Oração do Pai nosso.
Introdução:
O tema oração é algo maravilhoso, porque quando pensamos a respeito de oração, lembramos de grandes feitos que foram realizados na bíblia, grandes milagres que pudemos presenciar, entre tantas outras coisas. O tema oração, realmente é algo intrigante e maravilhoso de se pensar.
E nessa idéia de se pensar e se falar sobre oração, penso que algumas coisas tem que estar realmente claras e esclarecidas em nossas mentes. Uma dessas coisas é: Saber que Deus é o todo poderoso e Ele faz o que Ele quer, quando Ele quer, e se Ele quer. Nós não mandamos em Deus, não determinamos nada. Deus não é um empregado nosso, um mordomo que atende a ordens. Temos que ter claro que Deus é Pai, um Pai querido, que está ao nosso lado, caminhando e mostrando o melhor caminho. As vezes essa cultura capitalista e consumista nos influência tanto que inserimos Deus dentro desta perspectiva e queremos fazer dele nosso mordomo particular. Na realidade quem tem que servir a Deus somos nós, e não Deus nos servir.
Também observei bastante, que por vezes, pessoas pensam que oração são pensamentos positivos a respeito de alguma coisa. Que oração é pensamento bom que devemos ter. Dentro desta dinâmica que pensa que oração é um pensamento bom a respeito de alguma coisa, imagine que você e eu vamos a um restaurante, estamos com muita fome e queremos comer aquele prato que mais gostamos. Quando chamamos o garçom e fazemos nosso pedido ele nos responde: Senhor, porque ao invés de gastar dinheiro por aqui, o senhor não pensa bem positivo sobre o prato que quer comer. Pensa no gosto, na forma que como irá mastigar, pensa bem positivo como esse prato ira saciá-lo e a partir disso, mata a sua fome.
A idéia não é tão ruim. Iríamos economizar muito dinheiro se isso fosse possível. Mas, pensamentos positivos não enchem a barriga de ninguém. Não importa se você come dez ou um prato, se sua fome é muita ou pequena, o que importa realmente é que ninguém vive só de pensamentos positivos. E oração está muito além de ser pensamentos positivos. Oração é a capacidade e o meio de se relacionar com Deus da melhor forma possível.
Uma outra característica é que oração não é algo que tem seus pacotes prontos. Observando essas lojas de Lanches Combinados, pude fazer uma relação entre nossas igrejase este mercado. Vi que nessas Lanchonetes existem vários pacotes de lanches. Você escolhe o número, escolhe o que quer dentro e espera para ser servido. Observando um pouco o nosso mundo religioso, observei que temos algumas coisas bem parecidas. Mc libertações, Mc bênçãos, Mc prosperidades, Mc cura, entre tantos outros fatores que poderíamos abranger. Algo realmente mercadológico, frio. Uma relação de consumo com Deus.
Isso acaba esvaziando todo o relacionamento que Deus quer ter conosco. Um relacionamento puro, belo e sincero. Onde em grande parte do ministério de Jesus, ele abordou a falta de compromisso e o esvaziamento religioso. Onde veremos no texto a seguir.
Mateus 6.5-13.
5. E, quando orares, não sejais como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6. Mas tu, quando orares, entra em teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu pai, que vê o que está oculto, e Teu Pai, que vê o que está em oculto te recompensará.
7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.
8 Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós pedirdes.
9. Portanto vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
10. Venha o Teu reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra quando no céu.
11. O pão nosso de cada dá-nos hoje.
12. Perdoa-nos a nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
13. E não nos induza a tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
Este texto, nessas últimas semanas, tem falado muito ao meu coração. Sempre achei a oração do Pai Nosso muito linda, mas nunca tinha pensado nela com tanta seriedade.
Essa leitura da oração do Pai Nosso, é vista em dois momentos nos Evangelhos: em Mateus e em Lucas. Nos dois casos vemos as mesmas petições, mesmo que Lucas seja uma oração menor, ela contem o mesmo conteúdo que Mateus.
