Sermão Igreja Metodista em Guaianases
Igreja (parte 1) – 19/02/12
Texto: 2 Reis 2.1-15Igreja (parte 1) – 19/02/12
Sucedeu que, quando o SENHOR estava para elevar a Elias num redemoinho ao céu,A vida em comunidade não é nada fácil. Qualquer comunidade carrega muitos desafios. Mas por incrível que pareça, um dos lugares que existem mais conflitos e dificuldades em se viver juntos é na Igreja. Devido as suas diversas complexidades, compartilhar num mesmo local com pessoas extremamente diferentes não é nada fácil. Parece que o ambiente religioso dificulta a relação inter e intra pessoal. Existe um momento que as verdades pessoais se chocam e a crise se instaura e parece que não tem previsão para resolução.
Elias partiu de Gilgal com Eliseu. E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque
o SENHOR me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o SENHOR, e vive a tua
alma, que não te deixarei. E assim foram a Betel. Então os filhos dos profetas
que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o
SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu
bem o sei; calai-vos. E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o SENHOR
me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não
te deixarei. E assim foram a Jericó. Então os filhos dos profetas que estavam em
Jericó se chegaram a Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o
teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos.
E Elias disse: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou ao Jordão. Mas ele disse:
Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram
juntos. E foram cinqüenta homens dos filhos dos profetas, e pararam defronte
deles, de longe: e assim ambos pararam junto ao Jordão. Então Elias tomou a sua
capa e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e
passaram ambos em seco. Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu:
Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu:
Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim. E disse: Coisa
difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém,
se não, não se fará. E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um
carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu
num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel,
e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em
duas partes. Também levantou a capa de Elias, que dele caíra; e, voltando-se,
parou à margem do Jordão. E tomou a capa de Elias, que dele caíra, e feriu as
águas, e disse: Onde está o SENHOR Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se
dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou. Vendo-o, pois, os filhos dos
profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa
sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra.
Por esses dias fiquei imaginando que se fosse um recém convertido, se freqüentaria a Igreja em que pastoreio. O que eu encontro nessa comunidade? Quais são as impressões, as marcas que essa Igreja deixa para as pessoas que vem pela primeira vez e até mesmo das pessoas que fazem parte?
Outras perguntas ecoam pela mente: O que eu espero de uma Igreja que eu congrego? O que eu não espero da igreja que eu congrego? É mais fácil estar dentro da Igreja com todo o ônus e bônus ou é mais fácil estar fora, criticando e apontando os erros e defeitos?
Sem sombra de dúvidas é muito mais fácil estar fora da Igreja apontando os defeitos do que dentro dela tentando fazer dela um local no qual Jesus teria alegria e prazer de estar. Um ponto a se pensar é que talvez a Igreja não seja um bom lugar, não por causa das outras pessoas que fazem parte dela, mas por causa de mim mesmo, sendo pastor ou leigo. Portanto a transformação tem início em mim. O que eu posso fazer para que a Igreja se torne um lugar agradável para se estar?
O reavivamento da Igreja começa numa revolução da Alma.
É função da Igreja se tornar um lugar relevante para si mesma, isto é, para os membros que fazem parte e das pessoas que estão em torno, antes de se tornar um ponto relevante para as pessoas que estão fora da Igreja. Antes de alcançar as nações, é preciso alcançar a si mesmo, ou deixar ser alcançado pela graça de Deus. Quando isso acontece a Igreja se torna um lugar de:
· Experiência com Deus;
· Alimentar a espiritualidade;
· Descobrir o que é vida em comum.
· Partilhar da vida em comum.
Quantas vezes procuramos as novas versões dos caminhos antigos? Queremos métodos infalíveis. Tudo isso acontece porque queremos fazer a vida funcionar, como se a vida fosse um microondas, um PC, etc. que liga e desliga, estragou arruma. A vida não é simples assim. No tempo em que vivemos precisamos de respostas e perguntas que nos ajudem a resistir, hoje, as investida do maligno. Existem formas novas de ação contra a vida, que tem até boa aparência, mas não passa da aparência do mal.
