sábado, 30 de junho de 2012

“visto que andamos por fé e não pelo que vemos...

O que é fé? Quem tem fé? Quais são as evidências que uma pessoa tem fé? Só os evangélicos tem fé? Todas as pessoas têm fé? Os jovens precisam de fé? Qual é a utilidade da fé? Pra que serve a fé?
Para alguns sociólogos a racionalidade, o progresso e a evolução iriam aniquilar a fé, isso em todas as suas dimensões. Porém, ao contrário das previsões, nunca se viveu tempos de busca da fé, uma carência e busca pela fé. Os negócios estão buscando na espiritualidade um caminho para ajudar o desenvolvimento da organização; se por um lado existe uma decaída dos católicos e um aparente crescimento no mundo evangélico, há, também, um grande crescimento em outras dimensões religiosas.
Não se pode negar que a fé faz parte do ser humano. Mesmo sem grandes definições a respeito de fé, as pessoas precisam lançar fé sobre alguma coisa, sobre algo, portanto não se precisa de religião para se desenvolver a fé.
O jovem, por sua vez, se apoia na fé para conseguir seu crescimento e desenvolvimento pessoal. Independente se essa fé é focada no Evangelho, eles lançam sua fé em diversas situações. Acreditam que a faculdade irá completar a sua vida e o que falta, após alguns meses ou anos percebe que ainda alguma coisa falta. Acredita que é no emprego e numa melhor condição financeira. Ao alcançar isso, percebe que falta alguma coisa. Acha que é num relacionamento estável, no começo é tudo perfeito, mas depois existe uma ausência, mas o que será? O jovem lança sua naquilo que pode garantir alguma coisa.
Nota-se que não precisa de uma Igreja ou uma religiosidade para se desenvolver a fé, haja vista o crescimento dos sem religião. Os jovens lançam sua fé naquilo que pode dar algum tipo de crescimento.
Por outro lado existem aqueles que copiam modelos de fé com o intuito de evitar que suas fobias sejam descobertas ou que consigam vencer todos os empecilhos ganhando o máximo possível com o menos possível. Rouba jeitos e trejeitos. Assumem modelos e formas, mas, mesmo assim, o vazio e incompleto se faz presente. Isso porque a fé não foi assumida ou descoberta, apenas se instalou um molde que pode ser a expressão de um mas de outro.
Outros, por sua vez, são fervorosos por um bom tempo, até o momento em que sua ‘bênção’ chega, quando isso acontece, da mesma velocidade que se aproximou de Deus esse jovem consegue se afastar de Deus. Uma fé baseada em interesses e quando eles são saciados, a fé é deixada de lado. Infelizmente essas pessoas não conseguem perceber que na verdade foram ludibriadas pelo diabo, não com a bênção, mas com aquilo que é incompleto.
A fé também é o mecanismo que alguns usam para conseguir evitar qualquer tipo de frustração. E quando a frustração atropela a vida, muitos jovens preferem sair da Igreja, pois a sua fé não foi capaz de blindar dos males.
Quem já se frustrou? Quem já se decepcionou? Quem já orou, pediu, implorou e o que aconteceu não foi da forma como você estava esperando? Crise de que está clamando e que esse algo que se clama não ouve a voz. Como a fé pode ser útil se Deus não é claro, objetivo e direto em suas respostas para nós? Se de fato ele sabe o que estamos vivendo então por que ele não dá uma resposta segundo uma verdadeira necessidade? Parece que Deus gosta de brincar, manipulando, fazendo joguinhos.
Essa, talvez, seja a percepção que muitas pessoas tem de Deus. Tanto que muitos acadêmicos afirmam que a religião ou a fé é uma válvula de escape para os fracos, pois ela não passa de um ópio anestesiador de ignorantes.
Pois bem, como podemos entender melhor a fé como algo relevante e necessário para os jovens?
A fé não é algo frenético, impulsivo e irracional. Não nos faz animais controlados ou controladores. Como afirma Hb 11.1  “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.”. Se a fé gera essa confiança, não faz do ser humano uma pessoa descontrolada ou um animal irracional.
A fé é esclarecedora. Hb.11.3 “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”. Quando se afirma que a fé é esclarecedora é no sentido de plena confiança no que Deus fará. Não que Ele esteja condicionado aos nossos anseios e petições, mas que algo especial acontecerá! Fé como algo firme e constante independente das evidências, lembrar de Sadraque, Mesaque e Abdenego (Dn 3.15ss)
ü  Fé como confiança.
ü  Certeza mesmo quando há Dúvida honesta.