Quando vamos fazer uma análise deste texto, percebemos que ambos foram escritos em momentos distintos para um grupo de pessoas distintas. Em Lucas, Jesus é convidado a ensinar as pessoas a orarem, isso porque, Jesus estava no meio de pessoas que acabará de se converter, sentiram a presença de Deus, tiveram uma experiência com o Espírito Santo, estavam com vontade de anunciar a palavra de salvação, mas não sabiam como orar. Percebo que tanto eles como nós, não sabemos orar como convêm, e por isso precisamos ser ministrados pelo Espírito de Deus, e temos certeza que o agir do Espírito tem a capcidade de nos transformar.
Já no evangelho de Mateus, foi escrito para um povo que já sabia como orar, um povo extremamente religioso, um povo que conhecia a Lei e aos mandamentos, com todo respeito, digo que um povo igual a mim e a você. Um povo que havia se esquecido da essência da oração: Sinceridade, Intimidade, Confiança e Perseverança.
A partir disso, quero mostrar alguns aspectos que Deus ministrou em minha vida. Jesus queria mostrar para o povo que estava ouvindo naquele momento algumas coisas. No começo do capítulo ele fala a respeito da esmola, que deve ser para agradar a Deus não ao próximo, depois disso vemos que Jesus fala a respeito da oração. Antes de chegar na oração, ele cita algumas coisas que estão acontecendo naquele momento. Muitas pessoas se utilizavam da oração para aparecer e receber glória dos homens, ter o reconhecimento humano (v.5). Vemos a primeira coisa que é importante na oração: Ser reconhecido por Deus é o mais importante e o começo de tudo.
Uma outra coisa que podemos perceber é que Jesus aboliu as vãs repetições. Um falatório vazio, sem conteúdo, sem paixão, sem propósito (v.7). Jesus queria mais que qualquer coisa palavras sinceras, onde estivesse envolvido todo o entendimento, toda a ciência, mas também todo amor, todo o coração naquela oração. As vezes penso que Jesus queria muito que cada oração nossa fosse como se fosse a última. Como se não fossemos ter novamente essa oportunidade e fazemos naquele momento a oração mais sincera, de todo o nosso coração.
Sabe uma coisa que observo as vezes? Como queremos impressionar. Não sei se a Deus ou se as pessoas que estão nos olhando. Usamos palavras de crentes: IMPACTO, SURPREENDIDO, ARREBATADO, entre outras palavras. Falamos em demasia a respeito de Espiritualidade, mas será que sabemos o que é Espiritualidade?
Entendo que espiritualidade é aquilo que consegue fazer com que tenhamos uma mudança interna, ter uma boa espiritualidade ou uma espiritualidade de Deus é: ter um antes e depois. O que me impressiona muito é que falamos muito e agimos pouco. A espiritualidade que é ministrada por Deus, não pela religiosidade (que é um sistema de legitimação), nos traz uma mudança radical.
Jesus já havia falado muito a respeito do que estava acontecendo e que era necessário uma mudança! Era Prioritário que isso acontecesse. A primeira coisa que Ele diz em sua oração é:
“Pai nosso que estais nos céus”.
Sabe o que é lindo entender nessa frase? A intimidade que Jesus tinha com Deus. Uma relação de pai e filho, uma relação de conhecimento mútuo. Jesus nesse momento chama Deus de: Papai querido, Papaizinho, meu papai. Ninguém naquela época ousava chamar Deus da forma como Jesus chama. Mas a grande chamada que Jesus nos da é: Nós precisamos ter um relacionamento de pai e filho com Deus! Só a partir deste momento é que nos relacionaremos da melhor forma com Deus.
Acredito que neste momento Jesus nos chama para o que é a nossa essência e para a sinceridade completa. Uma forma de se achegar a Deus da forma mais simples, porém mais amorosa possível. Amar a Deus sobre todas as coisas é fundamental para uma oração eficaz! Ter um relacionamento de pai e filho com Deus é necessário.