Algumas pessoas reclamam que não existam mais Igrejas como antigamente. Não se pode mais existir igrejas como antigamente, porque não precisamos mais de igrejas como antigamente. Não se fazem mais pastores como antigamente porque não precisamos de pastores como antigamente. O alerta de Deus é para abrir os olhos e discernir com sabedoria o que esta acontecendo agora e o que fazer para as coisas caminharem.
Esse trecho é muito conhecido. É a hora em que Elias sairá de cena e passará o bastão para Eliseu. Uma cena ‘bizarra’ é predita, como a ascensão de Elias num redemoinho de fogo. O texto deixa claro que tanto Elias, como Eliseu e os demais profetas estavam aguardando essa resolução.
A vida de Elias não foi nada fácil como homem de Deus. Teve que superar muitos desafios, medos, inseguranças, problemas, ter autoridade e falar com ousadia. Ele estava para concluir uma fase de sua vida. Nada melhor do que chegar ao fim de um período e sentir que se concretizou o que tinha que ser feito. ‘Não importa como começou, importa como terminou’.
Algumas sucessões são necessárias. Quando uma pessoa deixa uma liderança, Deus apresenta um outro líder para o processo de substituição. Ser líder não é nada fácil. Principalmente em algo que Deus está envolvido.
Elias faz várias vezes a mesma pergunta para Eliseu, em três lugares diferentes: Betel (Casa de Deus), Jericó (a mais antiga cidade da Palestina, lugar destruído por Josué e que Jesus dormiu quando visitou Zaque) e Jordão (rio formado por três nascentes, embora não muito largo, são poucos os vaus que permitem atravessa-lo à pé).
Existiam profetas, pessoas religiosas, dispostas a desanimarem Eliseu em seu projeto de seguir Elias e ser o seu substituto. Muitas vezes as pessoas utilizam das evidências, das verdades para ofuscar o que Deus tem para concretizar em nossas vidas. Por vezes é melhor centrar nossas atenções no alvo tendo em vista as providências de Deus. O que não falta na trajetória cristã são pessoas para nos intimidarem com verdades parciais, isto é, verdades que afirmam a realidade, mas não estão centradas no que Deus fará.
O mesmo diálogo se repete três vezes. As mesmas oposições, com pessoas diferentes aparecem três vezes. A mesma resposta para Elias e para os opositores, apresentando, assim, a convicção de que se está no caminho certo!
É interessante a resposta de Elias, porque ele não sabe ao certo que esta acontecendo ou o que vai acontecer, porém ele prefere não ficar ruminando o assunto com pessoas que não tem nada a acrescentar. Ele deixa claro que não quer conversar sobre esse assunto, isso porque as pessoas, por mais que fossem religiosas, não estavam aptas a acrescentarem virtude.
O que este texto alerta a respeito da vida como Igreja?
I – O que não falta é gente para nos desestruturar.
Algo muito interessante deste texto é que não faltam pessoas para desestruturar o ministério de Eliseu. Ele sabia o que iria acontecer, não seria nada fácil, só que grande parte das pessoas queria desmotivar, abalar as estruturas de fé e de convicção ministerial.
Vale afirmar que o que nos deixa em pé, firmes nos propósitos dados por Deus, não são as facilidades, porque o que mais existe são pessoas dispostas a apagar nossa fé, jogar desânimo e aflição no coração. Vem com palavras contrárias. Contudo, quando temos um propósito firme, sabendo o direcionamento, a meta que se deve chegar, por mais intensos que os obstáculos aparentam, eles não são maiores do que a providência de Deus.
A Igreja é um lugar paradoxal porque existem pessoas que te impulsionam e pessoas que te sugam (jogam para baixo, etc). Talvez o grande segredo seja pensar: qual tipo de pessoas eu sou.
Quando tenho um propósito dado por Deus, por mais terríveis que aparecem os obstáculos e dificuldades, é fundamental ter convicção de que Deus fará maravilha! Dará a resolução necessária no momento oportuno.
A partir do momento que se discerne o ‘tipo de gente’ que se é, automaticamente as coisas fluem. O Espírito só acrescenta na Igreja que está preparada para receber pessoas, e não matar a fé das pessoas. Deus envia pessoas para serem tratadas, não para uma condenação para a morte.
II – Cuidado com a Geração Desanimada.
