[Sermão do culto de ação de graças da irmã Maria].
O que representa completar mais um aniversário? Alegria? Prejuízo? Felicidade? A festa de aniversário é a comemoração de alguma data muito importante! Só lembramos o aniversário de alguém que é relevante em nossas vidas. Ligamos para pessoas que transformaram, transformam ou transformarão nossas vidas. Que participam efetivamente de nossas vidas.
No aniversário queremos presentear o aniversariante. Comprar um presente não é nada fácil, haja vista que queremos surpreender a pessoa amada, tirar um sorriso, marcar a vida de um modo especial. Quando não temos dinheiro, utilizamos de palavras para expressar o que sentimos, descrever nosso amor e tudo o que esperamos e queremos que se concretize na vida dessa pessoa.
Se por um lado o aniversário envolve pessoas além do próprio aniversariante, por outro lado, o aniversariante vive dias, e de modo especial, o dia da celebração, um tempo diferenciado. Quando se é criança se vive apenas o lado bom, isto é, um tempo muito intenso de alegria, surpresa e expectativa misturada. Porém, quando se é adulto, não existe presente que substitua sensações mescladas como a: reflexão, a preocupação e a crise.
Reflexão porque se pensa aonde se está? Como chegou nesse lugar? Se é uma pessoa frustrada? Alguém triste? É a hora que se pensa no que se ganhou, no que se perdeu. A equação se forma, e quando os resultados são avaliados negativamente, a sensação de frustração toma grandes proporções dentro da gente.
Preocupação porque talvez não se viverá a mesma quantia do que já se viveu. Quando uma pessoa tem 10 anos, espera-se, naturalmente, que ela viva pelo menos 8 vezes mais do que já se viveu. Uma pessoa de 40 anos, espera-se, pelo menos, que viva o dobro do que já viveu. Porém, quanto mais os anos se alongam, maior é a sensação de que não dará para viver o mesmo tanto do que já se viveu. Aí o sentimento de perda de tempo, de medo pelo inesperado, incertezas tenebrosas, etc.
CRISE é aquele sentimento que coloca em cheque a alegria. Isso porque a crise é constituída por, no mínimo, duas variáveis. De perigo (tensão, problema, dificuldade) e da oportunidade (aquele momento que mudará de modo significativo nossas vidas). O perigo pode intimidar e consequentemente nos imobilizar. Porém, ao passo que se faz da crise uma oportunidade de crescimento e amadurecimento, muitas coisas são mudadas e/ou transformadas.
É nessa direção que completar mais um aniversário pode ser algo muito positivo. É a hora de por o ponto final em algumas situações, e escolher assumir novos rumos. O texto de Filipenses afirma esse princípio e caminha nessa mesma direção.
A carta aos Filipenses é bastante complexa. Se por um lado fica claro o amor que Paulo tinha por essa comunidade, sua ênfase em viver, seguir e morrer alegremente com Jesus, por outro lado, Filipenses foi uma Igreja que causou muita tristeza na vida de Paulo. Ele poderia, ao invés de escrever uma carta pautada na alegria, escrever uma carta dura com a palavra chave rancor.
Paulo quer terminar sua trajetória pois sente que foi cativado por Jesus e não quer deixar que a atitude de amor de Cristo seja em vão, pelo contrário, que ele produza frutos.
Todas as pessoas que vivem no proposito de santificação contínua tem em si esse sentimento de constante aperfeiçoamento, de uma busca constante para alcançar o alvo que lhe foi proposto.
Só que existem aquelas pessoas que acham que estão bem, que não precisam alterar nada em suas vidas, consideram-se perfeitas, que são boas o suficiente, etc. O texto afirma que não será o Espírito Santo que ministrará sobre essa pessoa. Não é por força nem por poder, mas pelo Espírito do Senhor (Zacarias 4.6).
A proposta de Paulo é andar conforme o que já se alcançou. Nada menos e nada além. Isto é a essência da humildade. Ser humilde não é ser tomado pela auto imagem 'coitado', porém não é perder as ambições dos sonhos. Nada menos, nada a mais do que se é.
Paulo se coloca como modelo. Padrão de vida cristã; Fala para as demais pessoas observarem os que optaram em caminhar com Jesus. São pessoas que podem ser cobradas e exigidas.
Já no tempo de Paulo existiam àquelas pessoas que estavam na Igreja, faziam parte da comunidade, diziam-se pessoas convertidas, mas, ao contrário, eram pessoas consideradas inimigas da cruz de Cristo. Paulo ao afirmar isso não fala com alegria, mas chorando, com muita tristeza. Talvez por ter em mente que a conversão verdadeira desse tipo de pessoa seja algo muito complicado, isso por elas se considerarem auto-suficientes.