A Fé como um processo de resiliência. Esse termo é usado pela física pra descrever quando um elemento consegue passar por situações extremas seja de auto ou baixíssima temperatura e conseguir se recuperar. A fé tem essa capacidade como afirma Hb 4.4 Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua . Fé é um ato empírico, isto é, algo que cada pessoa experimenta e afirma quem é Deus. É pela fé que estreita-se a relação com Deus e se conhece Ele mais e melhor.
Quanto mais se conhece do coração de Deus e de seu caráter mais a fé se mostra madura. Lembrando o Salmo 25.14 “Os segredos do senhor são para aqueles que o temem, os quais ele revelerá a sua aliança.
A fé dá sentido para a vida. Não é uma brincadeira de ser religioso, desenvolvendo um ceticismo religioso ou piedoso, tendo uma aparência de fé mas sem desfrutar da beleza que é a fé. A fé genuína não se fundamenta nas pessoas mas num Deus capaz de fazer tudo do nada 2 Cor.5.17 “... Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem”.
Por dar sentido a vida existe uma dedicação total naquele que realmente é importante. Para de se fazer uma fezinha num sistema religioso - ter fé que o time será campeão da libertadores – livra-se do espírito de superstição e uma fé voltada ao Senhor.
Não basta crer em Deus, pois isso ate os demônios fazem (melhor do que as pessoas Tg 2.19). Quanto mais sabemos quem é Deus mais nossa fé ganha maiores proporções. Não vacilamos de um lado ao outro como Paulo afirma aos galácios (Gl 1.4). Quem conhece Deus consegue descansar nele.
A fé é aquilo que lança o ser humano ao encontro do seu criador. E quando isso não acontece existe um vácuo com a sensação de irreparável. Fé é o sentimento que nos faz iniciar um êxodo a saída de mim mesmo, do meu egoísmo com o propósito de me fundamentar no totalmente outro. Não adianta dizer que tem fé em Deus. Isso não é suficiente é preciso algo a mais.
A linguagem da fé tem o potencial de criar e transforar a realidade. Logo, um/a jovem que vivencia sua fé em Jesus de modo sincero e intenso consegue vivenciar os dramas da vida de uma maneira diferenciada 2 Cor 4.8-13.

[Pregação na Igreja Metodista em São Mateus no dia 30 de junho de 2012].

terça-feira, 26 de junho de 2012


[mensagem pregada no culto de oração na Igreja Metodista em Guaianases no dia 26 de junho de 2012]


Culto de Oração e Libertação IM Guaianases
Juizes 17
1 Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica, 2 o qual disse a sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te foram tirados, por cuja causa deitavas maldições e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então, lhe disse a mãe: Bendito do SENHOR seja meu filho! 3 Assim, restituiu os mil e cem siclos de prata a sua mãe, que disse: De minha mão dedico este dinheiro ao SENHOR para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição, de sorte que, agora, eu to devolvo. 4 Porém ele restituiu o dinheiro a sua mãe, que tomou duzentos siclos de prata e os deu ao ourives, o qual fez deles uma imagem de escultura e uma de fundição; e a imagem esteve em casa de Mica. 5 E, assim, este homem, Mica, veio a ter uma casa de deuses; fez uma estola sacerdotal e ídolos do lar e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote. 6 Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto. 7 Havia um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e se demorava ali. 8 Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá para ficar onde melhor lhe parecesse. Seguindo, pois, o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, até à casa de Mica. 9 Perguntou-lhe Mica: Donde vens? Ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de Judá e vou ficar onde melhor me parecer. 10 Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez siclos de prata, o vestuário e o sustento. O levita entrou 11 e consentiu em ficar com aquele homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos. 12 Consagrou Mica ao moço levita, que lhe passou a ser sacerdote; e ficou em casa de Mica. 13 Então, disse Mica: Sei, agora, que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote.

