O texto de 1Sm 1-13 traz muitos significados para a nossa sociedade. Em primeiro lugar é perceptível que algumas escolhas humanas, mesmo que com respaldo divino (místico) pode não dar certo. Quando Javé fala com Samuel (v.1a) a respeito de parar de prantear por aquele que o próprio Javé havia rejeitado, entendo que nos ensina a “não chorar pelo leite derramado”. Existem coisas que acontecem em nossas vidas e ficamos inertes e pranteando. Não buscamos soluções nem alternativas para solucionar o problema. Esse texto apresenta um Deus que é prático e que não aceita a inércia, conformidade e pranto humano pelo que deu errado, mas sim, um Deus que possibilita a entrada para o novo, para uma nova experiência (v.1b). No mesmo versículo aparece um Deus que é contra a passividade e apresenta a proatividade. Uma maneira de reagir ao problema de uma forma ativa, com responsabilidade e propriedade.
Da mesma forma que o profeta, todo ser humano dá a mesma resposta para Deus: “De que maneira vou?” (v.2a), talvez essa pergunta faça parte da essencia humana. O medo ao novo, a insegunça quanto a vida e a incerteza de que é Deus que está falando. A experiência de fé ensina a todos (as) que Deus faz a obra perfeitamente, do começo ao fim. A sensibilidade das pessoas tem que estar voltada não apenas para a ordença de Deus, mas também para a maneira que Deus irá atuar. Cumprir o chamamento de Deus é aceitar para si o seu roteiro do que se deve fazer (2b-3). Interrogar a Deus é pedir respostas para a fragilidade e limitação humana.
O profeta aceita o chamado de Javé e faz da forma como Ele ordenou (4-5). Possivelmente o profeta estava com muito medo do que poderia acontecer com ele. Quando os anciãos se deparam com ele, mesmo tremendo, e interrogam se ele veio em combate, pois sua imagem já era controvertida dentro do sistema. Ele mantem sua postura e afirma que sim, não procura agir segundo os seus extintos, mas sim, segundo o que Javé havia ordenado. Isso ensina a todos (as) a seguirem a risca o que Deus fala ao seu povo. Sem buscar dar um “jeitinho brasileiro” como solução, mas sim, manter a postura e integridade gerada por Deus. Tendo certeza que Deus irá fazer a boa obra que Ele já começou.
O profeta é recebido no meio dos anciãos pacificamente, o medo que estava aflingido-o acaba dando lugar para a sua maneira particular de olhar para a situação. Neste momento ele vê o filho mais velho de Jessé (v.6), e pensa como ele tem todas as caracteristicas necessárias para ser o novo ungido. Normalmente quando o sentimento de segurança e conforto bate no coração humano, é normal esquecer a voz e a direção de Deus. Passa a seguir a sua vontade e seu caminho. Pensa que tem o direito de olhar para as situações com o seus olhos, esquecendo de quem está no controle.
Nessa hora Javé fala novamente ao profeta. Mesmo sendo um homem de Deus, que escuta a voz de Deus está sujeito a cair. Javé lembra ao profeta que Ele não olha para as pessoas da mesma forma como o ser humano olha. Deus ensina a todos (as) a deixar de lado uma vida de aparencias, que é pautada em parametros humanos. Deus mostra para a igreja, que por vezes ela olha muito para as pessoas que são mais bonitas (os), mais ricos (as), mais poderosos (as), aqueles (as) que têm mais status. Deus não olha desse forma. Isso são caracteristicas negadas por Deus. Deus olha para o coração (v.7), olha a intenção das pessoas. È uma maneira de ver as potencialidades e fragilidades das pessoas.
Provavelmente o profeta passou a rever a forma de olhar para as pessoas. Talvez a igreja precise rever as formas como olha para as pessoas e a sociedade em geral. A partir disso, Samuel passa a olhar os filhos de Jessé de uma maneira diferente (8-10). Rejeita aspectos de impacto humano, e passa a buscar aquilo que agrada o coração de Deus. Esse é um grande ensinamento. Buscar na vida pessoal e nas pessoas aspectos que agradem o coração de Deus e que seja conforme a vontade d'Ele. Quando o profeta se sujeita a ouvir a voz de Deus e fazer a sua escolha a situação muda.
As possibilidades de Jessé acabam, todos os filhos que teriam capacidades humanas para assumir o trono são rejeitados por Deus. Samuel pergunta se acabou todos os filhos (v.11), Jessé diz que falta um. O mais moço, que toma conta do pasto. Usando de metáfora, é possível fazer um paralelo entre Jessé e a Igreja. Aonde sempre busca soluções humanas a partir de qualificações humanas e deixa o menor, o mais fraco, aquele que não tem tanto valor para o fim. Talvez a mensagem de inclusão de Jesus a respeito dos pequeninos, dos marginalizados e dos excluídos tem suas origens nesse texto. Aquele que é deixado de lado, que não é contado, que é esquecido pelo ser humano, justamente este é o que Deus escolhe como seu ungido.
O texto nos ensina a mudar a forma do olhar da igreja e das pessoas em geral. Deixar o pre-conceito de lado e ter a sensibilidade que é de Deus, e desta forma ser mais inclusiva.
Quando o menino entra, contrapõe todo os parâmetros humanos (v.12). O moço era apenas “corado, com bonitos olhos e agradável”, mas foi esse a quem Javé escolhe e manda o profeta ungi-lo (v.13). No meio dos irmãos e do pai, o menino é ungido pelo profeta.
O texto também afirma que: “o Espírito de Javé prosperou a Davi” em uma outra tradução diz que: “O Espírito de Deus tomou conta de Davi”. Talvez isso mostre um grande significado do termo Prosperidade. Ser prospero segundo o texto é quando Deus toma conta de seu ungido. Isso contraria muito a lógica do mercado que pregnou na igreja, assinalando prosperidade como algo meramente financeiro e poderoso. Algo que afirma o conceito capitalista e de consumo da igreja.
Ter essa prosperidade de Deus é ter a certeza de que Deus toma conta do seu ungido. Ter por certo a presença de Deus, o seu amor, o seu afago, o seu carinho e até mesmo sua exclusividade como pai amoroso, mas uma exclusividade inclusivista. Desfrutar da prosperidade de Deus é desfrutar da graça de Deus constantemente.
O profeta nos ensina que a obra que Deus começa ele termina. Ele termina o que começou e nos lança para um novo desafio, a terra de Ramá.
"Senhor, dê-me serenidade para conviver com aquilo que não posso mudar. Dê-me coragem para mudar aquilo que se pode mudar. Dê-me sabedoria para distinguir uma da outra..."
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
"Pai Nosso"
Oração do Pai nosso.
Introdução:
O tema oração é algo maravilhoso, porque quando pensamos a respeito de oração, lembramos de grandes feitos que foram realizados na bíblia, grandes milagres que pudemos presenciar, entre tantas outras coisas. O tema oração, realmente é algo intrigante e maravilhoso de se pensar.
E nessa idéia de se pensar e se falar sobre oração, penso que algumas coisas tem que estar realmente claras e esclarecidas em nossas mentes. Uma dessas coisas é: Saber que Deus é o todo poderoso e Ele faz o que Ele quer, quando Ele quer, e se Ele quer. Nós não mandamos em Deus, não determinamos nada. Deus não é um empregado nosso, um mordomo que atende a ordens. Temos que ter claro que Deus é Pai, um Pai querido, que está ao nosso lado, caminhando e mostrando o melhor caminho. As vezes essa cultura capitalista e consumista nos influência tanto que inserimos Deus dentro desta perspectiva e queremos fazer dele nosso mordomo particular. Na realidade quem tem que servir a Deus somos nós, e não Deus nos servir.
Também observei bastante, que por vezes, pessoas pensam que oração são pensamentos positivos a respeito de alguma coisa. Que oração é pensamento bom que devemos ter. Dentro desta dinâmica que pensa que oração é um pensamento bom a respeito de alguma coisa, imagine que você e eu vamos a um restaurante, estamos com muita fome e queremos comer aquele prato que mais gostamos. Quando chamamos o garçom e fazemos nosso pedido ele nos responde: Senhor, porque ao invés de gastar dinheiro por aqui, o senhor não pensa bem positivo sobre o prato que quer comer. Pensa no gosto, na forma que como irá mastigar, pensa bem positivo como esse prato ira saciá-lo e a partir disso, mata a sua fome.
