
“[...] para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. (1 Cor 9.27).
Com 22 anos tenho o privilégio de anunciar o Evangelho de Deus. São, aproximadamente, 6 sermões por semana. Reunião de Oração, cultos familiares, escola dominical, culto vespertino, entre outras funções. O dever de pregar diariamente me evidenciou uma coisa! Quanto mais prego, mais preciso me converter!
Pode soar estranho essa afirmação: “o pastor precisa se converter”, contudo, não podemos esquecer que o Evangelho é estranho! Ser 'estranho' é tudo aquilo que sai da normalidade. Aquilo que embaraça a forma de olhar. Aquilo que não é comum, que está fora dos padrões. Talvez seja por isso que o apóstolo Paulo tinha a preocupação de não ser desqualificado na sua obra.
Nota-se muitas recomendações para a comunidade de Corinto. Mencionando temas de como se trajar, como negociar, dos valores cristãos, do pecado e santidade, das mais diversas fomars de estabelecer relacionamentos, etc. Paulo tem uma grande preocupação: sua conversão cotidiana.
É fácil falar dos erros das outras pessoas. Falar de santidade para outras pessoas. Orientar o que as outras pessoas devem comer, o que devem vestir, aonde devem ir, com quem devem se relacionar. Isso, realmente, é muito fácil. Mas, pregar para si mesmo e assumir isso como conduta de vida, digo por experiência própria, é bastante difícil.
Para Paulo, antes de pregar para as outras pessoas, ele precisava ser qualificado diante de Deus. Essa é uma preocupação que tenho! Como ser qualificado diante de Deus?
Um 'inside' que me despertou foi: Ser coerente com o que eu prega. Por vezes anuncio sobre esperança, alegria, felicidade, confiança em Deus, mas, quando os ventos contrários apertam, sou o primeiro a balançar. Deus, nesse tempo, tem me ensinado a aprender a ser coerente com o que eu anuncio. A palavra de Deus tem que encontrar lugar em mim, antes de encontrar lugar no outro. Deste modo, se assumo a identidade de ser pregador, preciso assumir a responsabilidade de andar coerente com a mensagem que impulsiona a minha vida. Não é fácil. É estranho ser coerente. O mundo que vivemos valoriza a incoerência das atitudes, das ações. As crianças não têm limites. Os adolescentes não tem responsabilidade. Os jovens são imaturos. Os adultos, inconstantes. Os mais experientes, infelizes. Isso, realmente é incoerente, mas não é estranho.
O Evangelho, a começar em mim, tem a capacidade de apresentar os limites como grandes potencialidades. Ensinar-me que responsabilidade é sinal de crescimento. Que almejar à maturidade é bom. Ter constância é fundamental para conseguir chegar em lugares sonhados. E 'correr atrás' da felicidade é possível. Isso é estranho, mas isso tem relação com o Evangelho.
Portanto, a conversão em minha vida é constante e diária. Quanto mais me converto, mais coerente fico com aquilo que prego e anuncio. Quanto mais me converto, mais estranho me torno diante dos valores preservados no mundo.
Seja você coerente com a mensagem que você tem ouvido, e, muitas vezes, pregado. Buscar a coerência é buscar ser qualificado diante de Deus.
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