Normalmente o Livro de Juízes é lido apenas até o capítulo 16 com a morte de Sansão. Mas existem pelo menos dois fatos importantes neste livro. Mesmo com suas complexidades e dificuldades interpretativas, nota-se a sua importância dentro deste bloco. É um texto complicado de ser decifrado, interpretado e aplicado ao cotidiano da caminhada cristã, haja vista suas ambiguidades, mas é possível descobrir alguns indícios que nos ajudam nesse processo.
Esse texto conta a história de Micas, um homem que havia roubado de sua mãe mil e cem siclos de prata. Parece que sua mãe não sabia que ele havia feito isso, por isso amaldiçoou quem havia pego. Parece que Micas era um homem muito supersticioso, pois fica preocupado com a maldição que a mãe havia lançado e resolve devolver o dinheiro que havia roubado. A ação de sua mãe é em abençoar a vida de Micas, por ele ter feito o que era certo. Todavia, algo estranho acontece novamente. A mãe dá um dinheiro para um ourives a fim de que ele faça uma imagem a Micas e ele coloca essa imagem em sua casa. O que poderia representar essa imagem? Um sinal que ele havia roubado a mãe e aquela imagem era uma estátua da sua vergonha e reconciliação? Um amuleto da sorte?
Uma coisa passou a desencadear outras coisas. Micas (que significa quem é como o senhor?) fez uma casa de deuses, fez uma estola sacerdotal e ídolos e consagrou um dos seus filhos para que fosse o sacerdote. Em outras palavras Micas abriu sua própria Igreja, sua própria religião. O verso 6 dá uma ‘luz’ do que poderia estar acontecendo. Por não ter rei em Israel, as pessoas faziam o que queriam, o que achavam certo ou mais reto. Não havia critério, pois o povo havia se distanciado da essência dos mandamentos de Deus.
O texto apresenta um jovem levita que estava meio sem rumo, procurando um lugar para ficar ou, em outras palavras, um emprego. Esse homem havia saído de Belém de Judá, procurando um local que poderia ganhar a vida. Até que um dia chegou até a casa de Micas. Ele pergunta para o moço para onde ele vai e de onde ele vem. É interessante que a pergunta começa como futuro e, depois, o passado. Mostra que saber aonde se quer chegar é um elemento muito importante. O rapaz responde primeiro a segunda pergunta. Diz quem ele é – um levita (mas que tipo de levita?) – saiu de Belém de Judá e vai ficar aonde lhe parecer melhor, aonde ele querer, aonde ele ganhar mais. Parece um jovem sem rumo e sem fronteiras. Aonde conseguir mais lucro é ali que ficará.
Parece que Micas entendeu o que o levita sem nome queria. Micas faz uma proposta para o levita. Se ele ficasse, seria tido como pai e sacerdote, ganharia 10 siclos de prata por ano mais alimentação e moradia. O que um sacerdote costumava ganhar naquela época era no máximo 10 gramas de prata por ano, o que Micas oferece era 11,4 x 10 por ano, isto é 1quilo e 140 gramas por ano, o levita ia ganhar em um ano o que demoraria para ganhar em 10 anos. O texto não fala o nome deste levita, sua relação com Deus, apenas um elogio em boca própria, uma identidade que talvez se comprovasse nas aparências, nas evidências, mas só isso.
Talvez Mica de tão supersticioso o que queria era apenas um amuleto da sorte, um sacerdote que fizesse o que ele quisesse, falasse o que era bom aos ouvidos. E o levita, por sua vez, estabeleceu um preço para si mesmo. O levita analisa a proposta e aceita. É consagrado ou aceito por Micas e por sua casa. A convicção de Micas é que nada de ruim poderia acontecer porque sua religião estava completa. Ele tinha um templo, tinha estatuas de deuses e um sacerdote, para ele estava tudo completo e o Senhor iria abençoá-lo.
Paralelamente a isso existia a tribo dos danitas que procuravam uma terra para habitar. Mandaram 5 guerreiros para pesquisar um lugar que pudessem conquistar. Eles chegaram até a casa de Micas e pernoitaram por ali. Ouviram a voz do levita, talvez tenha reconhecido o sotaque dele e perguntaram o que tinha acontecido para ele estar ali com aquele povo. Ele diz o que aconteceu e que Mica o assalariou e ele era por sacerdote de Mica. Os homens pedem uma consulta se a viagem daria tudo certo. O levita responde, rapidamente, ide em paz que o Senhor está contigo. Não aparece nenhuma consulta a Deus ou algum ato religioso ou litúrgico, apenas uma palavra de imediato. Característica de profetas do rei, isto é, falam apenas o que o rei quer ouvir, sem nenhum temor ao Senhor.
 Os homens saem e encontram uma terra chamada Laís. Viram que o povo que estava lá era seguro, viviam em paz e confiantes. Uma terra prospera.
Mas havia um problema, esse povo não tinha alianças com nenhum império da época. Mesmo assim o povo era fértil e próspero, mas, por outro lado, não tinha como se proteger, pois não era um povo voltado para a guerra. Os danitas viram a terra e acharam boa. Voltaram para sua casa avisaram o seu povo, juntaram 600 guerreiros e foram conquistar a terra de Laís.
Antes de irem até a terra almejada, pararam na casa de Micas e pegaram as imagens de escultura de Micas e fizeram uma contra proposta para o levita, que de imediato aceitou, pois iria ganhar mais dinheiro e mais status. Micas tenta buscar o seu levita e suas imagens, mas percebe que se lutasse morreria e não luta por causa disso, volta para a casa sem nada.
Os homens chegam até a terra de Laís. Matam todas as pessoas, queimam tudo e, por fim, levantam tudo de novo, segundo os seus critérios. Tiveram seus sacerdotes, seus profetas e as imagens de Micas ficaram até o tempo em que o povo foi preso cativo.