A idéia não é tão ruim. Iríamos economizar muito dinheiro se isso fosse possível. Mas, pensamentos positivos não enchem a barriga de ninguém. Não importa se você come dez ou um prato, se sua fome é muita ou pequena, o que importa realmente é que ninguém vive só de pensamentos positivos. E oração está muito além de ser pensamentos positivos. Oração é a capacidade e o meio de se relacionar com Deus da melhor forma possível.
Uma outra característica é que oração não é algo que tem seus pacotes prontos. Observando essas lojas de Lanches Combinados, pude fazer uma relação entre nossas igrejase este mercado. Vi que nessas Lanchonetes existem vários pacotes de lanches. Você escolhe o número, escolhe o que quer dentro e espera para ser servido. Observando um pouco o nosso mundo religioso, observei que temos algumas coisas bem parecidas. Mc libertações, Mc bênçãos, Mc prosperidades, Mc cura, entre tantos outros fatores que poderíamos abranger. Algo realmente mercadológico, frio. Uma relação de consumo com Deus.
Isso acaba esvaziando todo o relacionamento que Deus quer ter conosco. Um relacionamento puro, belo e sincero. Onde em grande parte do ministério de Jesus, ele abordou a falta de compromisso e o esvaziamento religioso. Onde veremos no texto a seguir.
Mateus 6.5-13.
5. E, quando orares, não sejais como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6. Mas tu, quando orares, entra em teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu pai, que vê o que está oculto, e Teu Pai, que vê o que está em oculto te recompensará.
7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.
8 Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós pedirdes.
9. Portanto vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
10. Venha o Teu reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra quando no céu.
11. O pão nosso de cada dá-nos hoje.
12. Perdoa-nos a nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
13. E não nos induza a tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
Este texto, nessas últimas semanas, tem falado muito ao meu coração. Sempre achei a oração do Pai Nosso muito linda, mas nunca tinha pensado nela com tanta seriedade.
Essa leitura da oração do Pai Nosso, é vista em dois momentos nos Evangelhos: em Mateus e em Lucas. Nos dois casos vemos as mesmas petições, mesmo que Lucas seja uma oração menor, ela contem o mesmo conteúdo que Mateus.
Quando vamos fazer uma análise deste texto, percebemos que ambos foram escritos em momentos distintos para um grupo de pessoas distintas. Em Lucas, Jesus é convidado a ensinar as pessoas a orarem, isso porque, Jesus estava no meio de pessoas que acabará de se converter, sentiram a presença de Deus, tiveram uma experiência com o Espírito Santo, estavam com vontade de anunciar a palavra de salvação, mas não sabiam como orar. Percebo que tanto eles como nós, não sabemos orar como convêm, e por isso precisamos ser ministrados pelo Espírito de Deus, e temos certeza que o agir do Espírito tem a capcidade de nos transformar.
Já no evangelho de Mateus, foi escrito para um povo que já sabia como orar, um povo extremamente religioso, um povo que conhecia a Lei e aos mandamentos, com todo respeito, digo que um povo igual a mim e a você. Um povo que havia se esquecido da essência da oração: Sinceridade, Intimidade, Confiança e Perseverança.
A partir disso, quero mostrar alguns aspectos que Deus ministrou em minha vida. Jesus queria mostrar para o povo que estava ouvindo naquele momento algumas coisas. No começo do capítulo ele fala a respeito da esmola, que deve ser para agradar a Deus não ao próximo, depois disso vemos que Jesus fala a respeito da oração. Antes de chegar na oração, ele cita algumas coisas que estão acontecendo naquele momento. Muitas pessoas se utilizavam da oração para aparecer e receber glória dos homens, ter o reconhecimento humano (v.5). Vemos a primeira coisa que é importante na oração: Ser reconhecido por Deus é o mais importante e o começo de tudo.
Uma outra coisa que podemos perceber é que Jesus aboliu as vãs repetições. Um falatório vazio, sem conteúdo, sem paixão, sem propósito (v.7). Jesus queria mais que qualquer coisa palavras sinceras, onde estivesse envolvido todo o entendimento, toda a ciência, mas também todo amor, todo o coração naquela oração. As vezes penso que Jesus queria muito que cada oração nossa fosse como se fosse a última. Como se não fossemos ter novamente essa oportunidade e fazemos naquele momento a oração mais sincera, de todo o nosso coração.
Sabe uma coisa que observo as vezes? Como queremos impressionar. Não sei se a Deus ou se as pessoas que estão nos olhando. Usamos palavras de crentes: IMPACTO, SURPREENDIDO, ARREBATADO, entre outras palavras. Falamos em demasia a respeito de Espiritualidade, mas será que sabemos o que é Espiritualidade?
Entendo que espiritualidade é aquilo que consegue fazer com que tenhamos uma mudança interna, ter uma boa espiritualidade ou uma espiritualidade de Deus é: ter um antes e depois. O que me impressiona muito é que falamos muito e agimos pouco. A espiritualidade que é ministrada por Deus, não pela religiosidade (que é um sistema de legitimação), nos traz uma mudança radical.
Jesus já havia falado muito a respeito do que estava acontecendo e que era necessário uma mudança! Era Prioritário que isso acontecesse. A primeira coisa que Ele diz em sua oração é:
“Pai nosso que estais nos céus”.
Sabe o que é lindo entender nessa frase? A intimidade que Jesus tinha com Deus. Uma relação de pai e filho, uma relação de conhecimento mútuo. Jesus nesse momento chama Deus de: Papai querido, Papaizinho, meu papai. Ninguém naquela época ousava chamar Deus da forma como Jesus chama. Mas a grande chamada que Jesus nos da é: Nós precisamos ter um relacionamento de pai e filho com Deus! Só a partir deste momento é que nos relacionaremos da melhor forma com Deus.
Acredito que neste momento Jesus nos chama para o que é a nossa essência e para a sinceridade completa. Uma forma de se achegar a Deus da forma mais simples, porém mais amorosa possível. Amar a Deus sobre todas as coisas é fundamental para uma oração eficaz! Ter um relacionamento de pai e filho com Deus é necessário.
Santificado seja o Teu Nome.
Este é um ato de reconhecimento e de dependência de Deus. Não que Deus deixaria de ser alguma coisa se não o reconhecêssemos como Pai, como Deus, como o único Salvador, porém este reconhecimento é necessário para nos colocar em nosso lugar como dependentes e servos de Deus, como aqueles que sabem que “SEM JESUS NÃO DÁ PRA VIVER”.
“Venha o Teu Reino”.
Querer que o Reino de Deus venha é um ato de começar a fazer e reconhecer que o Reino de Deus já está começando. Devemos ter claro que o Reino de Deus não começa por nós e não, necessariamente depende de nós, mas como pessoas que amamos a vontade de Deus, amamos a forma como Ele age e por crer que o Reino d'Ele é necessário para todo ser humano, devemos anunciar que a vida com Ele é a melhor, mesmo em meio a qualquer forma de tribulação, podemos viver o Reino de Deus hoje, podemos anunciar o Reino de Deus hoje e podemos viver a “Plenitude dos Tempos” hoje. E sabendo que Deus tem reservado para nós um lindo local, onde desfrutaremos da presença d'Ele.
Essa afirmação nos chama a viver em santidade e não em pecado, pois o Reino de Deus é um reino de santidade. Quando pedimos que o Reino de Deus venha, estamos nos comprometendo com a Santidade bíblica. Um compromisso que envolve: pensamentos, obras e sentimentos.
“Seja feita a tua vontade, tanto na Terra como nos céus”.
Quando pedimos a vontade de Deus, estamos declarando que cremos, que confiamos, que temos esperança no agir divino e que temos a certeza que a vontade d'Ele é boa perfeita e agradável!
