quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Igreja pra que?

Nessas férias um amigo me disse que deteu um pouco de sua atenção em uma pergunta que constantemente vinha em sua minha mente: Igreja pra que? Será que a dedicação de uma vida à uma instituição eclesiástica tem alguma relevância na vida das pessoas? A vida em 'comunidade' agrega ou desagrega valores? É possível que uma pessoa ou família consiga ter uma boa vida sem fazer parte do Rol eclesiástico?

Antes de descrever algumas considerações deste amigo, ele menciona que teve um tempo muito propício com uma família que não frequenta uma comunidade eclesiástica, que não tem cargos ou funções ministeriais. Essa família apenas professa uma fé 'universal', pratica uma vida de piedade bastante sincera e assídua, sempre que possível demonstra atos de misericórdia, mas não expõe uma bandeira institucional. Confesso que essa situação me colocou em “xeque”, pois no lugar em que esse meu amigo ficou existiam problemas financeiros, relacionais, emocionais e espirituais, tão comuns em contextos religiosos, mas, mesmo assim, essa família vivia com um ar de tranquilidade e leveza.
Meu amigo ficou pensando: será que essa família precisa de Igreja? Igreja pra que?
A primeira consideração que este amigo fez foi: Não, eles não precisam de Igreja. Chocante, não é mesmo? Todavia, a verdade, em sua essência, choca!
Essa família não precisa de uma Igreja que vive a mediocridade espiritual, sem a busca gradativa de um avivamento genuíno.
Não precisa de uma Igreja voltada para guerras internas de 'quem tem mais poder', 'quem pode mais', 'quem manda mais'.
Não precisa de uma Igreja briguenta, que consegue fazer com que a participação dos atos religiosos sejam pior do que se não tivesse participado dessas liturgias.
Não precisa de uma Igreja enferrujada para missão. Emburrada quanto ao evangelho. Empobrecida de sonhos. Enferma nos relacionamentos. Enfezada...
Essa família não precisa de uma Igreja que tem uma retórica bem estruturada em sua argumentação sobre o amor, porém desconhece o pragmatismo de amar.

Nesse recorte, sem sombra de dúvidas, se essa família fizer parte de uma Igreja assim, ficarão piores do que já estão, e, o pior, possivelmente se tornaram pessoas azedas, amargas, etc..
Mas este amigo não esgotou as possibilidade, ele teve outra consideração a declarar: Sim, essa família precisa fazer parte de uma Igreja!
A antítese de Igreja apresentada em linhas anteriores, infelizmente, não existe. Contudo existem comunidades de fé que reconhecem a sua pequenez diante de Deus, e que conseguem não apontar um dedo, mas oferecer um abraço. Essa família precisa de uma Igreja que conseguiu decodificar a essência do Evangelho, isto é: o Amor.
Quando o amor é latente, a busca por um avivamento espiritual genuíno é o que impulsiona a trajetória da comunidade cristã.
Se existe amor as diferenças são contornadas. As vontades particulares mesquinhas cedem lugar para o respeito, e a convivência não é abortada por motivos ideológicos.
Os atos religiosos são momentos de ouvir Deus falar; silenciar pra Deus falar; sentir Deus falar e, ao mesmo tempo, ser impactado pela sensação de igualdade e respeito entre as pessoas que cultuam ao mesmo Deus, mesmo com expressões distintas, e, sobretudo, são irmãos e irmãs, filhas/os de um mesmo Pai, embaixadores/as da mesma causa. Em ambientes assim as celebrações são prazerosas! Não sente vontade de ir embora.
Essa família precisa Sim de uma Igreja que entende:
  • o compromisso missiológico,
  • a graça do Evangelho,
  • o valor dos sonhos [como aquele mecanismo que impulsiona a Igreja],
  • a necessidade de relacionamentos sadios (e não sádicos);
  • entendem o que é ser uma Igreja Entusiasmada...
Finalmente, dois apontamentos se fazem necessários:
Em primeiro lugar, a Igreja pode ser um local de referência ou de indiferença; em segundo lugar, todas as pessoas que assumem a identidade cristã precisam enfrentar seus impulsos personalistas e se comprometerem em fazer da Igreja que se faz parte – que não é perfeita, mas caminha – um lugar bom e agradável de se estar. Aonde as pessoas sentem alegria e privilégio de estarem. Um ambiente que agrega valores e desagrega as perniciosidades da carne.
Sou feliz por fazer parte de uma Igreja. Sou feliz em poder (com)partilhar um pouco do que sou e tenho. Mas preciso me comprometer mais em fazer da comunidade que participo um local aonde as pessoas, inclusive eu, possam se encontrar com Deus, consigo mesmas e com as 'gentes'.

Para encerrar seu testemunho, esse amigo me dirigiu numa oração mais ou menos assim:
Querido Deus, faça de mim uma pessoa convertida ao seu amor, convergida em sua vontade e constrangida por sua graça, porque, assim, levarei a leveza de te seguir e estar contigo, e não o peso de uma religião falida. Oro, em nome de Jesus. Amém.


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