Um grande vírus que infiltrou nas pessoas e tenta arruinar muitas pessoas é o desânimo. O ânimo é uma disposição interior de fazer e ter vontade em fazer, de entrega. É uma coragem indescritível, é uma intenção firme em realizar apesar das situações.
O grande inimigo de nossas vidas sabe que quando uma pessoa segue o conselho de Jesus de ‘ter bom ânimo’, as coisas acontecem. Sendo assim, o grande inimigo tenta desanimar as pessoas e, consequentemente a Igreja. AS pessoas perdem a vontade de uma vida disciplina, uma vida em santidade.
As pessoas acabam se tornando maças, bem vermelhas, lindas, com uma cara suculenta. Ao passo que se dá a primeira mordida, sente que não está ruim. Na segunda mordida, eis a surpresa, encontra-se metade de um verme. Logo, somos pessoas aparentemente boas, mas que no profundo, no que há em nosso interior, existe um verme que precisa ser superado.
Esse desânimo vem de muitas tensões que existem dentro da Igreja.
Alguns deles:
· As pessoas que tentam se aproveitar (falsas viúvas);
· Pastores que querem se aproveitar;
· As pessoas que usurpam outras pessoas;
· As pessoas que querem ser o que não são (Ananias e ZAfira);
· Pessoas que fazem acepções de pessoas;
· Pessoas que acreditam que tem verdades superiores;
· Pessoas que não precisam de ninguém (autosuficientes).
Apesar dos problemas é possível uma vida cristã que supere tais tensões.
III – Não seja impulsionado pelos instintos de precipitação.
Elias estava preocupado em passar o bastão para um discípulo que, talvez, aparentemente fosse imaturo. Elias não queria se precipitar, por isso ele repete a mesma cena por três vezes. Eliseu, por sua vez, não se precipita com os problemas emergentes, todavia, caminha com seriedade para seu alvo.
As pessoas são constantemente tentadas a se precipitarem em suas atitudes e ações, e por mais que seja apenas uma precipitação, causa efeitos.
A Bíblia como lâmpada para os nossos pés nos auxilia a repensar a vida e não se precipitar em ações. Não é um livro de ‘pode ou não pode’, é um livro que carrega valores eternos.
Talvez algumas pessoas pensem que tudo pode? Pode fazer o que quiser? Tudo é relativo? Isso traz à memória a história de uma filha adolescente que chega para o pai e diz: Papai estou grávida! O pai responde: Sério? É menino ou menina? Não sei papai, isso ele vai decidir quando crescer.
Mais do que pode ou não pode, a Bíblia nos orienta para a vida, e a vida em abundância. Quando a Igreja para de se preocupar com o que ‘pode ou não pode’, ela passa a procurar o que é mais valioso, descobre o que é graça!
Queremos saber o que é eficaz, eficiente, mas não queremos saber o que é santo.
Esse texto de Elias e Eliseu apresenta muitos outros elementos, extremamente ricos, mas o que serve para a nossa atenção final é:
1 - Passamos o bastão, mas nunca passamos a nossa experiência. Um grande problema é que a Igreja não sabe passar o bastão e assumir outros bastões que a missão nos compele.
2 – Não dá para confiar em Deus e em si mesmo. Ou é um ou é outro, não dá para equacionar essas duas ações. Você manipula, não confia. Negocia e não adora. Analisa e interpreta para obter controle sobre o que acontece; mas não depende. Busca na vida o melhor das bênçãos de Deus acima da melhor esperança da presença dele. (Larry Crabb).
3 – O luto é o ponto final, é o momento de ruptura. Serve para iniciar uma nova fase ministerial, um novo tempo, com uma nova unção, um novo manto. Uma nova forma de enxergar os desafios.
Por fim, a Igreja não é só lugar de falar de uma mensagem, é lugar de apontar um fato, um acontecimento. A Igreja é uma clínica de pessoas que se internam livremente, sem previsão de saída, e numa rotina intensa de recuperação e luta contra os desejos mundanos, carnais e demoníacos.
É na Igreja que aprendemos a ser o que Deus espera que sejamos. É na Igreja que morremos para o mundo e vivemos com Cristo. Que Deus nos ajude a sermos Igreja.
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