quinta-feira, 17 de maio de 2012



1 Era, então, Jefté, o gileadita, homem valente, porém filho de uma prostituta; Gileade gerara a Jefté. 2 Também a mulher de Gileade lhe deu filhos, os quais, quando já grandes, expulsaram Jefté e lhe disseram: Não herdarás em casa de nosso pai, porque és filho doutra mulher. 3 Então, Jefté fugiu da presença de seus irmãos e habitou na terra de Tobe; e homens levianos se ajuntaram com ele e com ele saíam.4 Passado algum tempo, pelejaram os filhos de Amom contra Israel. 5 Quando pelejavam, foram os anciãos de Gileade buscar Jefté da terra de Tobe. 6 E disseram a Jefté: Vem e sê nosso chefe, para que combatamos contra os filhos de Amom. 7 Porém Jefté disse aos anciãos de Gileade: Porventura, não me aborrecestes a mim e não me expulsastes da casa de meu pai? Por que, pois, vindes a mim, agora, quando estais em aperto? 8 Responderam os anciãos de Gileade a Jefté: Por isso mesmo, tornamos a ti. Vem, pois, conosco, e combate contra os filhos de Amom, e sê o nosso chefe sobre todos os moradores de Gileade. 9 Então, Jefté perguntou aos anciãos de Gileade: Se me tornardes a levar para combater contra os filhos de Amom, e o SENHOR mos der a mim, então, eu vos serei por cabeça? 10 Responderam os anciãos de Gileade a Jefté: O SENHOR será testemunha entre nós e nos castigará se não fizermos segundo a tua palavra. 11 Então, Jefté foi com os anciãos de Gileade, e o povo o pôs por cabeça e chefe sobre si; e Jefté proferiu todas as suas palavras perante o SENHOR, em Mispa.

Não poucas vezes queremos saber da procedência das pessoas. Saber de onde ela vem; filha de quem; etc. As pessoas fazem isso porque existe aquela senso comum, que não é impecável, que diz que 'filho de peixe, peixinho é', ou 'se não parece com o dono é roubado', dentre tantas ditos populares. Existe algo complexo dentro disso tudo existe, pois nem todo filho/a de famílias tidas como estruturas criam pessoas estruturas, muitas vão para a marginalidade, crime, etc.; nem todo/a filho/a de pessoas que moram nas margens da cidade se transformam em marginais, grande parte dessas pessoas conseguem dar a volta por cima de suas vidas.

A Bíblia não esconde isso. O texto bíblico conta a história de um homem chamado Jefté. O início do texto é lindo ao afirmar que ele era um homem valente, corajoso, cheio de qualidades e virtudes que precisava para um grande homem. Contudo existia uma mancha na história de Jefté.
Talvez, mais do que isso, sua procedência era de péssima qualidade. O texto não esconde que o pai de Jefté, que era da tribo de Gileada, era casado, mas paralelo ao seu casamento teve uma relação com uma prostituta que ficou grávida, sendo esta a mãe de Jefté.
Como ele era o primogênito de uma outra mulher, Jefté tinha direitos como os demais filhos de Gileada. Contudo, num exato momento de sua vida, seus irmãos não aceitavam aquele bastardo como parte da família e o maltrataram tanto a ponto de sair da casa de seu pai e ir para uma terra aonde o roubo era uma profissão normal, espécie de pirataria.
Jefté inicia sua carreira no crime. Para essas ações o que não falta é amizade e pessoas para incentivar. Logo formou um bando e seu empreendedorismo ia de vento e poupa.
Depois de um tempo sua terra natal entra numa crise terrível. Parece que eles não tinham subsídios suficientes para lutarem contra os seus adversários. A pessoa que eles pensam para ajudar é Jefté, o bastardo que havia sido chutado do seu meio, mas, afinal de contas, ele era um homem muito forte e guerreiro e poderia ajudar seu povo nesse embate.
É nessa tensão de lutas e embates, problemas e tensões que Jefté retorna para sua terra natal. A Bíblia se torna inigualável ao passo que não esconde os problemas que assolam as pessoas e suas famílias. Mostra que um homem, líder de uma terra se envolve com uma prostituta e que seu coito resulta num filho indesejado. O que será que passava na mente de Jefté? Quantas feriadas familiares ele tinha?