Alguns princípios rápidos.

I – Falta de caráter não é de hoje.

II – Tem medo, mas não tem vergonha.

III – A idolatria é sedutora e dá aparente segurança.

IV – Nada caminha num espírito anarquista.

V – Oportunistas se aproveitam de aproveitadores.

VI – Vinculo financeiro não garante nada.

VII – Existem prejuízos que são irreparáveis.


São temas que podem ser trabalhados. Mas espera-se que esses princípios auxiliem na trajetória cristã pessoal, rumo a uma vida coerente com o Evangelho.

domingo, 17 de junho de 2012

Missão: Parte II



Igreja metodista em Guaianases – Culto Vespertino
Missão: parte 2

26 Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; 27 depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. 28 A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. 29 E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa. 30 Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31 É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; 32 mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra. 33 E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. 34 E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

Quinta-feira andei de trem para ir até a Igreja da Luz. Foi um tempo ímpar em minha trajetória cristã, pois, depois de muito tempo, pude prestar atenção nas pessoas. Foi o trajeto de Guaianases até a Luz. E entre esses dois pontos muitas coisas interessantes aconteceram.
Ao entrar no trem, na ida, não estava tão cheio. Era possível ouvir até ‘um’ certo silêncio no ar, no qual descrevia a labuta de cada trabalhador/a. Eu lia. Até que do nada surgiu uma voz protestando: como os homens impedem aquilo que O Grande salvador mandou fazer? Eles não deixam mais dar esmola. Mas a Bíblia diz que temos que dar esmolas para as pessoas. É um absurdo! Os homens tentam desmandar o que Deus mandou! Eu não admito isso que a ordem de Deus seja engolida por uma ordem humana! Se Jesus mandar dar esmolas, temos que dá. O Lula quando era pobre pedia esmola, agora que é presidente não deixa mais! Isso é um absurdo! Foi assim entre o Tatuapé e a Luz. AS pessoas a princípio não falaram nada, mas depois de certo tempo, a paciência se foi e já passaram a detestar a ideia de dar esmolas. O tal ‘homem da esmola’ foi falando do trem, desceu as escadas, subiu as escadas, indignado com a proibição de esmola. Na volta a surpresa foi outra. Estava lendo meu livro, ainda na plataforma. Num segundo sozinho, noutro rodeado por dezenas de pessoas. A expectativa fluía pelos poros. As vozes se misturavam, mas, ao mesmo tempo, fazia um grande volume de vidas em tangência. O trem se aproxima, as pessoas param de fazer o que estavam fazendo e esperam a parada do trem. Ele passa direto.

