas e propõe uma nova dimensão da fé.
As igrejas têm como desafio viver a igualdade entre entre as pessoas, sendo que, todos são importantes no corpo eclesiástico. A ação pneumatológica age com a finalidade de romper com todo tipo de pré-conceito e gerar igualdade entre o corpo de Cristo.
Com isso, podemos perceber em segundo lugar que:
O Pentecoste é sensível.
A afirmação do texto é que todos ficaram cheios do Espírito Santo, contudo, falavam segundo o que era concedido pelo Espírito. Quando se afirma que a ação deste Espírito é sensível, é porque ele leva em consideração a limitação e potencialidade humana. É aquele que se esvazia para se fazer entender, respeitando a capacidade de cada pessoa. Contrariando um pouco a intolerância existente em nossos dias. Em que se afirma que o quanto mais se tem, mais precisa ter.
Novamente um desafio é proposto: As igrejas precisam desfrutar do que é concedido pelo Espírito e fazer sua parte. Contentar-se com o suficiente e não assumir pra si desejos e vontades que mercantilizam esta ação divina.
Está afirmação nos leva para a terceira consideração:
O Pentecoste é materno.
Encontramos no texto que todos falavam e todos se entendiam em sua língua materna. Talvez o que ilustre melhor a ação do Espírito seja a mãe. Quando pensamos na dimensão materna do Espírito, descobrimos a beleza de sua ação. Pois só sendo mãe para amar de uma forma tão profunda, só quem conhece em profundidade para ser uma pedagoga exemplar. Está perspectiva amorosa, inclusiva, cuidadora e pedagoga do Espírito é a melhor expressão para entendimento de todos.
O Pentecoste nos desafia a encontrar aspectos maternos em nossas comunidades. Não existe ação do Espírito se não houver o amor, cuidado, respeito, ensino e sobretudo entendimento. O Espírito materno gera entendimento nas comunidades.
Conclusão
Por fim, concluímos que dentro da perspectiva do Dia do pentecostes, somos desafiados como igreja a: uma busca por igualdade comunitária, desenvolver nossa sensibilidade segundo nossas reais necessidades e por fim, uma maternidade, que além de amar e cuidar, seja capaz de ser inteligível a todos da comunidade.

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