Santificado seja o Teu Nome.
Este é um ato de reconhecimento e de dependência de Deus. Não que Deus deixaria de ser alguma coisa se não o reconhecêssemos como Pai, como Deus, como o único Salvador, porém este reconhecimento é necessário para nos colocar em nosso lugar como dependentes e servos de Deus, como aqueles que sabem que “SEM JESUS NÃO DÁ PRA VIVER”.
“Venha o Teu Reino”.
Querer que o Reino de Deus venha é um ato de começar a fazer e reconhecer que o Reino de Deus já está começando. Devemos ter claro que o Reino de Deus não começa por nós e não, necessariamente depende de nós, mas como pessoas que amamos a vontade de Deus, amamos a forma como Ele age e por crer que o Reino d'Ele é necessário para todo ser humano, devemos anunciar que a vida com Ele é a melhor, mesmo em meio a qualquer forma de tribulação, podemos viver o Reino de Deus hoje, podemos anunciar o Reino de Deus hoje e podemos viver a “Plenitude dos Tempos” hoje. E sabendo que Deus tem reservado para nós um lindo local, onde desfrutaremos da presença d'Ele.
Essa afirmação nos chama a viver em santidade e não em pecado, pois o Reino de Deus é um reino de santidade. Quando pedimos que o Reino de Deus venha, estamos nos comprometendo com a Santidade bíblica. Um compromisso que envolve: pensamentos, obras e sentimentos.
“Seja feita a tua vontade, tanto na Terra como nos céus”.
Quando pedimos a vontade de Deus, estamos declarando que cremos, que confiamos, que temos esperança no agir divino e que temos a certeza que a vontade d'Ele é boa perfeita e agradável!
Pedir a vontade de Deus tanto na terra como nos céus, podemos fazer uma leitura um pouco alegórica. Relacionando a Terra como nossas vidas, onde vivemos, onde acontece tudo. Estamos pedindo a vontade de Deus de forma integral em todas as instâncias de nossas vidas. Porque sabemos que Ele tem o melhor para as nós. Os “céus” poderíamos fazer um relacionamento com tudo o que envolve nossa parte espiritual. Estamos pedindo a Deus para fazer de nossa vida Espiritual conforme a vontade e o querer d'Ele. Estamos envolvendo nossos sentimentos, nossas emoções, tudo aquele que não podemos tocar. Pedimos a vontade de Deus.
Esse pedido é muito lindo e nos leva a viver no “MISTÉRIO DE DEUS”. Viver no mistério de Deus é não entender o que esta acontecendo mas ter a certeza de que Deus está no meio disso e que o milagre irá acontecer.
Antes de ir para a outra parte do pai nosso, queria chamar atenção de todos para uma palavrinha que por vezes não prestamos muita atenção, contudo faz toda a diferença. O pronome “Nós”. Queria chamar a atenção para quatro coisas.
Nós como homem + Cristo.
Nós como convite a todos que querem fazer parte do corpo de Cristo.
Nós como um ato solidário as fraquezas e limitações do outro.
Nós como um elo que uni a todos, não importando com qualquer coisa ou situação.
“O pão nosso de cada dia nos daí hoje”.
Quando falamos do pão nosso de cada dia pensamos, sem dúvidas, sobre o alimento que precisamos diariamente. Não é uma forma errada de se pensar, mas quando Jesus se refere ao pão, Ele está se referindo a tudo. Tudo o que temos falta e necessidade, tudo o que precisamos. Jesus se importa com nossa totalidade.
Essa citação está extremamente relacionada com o “Maná” do deserto. Quando Deus supria todas as necessidades do povo suprindo pão, suprindo água, cumprindo com sua palavra sobre todo o povo. Quando Jesus fala tudo é tudo, por exemplo:
1 – pão como essencial.
2 – pão como o que precisamos como o que nos falta;
3 – Pão como necessário para viver;
4 – Pão como rejeição ao excesso.