A ansiedade aumenta. Cadê o outro trem? Era a pergunta que gritava nos ruídos. Ouve-se um som. O trem chegou. Fechei o livro e me preparei para entrar. Quando o grande veículo ferroviário parou nem precisei impulsionar minhas pernas, apenas me controlar para não cair, pois o movimento estava por conta das pessoas que estava em desespero para sentar e dormir um pouco. Entrei e, quase que milagrosamente, sentei. Re-abri meu livro e voltei a ler a história de Melochio. Rapidamente o veículo estava lotado. As vozes ficaram mais altas e intensas. E, diante de todo esse barulho, ouvi nitidamente o Senhor falar: feche o seu livro e ouça as pessoas. Levantei a cabeça e passei a observar as pessoas que estavam ali comigo. Do meu lado esquerdo havia um corinthiano, falando com um amigo tricolor e outro do mesmo time, de suas expectativas para quarta-feira. O tricolor parecia que não estava mais ali, pois ouvia o seu time num rádio. Do lado direito havia outro homem sentando, no chão. Cansado, esgotado, parecia que tinha sido pisado pelo dia, mas depois de tanto esforços havia vencido. Em minha frente havia uma moça, preocupada com a família (essa falarei mais adiante). No meu lado esquerdo, em pé e desconfiado, um homem que havia assumido sua feminilidade, só que desconfiava de todas as pessoas a sua volta, afinal de contas, todas são suspeitos/as em potencial por causa de um preconceito desenfreado e demoníaco. Do lado direito, em pé, chamando a atenção de todo o vagão, algumas meninas que faziam questão de mostrar que tinham uma vida sexualmente ativa, que eram desejadas, que faziam o que queriam, que tinham um encontro com pelo menos
um cara, logo um processo de auto afirmação. Além dessas pessoas existiam tantas outras que descreviam em suas faces o anseio de chegar em suas casas e se prepararem para outro dia de enfrentamento. Mas sabe aquela moça que estava em minha frente? Ela estava com problemas familiares, pelo menos é o que parecia pela sua conversa no telefone (eu só tinha uma parte da ligação), estava em desespero querendo chegar logo em casa. Olhei para ela e disse: fique calma, as coisas vão se ajeitar. Ela respondeu: não tem opção de ficar calma nessa situação. Eu (não sei bem se eu mesmo) respondi: sempre há uma opção. A partir disso começamos um diálogo. Ela disse de sua família, sua irmã, cunhado, pai, mãe e vó, do seu trabalho e que estava aflita porque estava para chegar em casa e uma guerra estava em pleno vapor. Disse que estaria em oração por ela, ela disse que estava mais em paz. E partimos...