Pedir a vontade de Deus tanto na terra como nos céus, podemos fazer uma leitura um pouco alegórica. Relacionando a Terra como nossas vidas, onde vivemos, onde acontece tudo. Estamos pedindo a vontade de Deus de forma integral em todas as instâncias de nossas vidas. Porque sabemos que Ele tem o melhor para as nós. Os “céus” poderíamos fazer um relacionamento com tudo o que envolve nossa parte espiritual. Estamos pedindo a Deus para fazer de nossa vida Espiritual conforme a vontade e o querer d'Ele. Estamos envolvendo nossos sentimentos, nossas emoções, tudo aquele que não podemos tocar. Pedimos a vontade de Deus.
Esse pedido é muito lindo e nos leva a viver no “MISTÉRIO DE DEUS”. Viver no mistério de Deus é não entender o que esta acontecendo mas ter a certeza de que Deus está no meio disso e que o milagre irá acontecer.
Antes de ir para a outra parte do pai nosso, queria chamar atenção de todos para uma palavrinha que por vezes não prestamos muita atenção, contudo faz toda a diferença. O pronome “Nós”. Queria chamar a atenção para quatro coisas.
Nós como homem + Cristo.
Nós como convite a todos que querem fazer parte do corpo de Cristo.
Nós como um ato solidário as fraquezas e limitações do outro.
Nós como um elo que uni a todos, não importando com qualquer coisa ou situação.
“O pão nosso de cada dia nos daí hoje”.
Quando falamos do pão nosso de cada dia pensamos, sem dúvidas, sobre o alimento que precisamos diariamente. Não é uma forma errada de se pensar, mas quando Jesus se refere ao pão, Ele está se referindo a tudo. Tudo o que temos falta e necessidade, tudo o que precisamos. Jesus se importa com nossa totalidade.
Essa citação está extremamente relacionada com o “Maná” do deserto. Quando Deus supria todas as necessidades do povo suprindo pão, suprindo água, cumprindo com sua palavra sobre todo o povo. Quando Jesus fala tudo é tudo, por exemplo:
1 – pão como essencial.
2 – pão como o que precisamos como o que nos falta;
3 – Pão como necessário para viver;
4 – Pão como rejeição ao excesso.
5 – Pão como sinal de gratidão;
6 – Pão como resistência a coisas do mundo que não são necessárias.
Esse Pão é a manifestação da palavra de Deus em nossas vidas!
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
Quando a bíblia cita dívidas, ela está se referindo a toda e qualquer falta ou o que estamos devendo para Deus e para o nosso próximo. Tudo o que poderíamos ter feito, tudo o que poderíamos fazer e não fizemos por não entender a vontade de Deus em nossas vidas.
“Como nós perdoamos aos nossos devedores” Sem o perdão não é possível viver a praticidade do evangelho. Jesus não queria que as pessoas soubessem todas as doutrinas, todos os métodos se não tivesse uma vida reta e prática diante de Deus. Por isso Ele chama a todos a perdoarem, pois o perdão é uma das maiores formas de demonstrar a presença de Deus, de demonstrar que realmente somos corpo e participantes do reino de Deus.
“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal”.
O que significa Tentação? Entendo que tentação é provocar a virtude de (alguém). E a partir disso, podemos entender tentação como não apenas o mal que nos tira a santidade, mas o Mal que nos leva para o inferno, que nos tira a vida eterna, Salvação.
Vamos pegar três formas da tentação. Temos aquela tentação que é da carne. Tudo o que envolve nossos desejos, nossas cobiças, tudo o que queremos ter ou fazer ou desfrutar, mas que sabemos que não é conforme a vontade de Deus.
A tentação do diabo. Uma tentação que entendo como aquela que mostra as coisas como se fossem boas, como se não tivesse nada a vê. E a partir disso, ele nos prende ao pecado.
E também a tentação do Mundo ou da sociedade, tudo aquilo que nosso meio, que nossa sociedade nos impõe como necessário para a vida. É importante ter claro que tudo o que vai contra a vida, contra a vontade de Deus é pecado, e por isso devemos ter forças para lutar contra essas imposições do Mundo ou da sociedade em que vivemos.
Quando Cristo diz: Mais livrai-nos do mal, não é algo para fugirmos da nossa realidade ou que nunca iria acontecer nada conosco. Pelo contrario, quando Cristo nos coloca isso, Ele está afirmando: Não importa o que acontecer estarei contigo, não importa o tamanho da tempestade, não importa o tamanho da situação, eu estou ao teu lado.
Pedir que Deus nos livre do mal é ter a convicção de que o Deus consolador esta ao nosso lado, o Deus que nos livra das aflições e nos faz superá-las, o Deus que supre tudo o que precisamos e necessitamos, o Deus que é capaz de transformar aquilo que consideramos maldição em benção!
Existe uma parte que chamamos de Doxologia. Essa parte, segundo alguns exegetas, foi acrescentando nas escrituras um tempo depois. Pois quando os crentes terminavam de orar, sabendo que só oravam o “Pai Nosso” aqueles que faziam parte da comunidade e que possuíam bons frutos, terminavam cantando:
“Porque Teu é o Reino, o Poder, e a Glória para todo o Sempre”.
Essa parte talvez seja umas das afirmações mais veementes e cheias de fé, convicção e de entrega total a Cristo. Afirmar a presença e a soberania de Deus é importante!
“Amém.”
Como já sabemos, Amém significa: Assim seja. Isso representa que: A certeza de que Deus ouviu nosso clamor, e de que irá atender! Amém é mais que certeza é a plena convicção do agir de Deus!
Bibliografia.
AQUINO, Santo Tomás. Comentário ao Pai Nosso. 2002, Lótus, SP.
JEREMIAS, J. Pai nosso: Oração do Senhor. 1976, edições Paulinas, SP.
BARTH, Karl. O Pai Nosso: A oração que Jesus ensinou aos discípulos. 2003, Novo Século, SP.
STTOT, John. A mensagem do sermão do monte: contracultura crista.
BOFF, Leonardo. Pai Nosso.
Introdução:
O tema oração é algo maravilhoso, porque quando pensamos a respeito de oração, lembramos de grandes feitos que foram realizados na bíblia, grandes milagres que pudemos presenciar, entre tantas outras coisas. O tema oração, realmente é algo intrigante e maravilhoso de se pensar.
E nessa idéia de se pensar e se falar sobre oração, penso que algumas coisas tem que estar realmente claras e esclarecidas em nossas mentes. Uma dessas coisas é: Saber que Deus é o todo poderoso e Ele faz o que Ele quer, quando Ele quer, e se Ele quer. Nós não mandamos em Deus, não determinamos nada. Deus não é um empregado nosso, um mordomo que atende a ordens. Temos que ter claro que Deus é Pai, um Pai querido, que está ao nosso lado, caminhando e mostrando o melhor caminho. As vezes essa cultura capitalista e consumista nos influência tanto que inserimos Deus dentro desta perspectiva e queremos fazer dele nosso mordomo particular. Na realidade quem tem que servir a Deus somos nós, e não Deus nos servir.
Também observei bastante, que por vezes, pessoas pensam que oração são pensamentos positivos a respeito de alguma coisa. Que oração é pensamento bom que devemos ter. Dentro desta dinâmica que pensa que oração é um pensamento bom a respeito de alguma coisa, imagine que você e eu vamos a um restaurante, estamos com muita fome e queremos comer aquele prato que mais gostamos. Quando chamamos o garçom e fazemos nosso pedido ele nos responde: Senhor, porque ao invés de gastar dinheiro por aqui, o senhor não pensa bem positivo sobre o prato que quer comer. Pensa no gosto, na forma que como irá mastigar, pensa bem positivo como esse prato ira saciá-lo e a partir disso, mata a sua fome.
A idéia não é tão ruim. Iríamos economizar muito dinheiro se isso fosse possível. Mas, pensamentos positivos não enchem a barriga de ninguém. Não importa se você come dez ou um prato, se sua fome é muita ou pequena, o que importa realmente é que ninguém vive só de pensamentos positivos. E oração está muito além de ser pensamentos positivos. Oração é a capacidade e o meio de se relacionar com Deus da melhor forma possível.
