Eu tirei férias, acredita? Foram quase 30 dias. Fiz um monte de coisas, mas, ao mesmo tempo, fiz quase nada. Acho que esse é o mistério das férias: diante de um monte de coisas, que normalmente não se pode fazer (ou porque não tem tempo, ou porque não sobra tempo, ou porque se é desorganizado, etc.), enfim, férias, eu fiquei de férias.
Pude dormir tarde e levantar mais tarde ainda. Fazer nada o dia inteiro. Ler o que eu queria, quando queria e se queria. Nada de leituras obrigatórias que poderiam ser classificadas de: gênero desnecessário. Essa vida de 'maraja', de ócio puro, de preguiça divina, aconteceram apenas até o décimo quarto dia. Depois, viajei! E foi nesta viagem que pude descobrir o que Deus queria me ensinar. Perólas que carregarei pela vida toda.
Fui ver pessoas especiais que há tempos não via. Redescobri a importância de estar perto das pessoas que amamos. Notei que a saudade é alimentada pelos mais nobres sentimentos. Que a ausência se torna relevante pois evidencia quem, de fato, é insubstituível na vida. Nessas férias pude relembrar o que é estar com que se quer estar, e que a presença de Deus se faz para além da mémoria e das lembraças. Talvez a história, em alguns contextos, é algo tão desnecessário, e, talvez, por causa disso, é digna de ser esquecida. O que importa mesmo é a história que está sendo contruída naquele exato momento, mas que será apagada e esquecida após alguns minutos. Isso não aconteceu de propósito, foi uma cilada da vida. Uma circunstância irremediável, e, infelizmente, crônica. Esse esquecimento, quase demoníaco, torna-se santo a partir do instante que a história que se faz naquele exato tempo-presente-eterno é tão significante quanto qualquer outra história já vista e construída. Vale mais que qualquer passado intocável.
Nessas férias aprendi que um conto, mentiroso ou não, pode ser a única coisa a ser dita para uma pessoa que não quer ser esquecida como ela já esquece. Não importa se os fatos estão todos enrolados, ou que aquilo nunca aconteceu, o que importa é sentir uma mão segurando bem forte a sua mão, ter olhos fitos nos olhos e tempo para se viver juntos, sem pressa e sem demora. Curtir o que será passado sem nunca ter sido presente ou rabiscado para o futuro.
Um fato revelador se fez nesse tempo de distância do mundo organizado. Pude aprender o que é servir. Fui intruído pelos mais variados sábios. Aqueles mesmo que fizeram suas faculdades na vida, seus mestrados nas necessidades do dia-a-dia, e seu doutorado nas perdas incomensuráveis. Ah, como me ensinaram, estes tais sábios! Como que na singeleza desfrutei de tanta riqueza. Ah, valioso amor! Ah, incondicional atenção! O que seria a vida sem vocês? Os meus grandes mestres foram aquelas pessoas que, para muitos, pouco poderia ensinar. É, talvez seja por isso que esses sejam os grandes e verdadeiros mestres. Eles habitam no oculto da razão dominante, isto é, escondidos sobre os olhos daqueles que não se condicionam aos cliches de sabedoria suja, porca, imunda, feia, boba... os profanos superam os divinos. O caos envergonha o cosmos. O alheio supera o específico.
Eita férias 'BOA'! Aprendi com o cuidado das galinhas, com a força das porcas que cuidavam de suas leitoinhas, com a preguiça dos gatos, com a alegria dos 'virinhas' (cachorros), com a flexibilidade dos macaquinhos, com a empolgação dos cavalos, com a repetição dos louros, com aqueles que mal sabem escrever o seu nome, mas tudo sabem a respeito do respeito. Ah, como eu aprendi! Contudo, a despedida se fez acontecer.
Diante do 'até logo', sobre o clima de 'adeus', parti para um monte que, outrora, foi aprazível. Dor e choro se misturaram com descepção e frustração. Ao ver o quintal, que em outros tempos era o meu campo de futebol, tornar-se palco da justiça femina. Após esse funeral a luz do dia, vivenciei a tragédia do luto por causa da vida e a celebração do encontro desencontrado.
