Introdução
O tema que foi proposto pela liderança foi “reconstruindo a compaixão”, contudo, observando esse tema, percebi a necessidade da reconstrução de outro tema que é fundamental em nossos dias, logo, proponho reconstruir o amor. Pois sem o amor não existe compaixão ou gesto de compaixão.
Conhecemos quase que “de cor” a oração sacerdotal de Jesus no Evangelho de João no capítulo 17. Nesta oração, Jesus pede a Deus para que ele não tire os seus discípulos do mundo, mas que os preserve do mal. Jesus sabia que a vida dos seus discípulos seria no mundo. Pois não existe vida sem o mundo. Contudo, vivemos tempos complicados, em que duas extremidades nos tragam. Se de um lado temos as pessoas que esperam ser a “luz do céu” ou “sal do céu”, por outro, temos pessoas que tomam plenamente a forma do mundo. É difícil conviver com a ambivalência.
Nos Evangelhos encontramos que os cristãos e cristãs são chamados para ser luz da mundo, pois seu ministério, sua função profética tem que ser no mundo, onde existe perdidos e trevas. Um dia me contaram que a Dona “Luz” ficou curiosa em conhecer o senhor “Trevas”. Ela perguntou para a Senhora “Sabedoria” onde poderia encontrar o senhor “Trevas”, pois muitos falavam sobre dele. A Senhora “Sabedoria” indicou o caminho para a D. “Luz”, uma caverna bem distante e bem escura. Depois de algumas horas, a D. “Luz” volta, cabisbaixa, e a senhora “Sabedoria” pergunta o porque de tamanha tristeza, e ela responde: “Fui em um péssimo dia, ele não estava lá!”.
Hoje com nossa condição de pessoas “semi” adultas, racionais e intelectuais, sabemos que a luz dissipou com as trevas. E um grande desafio aparece com esta “historinha”: O quanto em nossas vidas as pessoas que nos rodeiam podem ver a luz? O quanto eliminamos todas as trevas que nos cerca? Talvez o que esteja brilhando em nossas vidas e muito provavelmente em nossas igrejas é a “luz” do mundo. Será que essa é a vontade de Deus?
Quando se refere em ser sal da terra, dá o sentido de trazer e dar gosto, sendo o tempero, o diferencial, que por vezes não é visto, mas sentido. Ser sal da terra não é a mesma coisa do que ser salsa da terra. Um bom exemplo é o nosso cardápio. Não conheço nenhum “prato” que dependa da salsa para ser um bom prato. Podemos colocar salsa no feijão, no kibe, no arroz. O máximo que irá acontecer é que veremos a salsa, mas nunca sentiremos o seu gosto. Mas, não conheço “prato” salgado que não precise fundamentalmente de sal. Não podemos ver o sal, mas podemos senti-lo. Vemos a salsa, ela deixa o alimento até que mais bonito, mas ela não faz diferença nenhuma. Somos desafiados a tomar uma escolha, ser sal da terra! Ou continuar a ser salsa da terra. Nossa vida com Deus tem proporcionado o quê de diferente em nossas famílias? Em nossas escolas? Nos nossos trabalhos? Com os nossos amigos?
Nossos dias são marcados também por pregações que ressaltam a vida do além. Que nossa morada não é aqui e sim lá no céu. Que aqui na Terra as coisas são passageiras, e lá no céu, depois que morrermos, desfrutaremos das maiores e melhores bênçãos. Todas as tribulações, dificuldades, perdas e misérias serão “reembolsadas” no “Lar celestial”. Com isso, deixa-se de lado a importância de viver aqui e o agora. Uma frase que deveria ser um dos “slogans” de nossas comunidades de fé seria: “Acredito na vida antes da morte”. De desfrutar da vida em sua plenitude e integralidade. Todavia, parece bem contraditório desfrutar da vida e ser “crente”. Parece que quem inventou o cristianismo esqueceu que era bom se divertir e ser divertido. Será que não tem como “curtir” a vida e ser um bom cristão e boa cristã?
Encontramos a vertente das pessoas que, são consideradas por alguns como os modernos fariseus. De que sabem tudo o que se deve fazer, mas não pratica nada. Pessoas que assumiram posturas, verdades, costumes que nada se relaciona com a verdade bíblica. Ao invés da Igreja estar no mundo, é o mundo que está na igreja. Determinando o que se deve vestir, o que se deve fazer, qual é a conduta dos namorados, dos esposos e esposas, qual é a classificação e grau de importância da vida familiar, o tempo em que deve iniciar uma vida sexual.
Dentro desta perspectiva, a Igreja perdeu seu Querigma pedagógico e didático, para a lógica da conveniência. Sendo que as pessoas assumem posturas segundo o que é melhor para ela, segundo a sua vontade, segundo o seu padrão de beleza e utilidade. A Igreja “não serve” mais para mostrar qual é a sexualidade sadia que deve ser desenvolvida. A Igreja se cala frente aos desafios pastorais da vida (pós) moderna. Mas o silêncio da Igreja dá lugar para a voz do “mundo”. Este por sua vez, determina o que é bom, o que é diversão, coloca a Igreja sobre a parede e afirma firmemente que ela não sabe o que é sorrir, o que é alegria, o que é curtir.