Uma outra característica é que oração não é algo que tem seus pacotes prontos. Observando essas lojas de Lanches Combinados, pude fazer uma relação entre nossas igrejase este mercado. Vi que nessas Lanchonetes existem vários pacotes de lanches. Você escolhe o número, escolhe o que quer dentro e espera para ser servido. Observando um pouco o nosso mundo religioso, observei que temos algumas coisas bem parecidas. Mc libertações, Mc bênçãos, Mc prosperidades, Mc cura, entre tantos outros fatores que poderíamos abranger. Algo realmente mercadológico, frio. Uma relação de consumo com Deus.
Isso acaba esvaziando todo o relacionamento que Deus quer ter conosco. Um relacionamento puro, belo e sincero. Onde em grande parte do ministério de Jesus, ele abordou a falta de compromisso e o esvaziamento religioso. Onde veremos no texto a seguir.
Mateus 6.5-13.
5. E, quando orares, não sejais como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6. Mas tu, quando orares, entra em teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu pai, que vê o que está oculto, e Teu Pai, que vê o que está em oculto te recompensará.
7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.
8 Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós pedirdes.
9. Portanto vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
10. Venha o Teu reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra quando no céu.
11. O pão nosso de cada dá-nos hoje.
12. Perdoa-nos a nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
13. E não nos induza a tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
Este texto, nessas últimas semanas, tem falado muito ao meu coração. Sempre achei a oração do Pai Nosso muito linda, mas nunca tinha pensado nela com tanta seriedade.
Essa leitura da oração do Pai Nosso, é vista em dois momentos nos Evangelhos: em Mateus e em Lucas. Nos dois casos vemos as mesmas petições, mesmo que Lucas seja uma oração menor, ela contem o mesmo conteúdo que Mateus.
Quando vamos fazer uma análise deste texto, percebemos que ambos foram escritos em momentos distintos para um grupo de pessoas distintas. Em Lucas, Jesus é convidado a ensinar as pessoas a orarem, isso porque, Jesus estava no meio de pessoas que acabará de se converter, sentiram a presença de Deus, tiveram uma experiência com o Espírito Santo, estavam com vontade de anunciar a palavra de salvação, mas não sabiam como orar. Percebo que tanto eles como nós, não sabemos orar como convêm, e por isso precisamos ser ministrados pelo Espírito de Deus, e temos certeza que o agir do Espírito tem a capcidade de nos transformar.
Já no evangelho de Mateus, foi escrito para um povo que já sabia como orar, um povo extremamente religioso, um povo que conhecia a Lei e aos mandamentos, com todo respeito, digo que um povo igual a mim e a você. Um povo que havia se esquecido da essência da oração: Sinceridade, Intimidade, Confiança e Perseverança.
A partir disso, quero mostrar alguns aspectos que Deus ministrou em minha vida. Jesus queria mostrar para o povo que estava ouvindo naquele momento algumas coisas. No começo do capítulo ele fala a respeito da esmola, que deve ser para agradar a Deus não ao próximo, depois disso vemos que Jesus fala a respeito da oração. Antes de chegar na oração, ele cita algumas coisas que estão acontecendo naquele momento. Muitas pessoas se utilizavam da oração para aparecer e receber glória dos homens, ter o reconhecimento humano (v.5). Vemos a primeira coisa que é importante na oração: Ser reconhecido por Deus é o mais importante e o começo de tudo.
Uma outra coisa que podemos perceber é que Jesus aboliu as vãs repetições. Um falatório vazio, sem conteúdo, sem paixão, sem propósito (v.7). Jesus queria mais que qualquer coisa palavras sinceras, onde estivesse envolvido todo o entendimento, toda a ciência, mas também todo amor, todo o coração naquela oração. As vezes penso que Jesus queria muito que cada oração nossa fosse como se fosse a última. Como se não fossemos ter novamente essa oportunidade e fazemos naquele momento a oração mais sincera, de todo o nosso coração.
Sabe uma coisa que observo as vezes? Como queremos impressionar. Não sei se a Deus ou se as pessoas que estão nos olhando. Usamos palavras de crentes: IMPACTO, SURPREENDIDO, ARREBATADO, entre outras palavras. Falamos em demasia a respeito de Espiritualidade, mas será que sabemos o que é Espiritualidade?
Entendo que espiritualidade é aquilo que consegue fazer com que tenhamos uma mudança interna, ter uma boa espiritualidade ou uma espiritualidade de Deus é: ter um antes e depois. O que me impressiona muito é que falamos muito e agimos pouco. A espiritualidade que é ministrada por Deus, não pela religiosidade (que é um sistema de legitimação), nos traz uma mudança radical.
Jesus já havia falado muito a respeito do que estava acontecendo e que era necessário uma mudança! Era Prioritário que isso acontecesse. A primeira coisa que Ele diz em sua oração é:
“Pai nosso que estais nos céus”.
Sabe o que é lindo entender nessa frase? A intimidade que Jesus tinha com Deus. Uma relação de pai e filho, uma relação de conhecimento mútuo. Jesus nesse momento chama Deus de: Papai querido, Papaizinho, meu papai. Ninguém naquela época ousava chamar Deus da forma como Jesus chama. Mas a grande chamada que Jesus nos da é: Nós precisamos ter um relacionamento de pai e filho com Deus! Só a partir deste momento é que nos relacionaremos da melhor forma com Deus.
Acredito que neste momento Jesus nos chama para o que é a nossa essência e para a sinceridade completa. Uma forma de se achegar a Deus da forma mais simples, porém mais amorosa possível. Amar a Deus sobre todas as coisas é fundamental para uma oração eficaz! Ter um relacionamento de pai e filho com Deus é necessário.
Santificado seja o Teu Nome.
Este é um ato de reconhecimento e de dependência de Deus. Não que Deus deixaria de ser alguma coisa se não o reconhecêssemos como Pai, como Deus, como o único Salvador, porém este reconhecimento é necessário para nos colocar em nosso lugar como dependentes e servos de Deus, como aqueles que sabem que “SEM JESUS NÃO DÁ PRA VIVER”.
“Venha o Teu Reino”.
Querer que o Reino de Deus venha é um ato de começar a fazer e reconhecer que o Reino de Deus já está começando. Devemos ter claro que o Reino de Deus não começa por nós e não, necessariamente depende de nós, mas como pessoas que amamos a vontade de Deus, amamos a forma como Ele age e por crer que o Reino d'Ele é necessário para todo ser humano, devemos anunciar que a vida com Ele é a melhor, mesmo em meio a qualquer forma de tribulação, podemos viver o Reino de Deus hoje, podemos anunciar o Reino de Deus hoje e podemos viver a “Plenitude dos Tempos” hoje. E sabendo que Deus tem reservado para nós um lindo local, onde desfrutaremos da presença d'Ele.
Essa afirmação nos chama a viver em santidade e não em pecado, pois o Reino de Deus é um reino de santidade. Quando pedimos que o Reino de Deus venha, estamos nos comprometendo com a Santidade bíblica. Um compromisso que envolve: pensamentos, obras e sentimentos.
“Seja feita a tua vontade, tanto na Terra como nos céus”.
Quando pedimos a vontade de Deus, estamos declarando que cremos, que confiamos, que temos esperança no agir divino e que temos a certeza que a vontade d'Ele é boa perfeita e agradável!
Pedir a vontade de Deus tanto na terra como nos céus, podemos fazer uma leitura um pouco alegórica. Relacionando a Terra como nossas vidas, onde vivemos, onde acontece tudo. Estamos pedindo a vontade de Deus de forma integral em todas as instâncias de nossas vidas. Porque sabemos que Ele tem o melhor para as nós. Os “céus” poderíamos fazer um relacionamento com tudo o que envolve nossa parte espiritual. Estamos pedindo a Deus para fazer de nossa vida Espiritual conforme a vontade e o querer d'Ele. Estamos envolvendo nossos sentimentos, nossas emoções, tudo aquele que não podemos tocar. Pedimos a vontade de Deus.
Esse pedido é muito lindo e nos leva a viver no “MISTÉRIO DE DEUS”. Viver no mistério de Deus é não entender o que esta acontecendo mas ter a certeza de que Deus está no meio disso e que o milagre irá acontecer.