O que a história de Jefté pode nos alertar?

I – Nossas virtudes sucumbem por nossas mazelas.
O texto bíblico relata da força de Jefté, de como ele era forte e guerreiro. Uma pessoa diferenciada, porém, as pessoas, que eram seus familiares olham apenas para suas mazelas. Percebem que:
  • Ele era filho de uma prostituta;
  • Um bastardo;
  • Poderia dar prejuizo para a família
  • Era sinal de vergonha da família.
É Bonito ver que as pessoas ressaltavam as manchas, e o mais doloroso é que são os próprios familiares. Pessoas que eram para acolher desprezam.
Isso é uma constante em nossos dias, famílias que estão destruídas por viverem sobre a opressão do dinheiro e por não liberarem perdão ou por acusarem a pessoa por um erro que não foi culpa dela e que é irreparável.
Quais são as acusações que permeiam sua história?
Você não consegue enxergar virtudes em você?
Lembre-se que por mais que sejamos abandonados/as Deus nunca nos abandonará e fortalecerá em todas circunstâncias.

II – Fugimos na tentativa de nos encontrar.
Jefté após ser rejeitado por sua própria casa e família, tem uma reação bastante humana: foge. A sua fuga talvez retrate sua tentativa de se encontrar e ser encontrado por alguém.
Na vida sempre que somos rejeitados, em qualquer área, buscamos ser aceitos a qualquer custo e preço. Tentamos encontrar um lar, um lugar que podemos nos sentir bem. Mas, na maioria das vezes encontramos um 'ombro' amigo aonde não deveríamos encontrar, mesmo assim, saciamo-nos com isso, afinal de contas não somos mais rejeitados.

Quantas vezes ao invés de ser um lugar de refrigério e descanso nos tornamos na encarnação da rejeição?

III – O que não falta é gente interesseira.
Os irmãos que haviam expulsado agora vão atrás de Jefté, pois sabem do seu poder e só seu valor na guerra. Não pensam duas vezes e vão atrás de Jefté.
  • Não escondem que não sentem nada por ele;
  • Não escondem que são interesseiros;
  • Estão dispostos a tudo para conseguir o que querem.
Dói muito perceber que as pessoas não percebem o que existe de melhor em nós e só tem interesses em nós. Quantas vezes nossos relacionamentos não são fundamentos em interesses mesquinhos e personalistas?

IV – Cuidado para não ter uma vida de autoafirmação!
Jefté ao perceber as intenções dos seus familiares, o que ele mais que é se autoafirmar, isto é, provar para eles o que ele não era e o que ele era.
Muitas pessoas vivem freneticamente querendo provar para todas as pessoas o que são ou deixam de ser. Filhos/as que querem mostrar que são bem sucedidos para sanar um espírito vingativo que está alojado em sua alma. Pais que querem se autoafirmar com sua imposição e autoritarismo. Casais que estão desajustados por viverem num espírito competitivo.
Não precisamos provar nada pra ninguém, nem nos meter em situações para mostrar o que somos capazes. Pessoas que vivem assim estão desestruturas e precisando de ajuda.

Por fim qual é a situação de nossas famílias? Estamos numa condição parecida com a de Jefté ou de seus familiares? O que precisa ser tratado por Deus? É possível, por mais difícil que esteja a vida ser restaurado e nossa história mudada.
O fim de Jefté, segundo a Bíblia, não é tão bacana. Nesse desejo desenfreado de dar certo ele acabou perdendo o que tinha mais valor, sua família/filha. Temos que ter o cuidado para no impeto de provar que demos certo não ter perdido o que temos de mais valor: nossa família.
Como diria o outro: um sucesso profissional ou ministerial não justifica um fracasso familiar.

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