Em certa medida, não se pode negar que o “mundo” está correto em colocar a Igreja sobre a parede. Pois para muitos, se não para todos, Igreja é lugar de seriedade, poucos ou nenhum riso, não se sente prazer na igreja, não se dança, brinca, curte ou se diverte dentro da Igreja. Pois é o local onde Deus mora. Imagino se meu pai ou mãe biológica morassem em um lugar que era proibido sorrir, brincar, se divertir, sentir prazer, acho que iria vê-los poucas vezes. Mas, entendo que a casa de Deus, tem que ser um lugar alegre, divertido, sorridente, aprazível de se estar, um lugar que seja resplandecido pela luz do Amor e tenha o tempero do Amor.
Com tudo isso que foi dito, entendo que: Igreja é um lugar bom e gostoso de se estar! Mas e se não for assim? Temos um grande problema. Se Deus é amor, se Deus é alegria, se Deus é paz, se Deus é compaixão, se Deus é tudo de bom e em sua casa não desfrutamos e nem sentimos nada disso, temos que repensar uma coisa: Será que Deus verdadeiramente mora aqui? Ou será que este a casa de infelizes que “fazem de conta” que Deus mora ali?
Talvez muitos cheguem a conclusões que nossas Igrejas tem mais aspectos tristes do que alegres, porém, quero desafiar a todos com uma tese que tenho defendido a um bom tempo que é a seguinte: “não pode ser um bom cristão ou uma boa cristã se não sabe 'curtir', desfrutar a vida em sua plenitude!”. Está frase contraria paradigmas mundanos como também de muitos que não tiveram uma experiência de sentir o coração estranhamente aquecido. É a partir de tudo isso que:
“... Passo a mostrar-vos um caminho sobremodo excelente...”
Possíveis definições para o amor.
Quando buscamos do “google” encontramos algumas coisas. Vejamos: Esta foi uma pesquisa feita por profissionais de educação e psicologia com um grupo de crianças de 4 a 8 anos, Com a pegunta: O que é o amor1?
"Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado, não grita, porque sabe que isso fere seus sentimentos" - Mathew, 6 anos
"Quando minha avó pegou artrite, ela não podia se debruçar para pintar as unhas dos dedos do pé. Meu avô, desde então, pinta as unha para ela. Mesmo quando ele tem artrite" - Rebecca, 8 anos
"Eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela me dá todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras" - Lauren, 4 anos
"Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, mesmo conhecendo há muito tempo" - Tommy, 6 anos
"Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente" - Billy, 4 anos
"Amor é quando você sai para comer e oferece suas batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela" - Chrissy, 6 anos
"Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes, para ter certeza que está do gosto dele" - Danny, 6 anos
"Amor é o que está com a gente no natal, quando você pára de abrir os presentes e o escuta" - Bobby, 5 anos
"Se você quer aprender a amar melhor, você deve começar com um amigo que você não gosta. - Nikka 6 anos.
"Quando você fala para alguém algo ruim sobre você mesmo e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso, aí você se surpreende, já que não só continuam te amando, como agora te amam mais ainda" - Samantha , 7 anos
"Há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de deus, mas o amor de deus junta os dois" - Jenny, 4 anos
"Amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso e ainda fala que ele é mais bonito que o George Cloney" - Chris, 8 anos
"Durante minha apresentação de piano, eu vi meu pai na platéia me acenando e sorrindo. Era a única pessoa fazendo isso e eu não sentia medo" - Cindy, 8 anos
"Não deveríamos dizer eu te amo a não ser quando realmente o sintamos. e se sentimos, então deveríamos expressá-lo muitas vezes. As pessoas esquecem de dizê-lo" - Jessica, 8 anos
"Amor é se abraçar, amor é se beijar, amor é dizer não" - Patty, 8 anos
Além dessas definições das sábias crianças, encontramos outras definições no que tange ao sexo, a frases batidas, músicas, poemas dos mais variados, imagens das mais distintas. Logo, podemos concluir que amor é uma definição indefinida. Parece que é um tema já “batido” na mente das pessoas, mas com está imensidão de definições, percebemos que o amor precisa
Dinâmicas2
A partir de algumas dinâmicas, aprendamos um pouco o que é o amor em sua práxis. Nesta parte da dinâmica, precisa-se que todo o grupo envolvido se comprometa intensamente, para que se alcance resultados maiores e melhores.
1 - Estátua objeto
Fazer uma estátua de um objeto, móvel de sua casa, escola, escritório, qualquer móvel, e ficar por alguns minutos paralisado, simulando este objeto. QUAL A UTILIDADE DESSE OBJETO e QUAL SERIA O SEU POSICIONAMENTO DIANTE DO MUNDO?