Antes de ir para a outra parte do pai nosso, queria chamar atenção de todos para uma palavrinha que por vezes não prestamos muita atenção, contudo faz toda a diferença. O pronome “Nós”. Queria chamar a atenção para quatro coisas.
Nós como homem + Cristo.
Nós como convite a todos que querem fazer parte do corpo de Cristo.
Nós como um ato solidário as fraquezas e limitações do outro.
Nós como um elo que uni a todos, não importando com qualquer coisa ou situação.
“O pão nosso de cada dia nos daí hoje”.
Quando falamos do pão nosso de cada dia pensamos, sem dúvidas, sobre o alimento que precisamos diariamente. Não é uma forma errada de se pensar, mas quando Jesus se refere ao pão, Ele está se referindo a tudo. Tudo o que temos falta e necessidade, tudo o que precisamos. Jesus se importa com nossa totalidade.
Essa citação está extremamente relacionada com o “Maná” do deserto. Quando Deus supria todas as necessidades do povo suprindo pão, suprindo água, cumprindo com sua palavra sobre todo o povo. Quando Jesus fala tudo é tudo, por exemplo:
1 – pão como essencial.
2 – pão como o que precisamos como o que nos falta;
3 – Pão como necessário para viver;
4 – Pão como rejeição ao excesso.
5 – Pão como sinal de gratidão;
6 – Pão como resistência a coisas do mundo que não são necessárias.
Esse Pão é a manifestação da palavra de Deus em nossas vidas!
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
Quando a bíblia cita dívidas, ela está se referindo a toda e qualquer falta ou o que estamos devendo para Deus e para o nosso próximo. Tudo o que poderíamos ter feito, tudo o que poderíamos fazer e não fizemos por não entender a vontade de Deus em nossas vidas.
“Como nós perdoamos aos nossos devedores” Sem o perdão não é possível viver a praticidade do evangelho. Jesus não queria que as pessoas soubessem todas as doutrinas, todos os métodos se não tivesse uma vida reta e prática diante de Deus. Por isso Ele chama a todos a perdoarem, pois o perdão é uma das maiores formas de demonstrar a presença de Deus, de demonstrar que realmente somos corpo e participantes do reino de Deus.
“Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal”.
O que significa Tentação? Entendo que tentação é provocar a virtude de (alguém). E a partir disso, podemos entender tentação como não apenas o mal que nos tira a santidade, mas o Mal que nos leva para o inferno, que nos tira a vida eterna, Salvação.
Vamos pegar três formas da tentação. Temos aquela tentação que é da carne. Tudo o que envolve nossos desejos, nossas cobiças, tudo o que queremos ter ou fazer ou desfrutar, mas que sabemos que não é conforme a vontade de Deus.
A tentação do diabo. Uma tentação que entendo como aquela que mostra as coisas como se fossem boas, como se não tivesse nada a vê. E a partir disso, ele nos prende ao pecado.
E também a tentação do Mundo ou da sociedade, tudo aquilo que nosso meio, que nossa sociedade nos impõe como necessário para a vida. É importante ter claro que tudo o que vai contra a vida, contra a vontade de Deus é pecado, e por isso devemos ter forças para lutar contra essas imposições do Mundo ou da sociedade em que vivemos.
Quando Cristo diz: Mais livrai-nos do mal, não é algo para fugirmos da nossa realidade ou que nunca iria acontecer nada conosco. Pelo contrario, quando Cristo nos coloca isso, Ele está afirmando: Não importa o que acontecer estarei contigo, não importa o tamanho da tempestade, não importa o tamanho da situação, eu estou ao teu lado.
Pedir que Deus nos livre do mal é ter a convicção de que o Deus consolador esta ao nosso lado, o Deus que nos livra das aflições e nos faz superá-las, o Deus que supre tudo o que precisamos e necessitamos, o Deus que é capaz de transformar aquilo que consideramos maldição em benção!
Existe uma parte que chamamos de Doxologia. Essa parte, segundo alguns exegetas, foi acrescentando nas escrituras um tempo depois. Pois quando os crentes terminavam de orar, sabendo que só oravam o “Pai Nosso” aqueles que faziam parte da comunidade e que possuíam bons frutos, terminavam cantando:
“Porque Teu é o Reino, o Poder, e a Glória para todo o Sempre”.
Essa parte talvez seja umas das afirmações mais veementes e cheias de fé, convicção e de entrega total a Cristo. Afirmar a presença e a soberania de Deus é importante!
“Amém.”
Como já sabemos, Amém significa: Assim seja. Isso representa que: A certeza de que Deus ouviu nosso clamor, e de que irá atender! Amém é mais que certeza é a plena convicção do agir de Deus!
Bibliografia.
AQUINO, Santo Tomás. Comentário ao Pai Nosso. 2002, Lótus, SP.
JEREMIAS, J. Pai nosso: Oração do Senhor. 1976, edições Paulinas, SP.
BARTH, Karl. O Pai Nosso: A oração que Jesus ensinou aos discípulos. 2003, Novo Século, SP.
STTOT, John. A mensagem do sermão do monte: contracultura crista.
BOFF, Leonardo. Pai Nosso.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Uma Santificação Prática
A Santificação a partir do Jesus Histórico.
Uma questão que venho pensando muito nesses dias é a forma como o Jesus histórico tem sido “assassinado” constantemente em nossos dias. Um tempo marcado pela influência de um mercado capitalista, ilusório e individualista, que nega a existência de um Jesus homem judeu do século primeiro, que foi assassinado por defender a mensagem do amor, da unidade e da igualdade dos povos. Por isso, sua morte foi de cruz, humilhante e desprezível (e vergonhosa hoje no discurso cristão).
Esse formato do Jesus histórico tem dado lugar ao Jesus triunfante, que faz milagres, que tem poder e dá poder. O Jesus dos prodígios e da prosperidade. O Jesus da condenação ao diferente, o Jesus que cobra indulgencia e que não é amor. O Jesus homem dá lugar ao “deus” insensível.
Qual é o referencial a respeito desse Jesus capitalista? Porque o povo que se diz “Povo de Deus” não prega o Jesus homem e prega o Jesus poderoso? Será que é vergonhoso dizer ao “mundo” a respeito de um Deus demasiadamente humano? Dentro de uma sociedade que desvalorizou a vida e perdeu a apatia pela humanidade, uma sociedade que deslumbra o ódio, inimizade e obras da carne e esquece o valor do humano e sua preciosidade para Deus[1], é quase impossível falar da graça preciosa de Deus. Pois a graça barata é o que traz mais benefícios para as castas legitimadoras[2].
Infelizmente os discursos de muitas Igrejas Metodistas estão ligados apenas ao Jesus dos benefícios que está vinculado com a graça barata e movimentos individualistas, do que a respeito do Cristo que é amor e trabalha misteriosamente, pois trabalha a partir da graça preciosa e inclusiva.
Esse discurso consumista e individualista agregou-se ao termo de Santificação bíblica, dando outro significado a Santificação. Com isso, a partir da cristologia, pretendo trabalhar o tema da Santificação, abordando três pontos cruciais, sendo eles: A Santificação “coisa” de humano, o ser humano como sujeito no processo; a santificação prática, traços do Jesus histórico que vivenciou intensamente a santificação e; santificação como meio soteriologico, o verbo (ação) que traz a salvação humana.
Santificação coisa de humano
Hoje o termo santificação tornou-se algo tão complicado. Para alcançá-la Implica em um roteiro diverso. É preciso passar por muitos processos para torna-se santificado. Ainda mais quando a idéia vigente é “alta, descendente” da cristologia, que faz parte do que podemos chamar de auto-compreensão tradicional da fé cristã[3]. Onde a idéia do Deus que desce é predominante.
Percebo que em muitas comunidades, o processo de santificação é tão rigoroso, que para desenvolvê-lo perde-se a dimensão humana como papel fundamental para essa arte. É rejeitada toda fraqueza e limitação, o ato de santificação volta-se para semideuses e divindades. O sujeito da santificação não busca aperfeiçoar-se, mas meios para a validação de leis como domínio sobre os “menos santificados”. Um sistema de legitimação de poderes.