5 – Pão como sinal de gratidão;
6 – Pão como resistência a coisas do mundo que não são necessárias.
Esse Pão é a manifestação da palavra de Deus em nossas vidas!
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
Quando a bíblia cita dívidas, ela está se referindo a toda e qualquer falta ou o que estamos devendo para Deus e para o nosso próximo. Tudo o que poderíamos ter feito, tudo o que poderíamos fazer e não fizemos por não entender a vontade de Deus em nossas vidas.
“Como nós perdoamos aos nossos devedores” Sem o perdão não é possível viver a praticidade do evangelho. Jesus não queria que as pessoas soubessem todas as doutrinas, todos os métodos se não tivesse uma vida reta e prática diante de Deus. Por isso Ele chama a todos a perdoarem, pois o perdão é uma das maiores formas de demonstrar a presença de Deus, de demonstrar que realmente somos corpo e participantes do reino de Deus.
“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal”.
O que significa Tentação? Entendo que tentação é provocar a virtude de (alguém). E a partir disso, podemos entender tentação como não apenas o mal que nos tira a santidade, mas o Mal que nos leva para o inferno, que nos tira a vida eterna, Salvação.
Vamos pegar três formas da tentação. Temos aquela tentação que é da carne. Tudo o que envolve nossos desejos, nossas cobiças, tudo o que queremos ter ou fazer ou desfrutar, mas que sabemos que não é conforme a vontade de Deus.
A tentação do diabo. Uma tentação que entendo como aquela que mostra as coisas como se fossem boas, como se não tivesse nada a vê. E a partir disso, ele nos prende ao pecado.
E também a tentação do Mundo ou da sociedade, tudo aquilo que nosso meio, que nossa sociedade nos impõe como necessário para a vida. É importante ter claro que tudo o que vai contra a vida, contra a vontade de Deus é pecado, e por isso devemos ter forças para lutar contra essas imposições do Mundo ou da sociedade em que vivemos.
Quando Cristo diz: Mais livrai-nos do mal, não é algo para fugirmos da nossa realidade ou que nunca iria acontecer nada conosco. Pelo contrario, quando Cristo nos coloca isso, Ele está afirmando: Não importa o que acontecer estarei contigo, não importa o tamanho da tempestade, não importa o tamanho da situação, eu estou ao teu lado.
Pedir que Deus nos livre do mal é ter a convicção de que o Deus consolador esta ao nosso lado, o Deus que nos livra das aflições e nos faz superá-las, o Deus que supre tudo o que precisamos e necessitamos, o Deus que é capaz de transformar aquilo que consideramos maldição em benção!
Existe uma parte que chamamos de Doxologia. Essa parte, segundo alguns exegetas, foi acrescentando nas escrituras um tempo depois. Pois quando os crentes terminavam de orar, sabendo que só oravam o “Pai Nosso” aqueles que faziam parte da comunidade e que possuíam bons frutos, terminavam cantando:
“Porque Teu é o Reino, o Poder, e a Glória para todo o Sempre”.
Essa parte talvez seja umas das afirmações mais veementes e cheias de fé, convicção e de entrega total a Cristo. Afirmar a presença e a soberania de Deus é importante!
“Amém.”
Como já sabemos, Amém significa: Assim seja. Isso representa que: A certeza de que Deus ouviu nosso clamor, e de que irá atender! Amém é mais que certeza é a plena convicção do agir de Deus!
Bibliografia.
AQUINO, Santo Tomás. Comentário ao Pai Nosso. 2002, Lótus, SP.
JEREMIAS, J. Pai nosso: Oração do Senhor. 1976, edições Paulinas, SP.
BARTH, Karl. O Pai Nosso: A oração que Jesus ensinou aos discípulos. 2003, Novo Século, SP.
STTOT, John. A mensagem do sermão do monte: contracultura crista.
BOFF, Leonardo. Pai Nosso.
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