Paulo deixa claro que o destino dessas pessoas, aquilo que esta reservado para elas é a perdição, (por serem filhos do filho da perdição). Deve ser terrível a sensação de estar perdido, principalmente quando se faz parte de uma comunidade. Ter preocupação miserável, com aquilo que tem fim.
Nessa mesma direção, Paulo chama às pessoas que tem uma experiência com Jesus para lançarem seus olhos para a pátria que as aguardam. Muitas pessoas estavam se corrompendo para terem a cidadania romana. Essas pessoas achavam que a pátria humana é muito melhor do que a pátria que os aguardam no céu. Deixar de ser escravo, conseguir aceitação da sociedade era a prioridade de algumas pessoas. Sendo assim, Paulo exorta para que as pessoas tenham em vista aquilo que realmente importa.
Deus tem o poder de subordinar a si todas as coisas, logo até o corpo humilhado e mutilado de muitas pessoas que estavam na glória, seriam transformados, renovados, refeitos. A palavra de ânimo de Paulo para essa comunidade era para não deixar se corromper, não se colocar à venda para as influências mundanas, para não terem ou viverem um falso evangelho.
A palavra de Paulo é para que além de firmes a Igreja precisa da alegria como característica nata. Por mais que as coisas não estejam conforme se queira, com um certo aspecto de desarrumado, mesmo assim, a vida tem que caminhar nos trilhos do amor sob a influência da alegria, tendo em vista a honra (coroa) que se conquistará.
Comemorar aniversário é uma dádiva. Podemos aproveitar desse tempo para repensarmos algumas situações da vida, e como temos nos comportado diante dos embates da lida. Nessa direção o texto tem muito a acrescentar.
I – Não pense além ou aquém do que você é.
Paulo propõe para a Igreja uma postura de humildade. Ele desafia as pessoas a valorizarem o patamar que já chegaram. As conquistas, as vitórias, não com cabeça baixa, pelo contrário, com honra e alegria de chegar aonde chegou.
II – Não seja refém do passado.
O passado serve como aprendizado. Na Bíblia a ideia de esquecer tem um sentido diferente. Não é possível deletar o que foi.
Todas as dores, toda a humilhação que Paulo vivenciou naquela comunidade poderiam ocupar muito espaço na vida em sua vida. Paulo escolhe não olhar para as coisas do passado, ele sabe que não dá para formatar a CPU, mas é possível decidir que os olhos sejam lançados para frente.
O termo 'evpilanqano,menoj' (esquecendo) um verbo no gerundio, isto é, uma ação contínua, sem um fim determinado, que está acontecendo. Tentar esquecer o que não se muda um dia por vez. Por outro lado, a cada dia é a tentativa de alcançar o que se pretende, chegar aonde se almeja, continuar caminhando.
III – Nunca é tarde para Querer!
Paulo tem um alvo, um objetivo. Sabe aonde quer chegar. Por ter bem esclarecido seus objetivos, Paulo sabe que se apegar ao passado não irá agregar nada em sua vida, só vai subtrair. Assim, olhar para os novos alvos alimenta a vontade de persistir, querer.
São as coisas que estão adiante que ele procura alcançar. É uma ação contínua porque ele tem clareza que não tem como mudar o que se foi, mas pode mudar o que será! A cada dia é um dia de superação, a cada dia é a chance de esquecer e superar o passado! Quais são as suas metas pessoais e ministeriais?
IV – Cuide para não ser inimigo/a da Cruz de Cristo.
Com lágrimas nos olhos Paulo afirma que existe na Igreja pessoas que são inimigas da Cruz de Cristo. Pessoas que desconhecem a experiência com o Espírito Santo. Ele traz à tona quando foi a última vez que ouvimos e sentimos o toque de Deus.
V – Permaneça perseverando apesar das circunstâncias
A ênfase é persevere e permaneça perseverando, mas isso tudo com alegria. Por vezes a vontade é de jogar tudo para cima, abrir mão, porém Paulo nos alerta para não deixar a peteca cair. Permanecer é uma postura de fincar os pés e não deixar ser abalado pelos problemas. A ideia sugerida por Paulo é: Fique os seus pés na perseverança em caminhar ao lado de Jesus. Por mais que soe loucura, ou que as perdas são muito maiores que o lucro, firmar um propósito em ficar com Cristo é a melhor decisão que se pode fazer diante das circunstâncias.
Tempo de aniversário é assim, nos faz refletir que muitas coisas ficaram para trás, algumas que gostaríamos de esquecer, outras que sustentam nossa experiência. A Bíblia nos adverte a não pensar além nem aquém do que somos, não ficar apegado ao passado, a sonhar e gostar de querer e desejar o crescimento, cuidar para não ser inimigo da cruz de Cristo e, por fim, permanecer perseverando, tendo em vista que o Senhor fará maravilhas por nós e em nós.
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