Contudo é preciso observar no Jesus, o Cristo, morto e ressuscitado, dois modos de viver que caracterizam duas etapas distintas humanas: a etapa da “Fraqueza”, modo de existir “segundo a carne”; e a etapa da “Plenitude de Espírito”, o modo de existência “segundo o Espírito” [4]. Isso demonstra que a santificação é possível para aqueles (as) que são pecadores (as), imperfeitos (as) que buscam restauração para a vida e em favor da vida.
A santificação perde a sua característica, atual da religiosidade, de algo exclusivo para santos, e passa a ser alvo de pecadores humanos que precisam desse aperfeiçoar constante em suas vidas. A cristologia demonstra um Jesus homem, que conseguiu experimentar da santificação a partir da piedade e principalmente do amor voluntário e constante. Logo, para um viver santo (a), é preciso olhar ao Jesus histórico e suas atitudes humanas.
Jesus não pregou uma teoria teológica, nem uma nova lei, nem a si mesmo, mas o Reino de Deus: A causa de Deus (= vontade de Deus), que irá triunfar e que é idêntica à causa do Homem (= bem do homem) [5]. A vontade de Deus é o mais claro exemplo da santificação, pois é algo que almeja o bem humano. Diferente da cultura presente do bem baseando em “bens”, mas sim, um bem que é “invendível”, e traz benefícios maravilhosos para a humanidade.
Santificação prática
Para uma santificação prática, é preciso um cristianismo prático. A santificação é algo que acontece no dia-a-dia da comunidade de Cristo. Ao contrário do que muitos líderes religiosos defendem hoje, uma santificação que traz e dá poder. Santificação é um processo cristoprático, a favor da vida, que acontece onde existem pobres (na amplitude da palavra), doentes e pecadores.
A cristoprática conduz a comunidade necessariamente aos pobres, aos doentes, aos socialmente supérfluos e oprimidos. A exemplo do Messias, também a comunidade messiânica é enviada primeiramente aos humildes: “Proclamai que o reino de Deus está próximo. Curai os doentes, ressuscitais os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes de graça daí”. Por causa de Cristo, a comunidade cristã tem seu lugar na comunhão com seus “mais pequeninos” irmãos e irmãs. Como o Cristo para todas as pessoas, Jesus torna a sociedade humana dividida e sem paz por sua parte inferior, pelos miseráveis, desprezados e pequenos. Visto que este é o lugar social e político da comunidade de Jesus, também a cristologia deverá acertar esse lugar como seu lugar e deverá refleti-lo conscientemente[6].
A proposta de Jesus de Nazaré é: não a violência, sim à mudança de coração. Pregava um batismo de conversão, anunciando a iminência do julgamento definitivo de Deus. Exigia dos seus seguidores capacidade de partilha, justiça, respeito pelos outros e pela verdade (Lc 3.10-14) [7]. Isso nada mais é do que uma prática santificadora, que justifica o pecador e traz novidade de vida. Algo que é respaldado por seus frutos sociais e comunitários.
Só podemos conhecer a Deus por intermédio das atitudes humanas de Jesus. Um Deus que se revela ao seu Povo por intermédio de um estilo da práxis. Uma vida santificada e irrepreensível, tendo como referencia o Jesus histórico, que enxerga a divindade dentro da humanidade. Um povo sofrido, assolado, perseguido e oprimido é onde Deus se manifesta. A santificação tem como sinal a sensibilidade e a capacidade de olhar no próximo, sua carência e necessidade do Deus que é amor e liberdade. O Deus que é gracioso e misericordioso. O Deus que se compadece com o sofrimento.
Santificação como meio soteriológico
Um discurso presente nas Igrejas Metodista é a respeito da vida Futura. Uma pergunta que muitos pregadores usam é: “Se você morrer agora, para onde você vai?”. Por isso a ênfase na santificação como um meio para alcançar a vida eterna é determinante em nossas igrejas, mas uma santificação baseada na troca, faço determinadas coisas para não ser condenado por Deus.
Quando classificamos o termo soteriologia que significa o estudo da salvação humana. Uma palavra formada a partir de dois termos gregos Σοτεριος [Soterios], que significa "salvação" e λογος [logos], que significa "palavra", ou "princípio"[8]. Esse termo nos ajuda a entender a infinitude partindo da finitude. Sendo que: A vida futura começa agora. A santificação é um meio para ajudar a humanidade a desfruitar hoje da Vida Eterna.
Talvez a perspectiva de vida eterna hoje precisa ser baseada na humanidade de Jesus. Que é um fato concreto para o fortalecimento da fé da comunidade. A prática de Jesus é processual (histórica e desenvolvida a partir de ações e de reações concretas), situada (encarnada na realidade econômica, política e religiosa) e conflitiva (não desejada, mas inevitável, em função da contradição entre o Reino de Deus e a realidade social da época) [9]. Essa perspectiva nos ajuda a entender melhor uma salvação hoje.
Varone reafirma em sua obra[10] que a salvação possui como lugar central o desejo do ser humano, mas é firmada na revelação de Deus que funda e anima a experiência da fé, diferentemente de ser fundamentada em uma satisfação religiosa pela ‘compensação’ dos aspectos humanos.
Não há salvação meramente interior (subjetivista), meritória (jurídica) e legalista (formal). Somente há salvação em uma práxis concreta, que relaciona o desejo humano e a escuta da Palavra de Deus, frutos da revelação divina [11].
A salvação cristã não consiste em uma operação jurídica de satisfação, mas sim em uma obra existencial de revelação (relação) divina[12].
Conclusão
Como conclusão deste trabalho, entendo que o ser humano é o alvo primordial de Deus em sua ação justificadora. A santificação não quer gerar pessoas mais divinas, mas sim, pessoas mais humanas. A beleza de tudo é descobrir nas limitações humanas a possibilidade da ação do Espírito Santo. Uma Santificação construída a partir da fragilidade humana. Nesse gesto, Deus se mostra o Deus atemporal, pois quando muitas instituições procuram caminhos de exclusão, Deus procura caminhos para inclusão. A santificação não cria um novo deus, mas cria um humano que sabe relacionar-se com Deus e com toda a sua criação.
Essa relação com Deus e com a sua criação demonstra uma santificação prática. Todo gesto de caridade, amor, respeito, compreensão, compaixão, amizade, dialogo, benignidade, domínio próprio, sensibilidade, união é traço do Fruto do Espírito de Deus. E onde este Espírito habita é lugar Santo. Logo, pessoas que manifestam essa santificação prática (cristoprática), são pessoas que, de uma forma intensa, reconhecem a maravilhosa presença de Deus e trabalha isso de forma concreta e linda.
Por fim, aprendo que a santificação é um caminho para a soteriologia. Como Moltmaan afirma na sua obra “Teologia da Esperança” a respeito da salvação e escatologia que tem início no encontro com o Jesus que é Histórico e eterno, entendo que a santificação é um meio, não um fim. Pois está ajuda a humanidade a caminhar seguindo os passos de Jesus. Um caminho de amor e que em tudo e em todos pode transformar maldições em bênçãos, morte em vida. Dar sentindo ao que não tem significado.
É necessário que, como comunidade de fé, aprendamos um caminho de santificação, baseada no Jesus de Nazaré, homem do primeiro século, judeu, que demonstrou o amor de Deus a partir das suas limitações humanas. Era (e é) Deus por ter sido homem. Sua humanidade é que dá sentido a sua divindade. Seu amor de Deus foi manifesto em sua vida terrestre. Sua santificação não era utópica ou discursiva, contudo era baseada no “aqui e agora”, abrindo possibilidades para uma nova vida. Uma vida prática.
[1] MOLTMANN, Jürgen. Paixão pela vida. Aste, 1978,
[2] BONHOENFFER. Dietrich. Discipulado. Sinodal.
[3] LOEWE, Willian. A Guisa de introdução.
[4] RUBIO, Afonso Garcia. Questões introdutórias.
[5] KUNG, Haz. Quem é Cristo?
[6] MOLTMANN, Jürgen. Caminhos e transformações da cristologia.
[7] SCHIAVO, Luiz; SILVA, Valmir. O projeto de Jesus.
[8] www.wikipedia.com.br
[9] RIBEIRO. Claudio de Oliveira. O reino é de Deus: Aspectos para cristologia não-sacrificialista.