Nunca tinha percebido o poder que o dinheiro exerce na vida do ser humano. É verdade que os maiores miseráveis moram nos mais belos palácios. Que as maiores misérias estão com aqueles que valorizam o que a traça consome e, deste modo, é destruído em sua finitude. Quisera eu gritar bem alto: valorize o afeto desprezado, o abraço negligenciado, o cuidado esquecido, o beijo rejeitado. Para quê gritar se não querem ouvir? Surdos da modernidade, cegos da contermporaneidade! Em contraste desta miséria, senti na pele o que é ser cuidado por 'estranhos'. A parábola do bom samaritano se encarnou no século XXI.
Pessoas que, realmente, têm muitas posses e bens, fazem dessas 'coisas' a oportunidade de dar aqueles que precisam. Me deram nada, mas, ao mesmo tempo, deram-me tudo. Um banho, uma camisa passada, uma tarde agradável. É, fiquei pertinho do Reino de Deus ou nele próprio, não sei bem. O Reino dos céus se fez presenta no diálogo que acontecia no descobrimento mútuo. A misericórdia de Deus se revelou na vida de pessoas que só queriam ser a continuação do dos pés, mãos e vida de Jesus. A graça de Deus se revelou, não por intermédio dos mediadores do sagrado, porém das pessoas que, na simplicidade, descobriram a chance de fazer Jesus acontecer no caminho da vida, na vida e para a vida.
Nesse contexto aprendi como ser 'pastoral' é cheio de paradoxo, mística e valores que, se as pessoas que carregam tal função soubessem, tomariam mais cuidados. Mas vou escrever sobre isso na próxima oportunidade.
O que vale afirmar é que nessas férias me ensinaram que os miseráveis nos acompanham e estão mais perto do que se pode imaginar. Foram nessas férias que desfrutei da próximidade do estranho, do cuidado dos que precisavam ser cuidados e do amor dos que só tinham motivos para praticaram a indiferença.
Agradeço a Deus por moldar minha vida em tão poucos dias. Fazer deste momento vivido a contrução do Reino que existe, mas que precisa ser criado.
Pude dormir tarde e levantar mais tarde ainda. Fazer nada o dia inteiro. Ler o que eu queria, quando queria e se queria. Nada de leituras obrigatórias que poderiam ser classificadas de: gênero desnecessário. Essa vida de 'maraja', de ócio puro, de preguiça divina, aconteceram apenas até o décimo quarto dia. Depois, viajei! E foi nesta viagem que pude descobrir o que Deus queria me ensinar. Perólas que carregarei pela vida toda.
Fui ver pessoas especiais que há tempos não via. Redescobri a importância de estar perto das pessoas que amamos. Notei que a saudade é alimentada pelos mais nobres sentimentos. Que a ausência se torna relevante pois evidencia quem, de fato, é insubstituível na vida. Nessas férias pude relembrar o que é estar com que se quer estar, e que a presença de Deus se faz para além da mémoria e das lembraças. Talvez a história, em alguns contextos, é algo tão desnecessário, e, talvez, por causa disso, é digna de ser esquecida. O que importa mesmo é a história que está sendo contruída naquele exato momento, mas que será apagada e esquecida após alguns minutos. Isso não aconteceu de propósito, foi uma cilada da vida. Uma circunstância irremediável, e, infelizmente, crônica. Esse esquecimento, quase demoníaco, torna-se santo a partir do instante que a história que se faz naquele exato tempo-presente-eterno é tão significante quanto qualquer outra história já vista e construída. Vale mais que qualquer passado intocável.
Nessas férias aprendi que um conto, mentiroso ou não, pode ser a única coisa a ser dita para uma pessoa que não quer ser esquecida como ela já esquece. Não importa se os fatos estão todos enrolados, ou que aquilo nunca aconteceu, o que importa é sentir uma mão segurando bem forte a sua mão, ter olhos fitos nos olhos e tempo para se viver juntos, sem pressa e sem demora. Curtir o que será passado sem nunca ter sido presente ou rabiscado para o futuro.