Deus me ensinou que meus olhos precisam estar atentos para a realidade das pessoas. Prestar atenção nos detalhes de cada uma delas e fazer missão a partir daí. As vezes queremos ir para lugares diferentes, longínquos, pensando que são nesses lugares que Deus fará a sua missão. E nessa limitação humana esquecemos que a missão de Deus acontece na caminhada pausada de passo a passo em direção das pessoas no mundo.
O termo missão é entendido, na maioria das vezes, como o deslocamento de uma pessoa ou um grupo para um lugar específico; um ponto iniciante de pregação que tem como proposição fundante e principal a missão e conversão de pessoas ao Evangelho. Depois de tempo, o ponto de pregação ‘vira’ igreja e o processo de constituição e de estabilidade parece que muda o foco missionário.
Conceitualmente a Igreja Metodista é conhecida como missionária, afinal de contas ela diz “o mundo é a minha paróquia”. Todavia a pergunta ressoa: Missão pra que? Será que pensar em Missão é só nos que estão fora? Mas quem tá fora? Quem está dentro? Será que não existe muitas pessoas tidas como ‘dentro’ que precisam receber na Missão? Quando a missão começa? Quando ela acaba?
O evangelista tem um jeito especial de descrever suas duas parábolas. Ele afirma que a conversão acontece quando a semente encontra a terra, ela acaba apenas quando a foice da morte chega e acaba com ela. Mesmo assim, os frutos ficam.
Cada parábola tem algo em especial. Na primeira parábola define o que é o reino de Deus (assim é o Reino de Deus), na segunda parábola Jesus aponta um novo paradigma (como comparamos o Reino de Deus).
Hoje, O que se esperamos do Reino de Deus? Justiça, Paz, Amor, Felicidade, Saúde, Prosperidade, etc. Parece que esses elementos são tão complicados em um mundo como o nosso aonde uma laranja pobre estraga todas. Será que isso se aplica ao Reino de Deus? Ele foi estragado?
Num primeiro momento Jesus define o que é o reino de Deus, o mesmo termo que se utiliza para o fruto do Espírito, isto é ‘estin’ (é). A ilustração que Jesus escolhe para descrever é de um homem que semeia. É uma parábola estranha porque não segue a ordem necessária do crescimento, mas, mesmo assim, o reino se propaga de um jeito incomparável. Jesus deixa claro que todo o crescimento não depende da ação humana. O ser humano tem apenas uma função: semear.
No segundo exemplo, no qual Jesus compara o Reino de Deus, ele usa a mostarda. Por que Jesus usou essa ilustração?


É interessante que diante de tantas sementes ele escolhe a menor de todas e, mais do que isso, a que era tida como praga, que precisava ser sempre cortada, porque se não tomava conta de toda a plantação. Uma pequena semente poderia fazer um grande estrago. No exemplo de Jesus ela fica grande, coisa que nenhum ‘pé’ de mostarda ficava. De tão grande faz sombra para os pássaros dos céus. Logo se transforma numa grande árvore (algo impossível para uma hortaliça). Se o propósito de Jesus era impactar, ele conseguiu.

I – Minha função é lançar a semente.
Só damos aquilo que temos. Se não temos a semente não tem como o reino crescer automaticamente. Não é por méritos humanos ou tecnológicos. Se existe mérito é todo de Deus. Lançar a semente e descansar. Todo o processo de crescimento e desenvolvimento é feito pelo próprio Deus. Isso classifica o que o Reino é: é ação de Deus com cooperação humana.

II – O Reino supera não tem padrão.
O texto afirma que o Reino é comparado com a praga das mostardas que além de pequenas e irrelevantes, elas quando nascem dominam tudo e supera todas as expectativas. Que de tão intensa não se padroniza a nada! Quebra estereótipos e se torna uma praga para tudo o que ofusca a vida. É tão simples que passa despercebido por muita gente, mas quando se revela torna-se lugar de refugio e abrigo. O reino de Deus não se compara com aritmética, mas, sim, com a biologia.

III – A mensagem de Jesus é compreendida?
 O evangelista deixa descreve o cuidado de Jesus em falar de um modo que as pessoas pudessem entender, por isso ele utilizava de parábolas e o zelo em explicar os detalhes para os seus discípulos. A missão acontece quando o indivíduo entende sua tarefa e responsabilidade diante da vida. Jesus utiliza-se de parábolas para se ser compreendido pelos seus seguidores. Preocupação para todos entenderem e o cuidado de explicar os detalhes para os discípulos.