[10] A base dessa reflexão é a obra Esse Deus que dizem amar o sofrimento. Aparecida-SP, Ed. Santuário, 2001.
[11] Idem 9
[12] Idem 9.
Uma questão que venho pensando muito nesses dias é a forma como o Jesus histórico tem sido “assassinado” constantemente em nossos dias. Um tempo marcado pela influência de um mercado capitalista, ilusório e individualista, que nega a existência de um Jesus homem judeu do século primeiro, que foi assassinado por defender a mensagem do amor, da unidade e da igualdade dos povos. Por isso, sua morte foi de cruz, humilhante e desprezível (e vergonhosa hoje no discurso cristão).
Esse formato do Jesus histórico tem dado lugar ao Jesus triunfante, que faz milagres, que tem poder e dá poder. O Jesus dos prodígios e da prosperidade. O Jesus da condenação ao diferente, o Jesus que cobra indulgencia e que não é amor. O Jesus homem dá lugar ao “deus” insensível.
Qual é o referencial a respeito desse Jesus capitalista? Porque o povo que se diz “Povo de Deus” não prega o Jesus homem e prega o Jesus poderoso? Será que é vergonhoso dizer ao “mundo” a respeito de um Deus demasiadamente humano? Dentro de uma sociedade que desvalorizou a vida e perdeu a apatia pela humanidade, uma sociedade que deslumbra o ódio, inimizade e obras da carne e esquece o valor do humano e sua preciosidade para Deus[1], é quase impossível falar da graça preciosa de Deus. Pois a graça barata é o que traz mais benefícios para as castas legitimadoras[2].
Infelizmente os discursos de muitas Igrejas Metodistas estão ligados apenas ao Jesus dos benefícios que está vinculado com a graça barata e movimentos individualistas, do que a respeito do Cristo que é amor e trabalha misteriosamente, pois trabalha a partir da graça preciosa e inclusiva.
Esse discurso consumista e individualista agregou-se ao termo de Santificação bíblica, dando outro significado a Santificação. Com isso, a partir da cristologia, pretendo trabalhar o tema da Santificação, abordando três pontos cruciais, sendo eles: A Santificação “coisa” de humano, o ser humano como sujeito no processo; a santificação prática, traços do Jesus histórico que vivenciou intensamente a santificação e; santificação como meio soteriologico, o verbo (ação) que traz a salvação humana.
Santificação coisa de humano
Hoje o termo santificação tornou-se algo tão complicado. Para alcançá-la Implica em um roteiro diverso. É preciso passar por muitos processos para torna-se santificado. Ainda mais quando a idéia vigente é “alta, descendente” da cristologia, que faz parte do que podemos chamar de auto-compreensão tradicional da fé cristã[3]. Onde a idéia do Deus que desce é predominante.
Percebo que em muitas comunidades, o processo de santificação é tão rigoroso, que para desenvolvê-lo perde-se a dimensão humana como papel fundamental para essa arte. É rejeitada toda fraqueza e limitação, o ato de santificação volta-se para semideuses e divindades. O sujeito da santificação não busca aperfeiçoar-se, mas meios para a validação de leis como domínio sobre os “menos santificados”. Um sistema de legitimação de poderes.
Contudo é preciso observar no Jesus, o Cristo, morto e ressuscitado, dois modos de viver que caracterizam duas etapas distintas humanas: a etapa da “Fraqueza”, modo de existir “segundo a carne”; e a etapa da “Plenitude de Espírito”, o modo de existência “segundo o Espírito” [4]. Isso demonstra que a santificação é possível para aqueles (as) que são pecadores (as), imperfeitos (as) que buscam restauração para a vida e em favor da vida.
A santificação perde a sua característica, atual da religiosidade, de algo exclusivo para santos, e passa a ser alvo de pecadores humanos que precisam desse aperfeiçoar constante em suas vidas. A cristologia demonstra um Jesus homem, que conseguiu experimentar da santificação a partir da piedade e principalmente do amor voluntário e constante. Logo, para um viver santo (a), é preciso olhar ao Jesus histórico e suas atitudes humanas.
Jesus não pregou uma teoria teológica, nem uma nova lei, nem a si mesmo, mas o Reino de Deus: A causa de Deus (= vontade de Deus), que irá triunfar e que é idêntica à causa do Homem (= bem do homem) [5]. A vontade de Deus é o mais claro exemplo da santificação, pois é algo que almeja o bem humano. Diferente da cultura presente do bem baseando em “bens”, mas sim, um bem que é “invendível”, e traz benefícios maravilhosos para a humanidade.
Santificação prática
Para uma santificação prática, é preciso um cristianismo prático. A santificação é algo que acontece no dia-a-dia da comunidade de Cristo. Ao contrário do que muitos líderes religiosos defendem hoje, uma santificação que traz e dá poder. Santificação é um processo cristoprático, a favor da vida, que acontece onde existem pobres (na amplitude da palavra), doentes e pecadores.
A cristoprática conduz a comunidade necessariamente aos pobres, aos doentes, aos socialmente supérfluos e oprimidos. A exemplo do Messias, também a comunidade messiânica é enviada primeiramente aos humildes: “Proclamai que o reino de Deus está próximo. Curai os doentes, ressuscitais os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes de graça daí”. Por causa de Cristo, a comunidade cristã tem seu lugar na comunhão com seus “mais pequeninos” irmãos e irmãs. Como o Cristo para todas as pessoas, Jesus torna a sociedade humana dividida e sem paz por sua parte inferior, pelos miseráveis, desprezados e pequenos. Visto que este é o lugar social e político da comunidade de Jesus, também a cristologia deverá acertar esse lugar como seu lugar e deverá refleti-lo conscientemente[6].
A proposta de Jesus de Nazaré é: não a violência, sim à mudança de coração. Pregava um batismo de conversão, anunciando a iminência do julgamento definitivo de Deus. Exigia dos seus seguidores capacidade de partilha, justiça, respeito pelos outros e pela verdade (Lc 3.10-14) [7]. Isso nada mais é do que uma prática santificadora, que justifica o pecador e traz novidade de vida. Algo que é respaldado por seus frutos sociais e comunitários.
Só podemos conhecer a Deus por intermédio das atitudes humanas de Jesus. Um Deus que se revela ao seu Povo por intermédio de um estilo da práxis. Uma vida santificada e irrepreensível, tendo como referencia o Jesus histórico, que enxerga a divindade dentro da humanidade. Um povo sofrido, assolado, perseguido e oprimido é onde Deus se manifesta. A santificação tem como sinal a sensibilidade e a capacidade de olhar no próximo, sua carência e necessidade do Deus que é amor e liberdade. O Deus que é gracioso e misericordioso. O Deus que se compadece com o sofrimento.
Santificação como meio soteriológico
Um discurso presente nas Igrejas Metodista é a respeito da vida Futura. Uma pergunta que muitos pregadores usam é: “Se você morrer agora, para onde você vai?”. Por isso a ênfase na santificação como um meio para alcançar a vida eterna é determinante em nossas igrejas, mas uma santificação baseada na troca, faço determinadas coisas para não ser condenado por Deus.
Quando classificamos o termo soteriologia que significa o estudo da salvação humana. Uma palavra formada a partir de dois termos gregos Σοτεριος [Soterios], que significa "salvação" e λογος [logos], que significa "palavra", ou "princípio"[8]. Esse termo nos ajuda a entender a infinitude partindo da finitude. Sendo que: A vida futura começa agora. A santificação é um meio para ajudar a humanidade a desfruitar hoje da Vida Eterna.
Talvez a perspectiva de vida eterna hoje precisa ser baseada na humanidade de Jesus. Que é um fato concreto para o fortalecimento da fé da comunidade. A prática de Jesus é processual (histórica e desenvolvida a partir de ações e de reações concretas), situada (encarnada na realidade econômica, política e religiosa) e conflitiva (não desejada, mas inevitável, em função da contradição entre o Reino de Deus e a realidade social da época) [9]. Essa perspectiva nos ajuda a entender melhor uma salvação hoje.