Um fato revelador se fez nesse tempo de distância do mundo organizado. Pude aprender o que é servir. Fui intruído pelos mais variados sábios. Aqueles mesmo que fizeram suas faculdades na vida, seus mestrados nas necessidades do dia-a-dia, e seu doutorado nas perdas incomensuráveis. Ah, como me ensinaram, estes tais sábios! Como que na singeleza desfrutei de tanta riqueza. Ah, valioso amor! Ah, incondicional atenção! O que seria a vida sem vocês? Os meus grandes mestres foram aquelas pessoas que, para muitos, pouco poderia ensinar. É, talvez seja por isso que esses sejam os grandes e verdadeiros mestres. Eles habitam no oculto da razão dominante, isto é, escondidos sobre os olhos daqueles que não se condicionam aos cliches de sabedoria suja, porca, imunda, feia, boba... os profanos superam os divinos. O caos envergonha o cosmos. O alheio supera o específico.
Eita férias 'BOA'! Aprendi com o cuidado das galinhas, com a força das porcas que cuidavam de suas leitoinhas, com a preguiça dos gatos, com a alegria dos 'virinhas' (cachorros), com a flexibilidade dos macaquinhos, com a empolgação dos cavalos, com a repetição dos louros, com aqueles que mal sabem escrever o seu nome, mas tudo sabem a respeito do respeito. Ah, como eu aprendi! Contudo, a despedida se fez acontecer.
Diante do 'até logo', sobre o clima de 'adeus', parti para um monte que, outrora, foi aprazível. Dor e choro se misturaram com descepção e frustração. Ao ver o quintal, que em outros tempos era o meu campo de futebol, tornar-se palco da justiça femina. Após esse funeral a luz do dia, vivenciei a tragédia do luto por causa da vida e a celebração do encontro desencontrado.
Nunca tinha percebido o poder que o dinheiro exerce na vida do ser humano. É verdade que os maiores miseráveis moram nos mais belos palácios. Que as maiores misérias estão com aqueles que valorizam o que a traça consome e, deste modo, é destruído em sua finitude. Quisera eu gritar bem alto: valorize o afeto desprezado, o abraço negligenciado, o cuidado esquecido, o beijo rejeitado. Para quê gritar se não querem ouvir? Surdos da modernidade, cegos da contermporaneidade! Em contraste desta miséria, senti na pele o que é ser cuidado por 'estranhos'. A parábola do bom samaritano se encarnou no século XXI.
Pessoas que, realmente, têm muitas posses e bens, fazem dessas 'coisas' a oportunidade de dar aqueles que precisam. Me deram nada, mas, ao mesmo tempo, deram-me tudo. Um banho, uma camisa passada, uma tarde agradável. É, fiquei pertinho do Reino de Deus ou nele próprio, não sei bem. O Reino dos céus se fez presenta no diálogo que acontecia no descobrimento mútuo. A misericórdia de Deus se revelou na vida de pessoas que só queriam ser a continuação do dos pés, mãos e vida de Jesus. A graça de Deus se revelou, não por intermédio dos mediadores do sagrado, porém das pessoas que, na simplicidade, descobriram a chance de fazer Jesus acontecer no caminho da vida, na vida e para a vida.
Nesse contexto aprendi como ser 'pastoral' é cheio de paradoxo, mística e valores que, se as pessoas que carregam tal função soubessem, tomariam mais cuidados. Mas vou escrever sobre isso na próxima oportunidade.
O que vale afirmar é que nessas férias me ensinaram que os miseráveis nos acompanham e estão mais perto do que se pode imaginar. Foram nessas férias que desfrutei da próximidade do estranho, do cuidado dos que precisavam ser cuidados e do amor dos que só tinham motivos para praticaram a indiferença.
Agradeço a Deus por moldar minha vida em tão poucos dias. Fazer deste momento vivido a contrução do Reino que existe, mas que precisa ser criado.