2 - Forma de cumprimentar
Brincar de estátua da maneira que normalmente se cumprimenta alguém, após alguns minutos, fazer uma estátua de uma maneira nova de cumprimentar as pessoas. Depois de alguns minutos correr “desesperadamente” cumprimentando a todos, dessa nova forma. SENTIR-SE A VONTADE COM O MUNDO, IMPULSINONADO.
3 - Trabalho em equipe (1 e 2)
Fazer uma fila única, em que um será o número 1 e o outro o número dois. O desafio é alternar até o fim e começar novamente, pelo menos 3 vezes seguidas. DEPENDÊNCIA MÚTUA.
4 - Caretas
Formar duas filas, em que uma pessoa fique de frente para a outra, desta maneira, durante alguns minutos, uma fará caretas das mais diversas para fazer a outra rir. O papel da outra é ficar bastante sério encarando a pessoa que faz careta. Depois de alguns minutos, trocar as funções. CRIATIVIDADE EM FAZER O OUTRO MAIS FELIZ.
5 - Falar entusiasmado
Sentar em duplas, mas é o fundamental é sentar com uma pessoa que não conhece, e durante alguns minutos, fale entusiasmadamente com está pessoa. Pode falar de qualquer coisa, mas tem que ser entusiasmado. O papel do receptor será buscar o olhar do outro, sem falar nada, ficar mudo. Depois de alguns minutos trocar as funções. CONTAGIAR O OUTRO A ENCHÊ-LO DE DEUS.
6 - Lápis e papel
A pergunta que será feita é a seguinte: “O que você faria com este lápis e este papel?” DO NADA CRIAR ALGUMA COISA.
7 - Dança
Durante alguns minutos, as pessoas são impulsionadas para dançar loucamente, desesperadamente, de uma forma que nunca fez em todas as sua vida. SER LIVRE RESPEITANDO A LIBERDADE DO OUTRO.
8 - Motivos de adoração
Todos os participantes tem que dar as mãos, depois fazer um grande caracol, depois de feito isso, todos devem falar alguns motivos que se tem para agradecer, adorar a Deus. Por exemplo, chocolate, mãe, pai, irmão, igreja, namorado, etc. QUAIS são OS MOTIVOS QUE SE PERCEBE DEUS.
O amor pode ser...
Uma definição que construí a partir do tempo foi que amor não é apenas um sentimento, uma vontade, uma escolha, amor é o caminho sobremodo excelente.
A dinâmica do amor
Depois de definirmos o que entendemos por amor que é proposto pela bíblia, vamos relacioná-los com a dinâmica.
A primeira dinâmica tratou de ser uma estátua de um objeto que temos em casa, nos desafiando a pensar em: qual é a nossa utilidade diante do mundo e como nos colocamos diante do mundo. Será que nos calamos de mais? Será que somos ásperos de mais? Pessoas amargas e sem compaixão?
A segunda tratou o quanto nos sentimos a vontade diante do mundo e se estamos dispostos a cumprimentar as situações de uma maneira diferenciada.
Na Terceira encontramos o trabalho em equipe. Sabemos trabalhar em equipe? Será que sabemos ouvir o outro e ser claro para o outro nos ouvir também? Temos facilidade para trabalhar com o outro?
NA quarta dinâmica nós fizemos caretas, e fomos desafiados, que mesmo diante de caras feitas, de situações contrárias e sem graça, ser um instrumento da graça de Deus e levar alegria.
A quinta dinâmica nos desafiou a falar entusiasmadamente de acontecimentos de nossas vidas. Isso nos ensina a fazer da vida um pouco mais alegre e mais divertida, enfrentar os desafios de uma forma entusiasmada.
A sexta ganhamos um lápis e um papel e fomos desafiados a criar alguma coisa. Qual é o tamanho de nossa criatividade diante dos desafios do mundo?
Na sétima dinâmica nós dançamos. A vida sempre impõe seu ritmo e sua dança, e somos obrigados a dançar e enfrentá-lo, como temos feito isso diante de circunstâncias que exigem de nós mais amor, alegria e felicidade?
Por fim na oitava nós agradecemos a Deus, lembramos que temos muitos motivos par agradecer a Deus e que a sua misericordia em nossas vidas é o que nos sustenta e que sua graça sempre manifesta nos faz mais que vencedores sempre. Agradecer a Deus é o principio da adoração. Reconhecer a sua importância em nossas vidas.
Conclusão
Por fim, concluímos que o amor ganhou novas formas e expressões, e que não podemos esquecer que essas formas e expressões estão dentro da Igreja, contudo, somos desafiados a encarar a vida de uma maneira mais amorosa e caridosa! Enfrentar a vida com alegria é o princípio para uma vida plena e saudável e plena.
1Site: http://www.portaldafamilia.org.br/artigos/texto083.shtml
2ADAMS, Pacth. Dinâmica desenvolvida em workshop.
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