Varone reafirma em sua obra[10] que a salvação possui como lugar central o desejo do ser humano, mas é firmada na revelação de Deus que funda e anima a experiência da fé, diferentemente de ser fundamentada em uma satisfação religiosa pela ‘compensação’ dos aspectos humanos.
Não há salvação meramente interior (subjetivista), meritória (jurídica) e legalista (formal). Somente há salvação em uma práxis concreta, que relaciona o desejo humano e a escuta da Palavra de Deus, frutos da revelação divina [11].
A salvação cristã não consiste em uma operação jurídica de satisfação, mas sim em uma obra existencial de revelação (relação) divina[12].
Conclusão
Como conclusão deste trabalho, entendo que o ser humano é o alvo primordial de Deus em sua ação justificadora. A santificação não quer gerar pessoas mais divinas, mas sim, pessoas mais humanas. A beleza de tudo é descobrir nas limitações humanas a possibilidade da ação do Espírito Santo. Uma Santificação construída a partir da fragilidade humana. Nesse gesto, Deus se mostra o Deus atemporal, pois quando muitas instituições procuram caminhos de exclusão, Deus procura caminhos para inclusão. A santificação não cria um novo deus, mas cria um humano que sabe relacionar-se com Deus e com toda a sua criação.
Essa relação com Deus e com a sua criação demonstra uma santificação prática. Todo gesto de caridade, amor, respeito, compreensão, compaixão, amizade, dialogo, benignidade, domínio próprio, sensibilidade, união é traço do Fruto do Espírito de Deus. E onde este Espírito habita é lugar Santo. Logo, pessoas que manifestam essa santificação prática (cristoprática), são pessoas que, de uma forma intensa, reconhecem a maravilhosa presença de Deus e trabalha isso de forma concreta e linda.
Por fim, aprendo que a santificação é um caminho para a soteriologia. Como Moltmaan afirma na sua obra “Teologia da Esperança” a respeito da salvação e escatologia que tem início no encontro com o Jesus que é Histórico e eterno, entendo que a santificação é um meio, não um fim. Pois está ajuda a humanidade a caminhar seguindo os passos de Jesus. Um caminho de amor e que em tudo e em todos pode transformar maldições em bênçãos, morte em vida. Dar sentindo ao que não tem significado.
É necessário que, como comunidade de fé, aprendamos um caminho de santificação, baseada no Jesus de Nazaré, homem do primeiro século, judeu, que demonstrou o amor de Deus a partir das suas limitações humanas. Era (e é) Deus por ter sido homem. Sua humanidade é que dá sentido a sua divindade. Seu amor de Deus foi manifesto em sua vida terrestre. Sua santificação não era utópica ou discursiva, contudo era baseada no “aqui e agora”, abrindo possibilidades para uma nova vida. Uma vida prática.
[1] MOLTMANN, Jürgen. Paixão pela vida. Aste, 1978,
[2] BONHOENFFER. Dietrich. Discipulado. Sinodal.
[3] LOEWE, Willian. A Guisa de introdução.
[4] RUBIO, Afonso Garcia. Questões introdutórias.
[5] KUNG, Haz. Quem é Cristo?
[6] MOLTMANN, Jürgen. Caminhos e transformações da cristologia.
[7] SCHIAVO, Luiz; SILVA, Valmir. O projeto de Jesus.
[8] www.wikipedia.com.br
[9] RIBEIRO. Claudio de Oliveira. O reino é de Deus: Aspectos para cristologia não-sacrificialista.
[10] A base dessa reflexão é a obra Esse Deus que dizem amar o sofrimento. Aparecida-SP, Ed. Santuário, 2001.
[11] Idem 9
[12] Idem 9.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
"Navegar é preciso, viver não é preciso..."
Há muito tempo ouvi essa frase e passei a pensar muito sobre ela! Pensar em como a minha vida não está em minhas mãos e que não tenho o controle sobre a vida. Onde o novo e inesperado sempre está à porta e na maioria das vezes não pede licença ou até mesmo não bate na porta para entrar. Simplesmente entra.
O ser humano passa a sofrer com essa novidade vigente. Pois tudo o que é novo traz consigo a insegurança e tira das mãos humanas o controle das coisas. Não ter controle sobre a novidade faz com que seja criada uma barreira com a novidade e dificultando que se vive intensamente.
Talvez essa seja um dos motivos pelo qual o ser humano tenta viver o novo a partir do velho. Encaixar as pessoas em um “mundinho” que não existe mais e tentar condicionar ao que era sem observar o que é passa a ser algo freqüente!
A Bíblia mostra um grande exemplo que “não se pode por vinhos novos em odres velhos” (MT. 9.17). Quando se faz isso, o vinho novo estourará o odre velho e se perderá tudo.
Como seres humanos, queremos colocar coisas novas em odres velhos. Queremos viver um novo relacionamento baseado em um antigo relacionamento. Buscamos no novo o velho, encaixamos o novo no velho e por isso que muito das coisas que sonhamos e queremos não dá certo.
Cada ser humano possui a sua individualidade e sua particularidade, e quando dizemos que viver não é preciso é a mesma coisa que afirma que não sabemos o que vai acontecer daqui 2 minutos, pois tudo pode acontecer. E deixar a pessoa entrar em nossas vidas a partir do inesperado é tão difícil, porque tudo pode acontecer.
A vida não é como o navegar em alto mar que se tem um roteiro e um objetivo claro, passos certos a serem dados até determinado alvo. A vida envolve sensibilidade e “feeling”. E quando se consegue isso, é possível curtir o que há de melhor.
Na carta de II Coríntios 5.17 diz “Aquele que está em Cristo é nova criatura, eis que tudo se fez novo”. A partir de Cristo tudo pode ser feito novo, a partir de Cristo tudo é novidade e tudo é maravilhoso.
Cristo é o que fundamenta nossas vidas na novidade e ele traz a certeza de que o novo é maravilhoso. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a certeza das coisas que não se vêem (Hebreus 11.1), nos ajuda a encarar o que é novo a partir da perspectiva de Deus. Isso nos ajuda a quebrar barreiras, trocar odres e renovar as nossas mentes e corações.
O ser humano passa a sofrer com essa novidade vigente. Pois tudo o que é novo traz consigo a insegurança e tira das mãos humanas o controle das coisas. Não ter controle sobre a novidade faz com que seja criada uma barreira com a novidade e dificultando que se vive intensamente.
Talvez essa seja um dos motivos pelo qual o ser humano tenta viver o novo a partir do velho. Encaixar as pessoas em um “mundinho” que não existe mais e tentar condicionar ao que era sem observar o que é passa a ser algo freqüente!
A Bíblia mostra um grande exemplo que “não se pode por vinhos novos em odres velhos” (MT. 9.17). Quando se faz isso, o vinho novo estourará o odre velho e se perderá tudo.
Como seres humanos, queremos colocar coisas novas em odres velhos. Queremos viver um novo relacionamento baseado em um antigo relacionamento. Buscamos no novo o velho, encaixamos o novo no velho e por isso que muito das coisas que sonhamos e queremos não dá certo.
Cada ser humano possui a sua individualidade e sua particularidade, e quando dizemos que viver não é preciso é a mesma coisa que afirma que não sabemos o que vai acontecer daqui 2 minutos, pois tudo pode acontecer. E deixar a pessoa entrar em nossas vidas a partir do inesperado é tão difícil, porque tudo pode acontecer.
A vida não é como o navegar em alto mar que se tem um roteiro e um objetivo claro, passos certos a serem dados até determinado alvo. A vida envolve sensibilidade e “feeling”. E quando se consegue isso, é possível curtir o que há de melhor.
Na carta de II Coríntios 5.17 diz “Aquele que está em Cristo é nova criatura, eis que tudo se fez novo”. A partir de Cristo tudo pode ser feito novo, a partir de Cristo tudo é novidade e tudo é maravilhoso.
Cristo é o que fundamenta nossas vidas na novidade e ele traz a certeza de que o novo é maravilhoso. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a certeza das coisas que não se vêem (Hebreus 11.1), nos ajuda a encarar o que é novo a partir da perspectiva de Deus. Isso nos ajuda a quebrar barreiras, trocar odres e renovar as nossas mentes e corações.
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