segunda-feira, 27 de junho de 2011

Velório



“Conheço um homem em Cristo que”, alguns dias atrás, vivenciou o processo do luto e a ambiguidade do ambiente tomado pela morte e seus estigmas. É bastante complexo a tentativa de decifrar a pluralidade de sentimentos, sensações e emoções que, quase de forma apocalíptica, revelam-se aos olhos nesses períodos gelados. O processo empírico desencadeado pela extinção momentânea é, possivelmente, um dos melhores caminhos para vivenciar o que permeia no âmago humano que são despertados em momentos de sono profundo. Quero destacar, a partir dos relatos desse 'homem em Cristo que conheço', algumas impressões a respeito desse aparente fracasso existencial que se fez presente na morte.
Notei que as lágrimas que escorrem o rosto por uma pessoa amada que jaz no silêncio eterno podem trazer conforto e/ou desconforto.
As pessoas que se sentiam confortadas, isto é, que se acomodam positivamente com a situação, tornavam-se fortes diante desse momento de abatimento, deixavam-se tocar pelo consolo e alívio, são aquelas pessoas que encaram a morte como o último inimigo que já foi vencido e superado. O conforto vem para aquelas pessoas que entendem que a pessoa que 'foi' “combateu o bom combate, completou a carreira, guardou a fé.”. As Lágrimas que correm ao rosto são lágrimas de saudade e esperança.
Existem aquelas pessoas que ficam desconfortadas em tais momentos. São pessoas que não param em lugar nenhum. Não se encaixam em nada. Não tem palavras de vida. Estão fissuradas pela morte e pelo passado. Pessoas desconfortadas e que proporcionam o desconforto.
Esse 'homem que conheço em Cristo' disse algumas coisas a respeito da religião. Independente da tradição religiosa da família, o ato religioso nesse momento final é, sem sombra de dúvidas, um tempo muito importante para a família como alvo primário e secundário. Primário por receber palavras de sustentação num tempo dão doloroso, secundário porque para os familiares, independente de sua tradição religiosa, o ente querido que 'se foi' precisa ser religado em uma outra dimensão, o qual é oficializado pelo rito ortodoxo da espiritualidade. Essa positividade vista na religião é o que dá sentido e significado para as pessoas, ajudando-as a sintetizar a morte na vida.
Há o lado pavoroso da religião. Segundo esse 'homem em Cristo que conheço', um viés terrível. Muitas pessoas aproveitam para ocupar o lugar de Deus e, assim, definir se a pessoa foi ou não para o céu. Tais indivíduos aproveitam para condenar e julgar as atitudes e ações do ente querido que está tomado pela morte – sem condições para se defender – utilizando de palavras que nunca seriam ditas em olhos abertos e cheios de vida. Diante da sensibilidade dos familiares surpreendidos pela morte tão indesejada, agem monstruosamente e insensíveis ao clima de despedida, apelando por apelos religiosos fundamentalistas distanciados do Deus da vida, pois geram morte e mais dor.
E o pior é que tudo o que é feito é em nome de deus. Pode até ser em nome de deus mas não no nome de Deus. Um Deus que é amor, sensível, presente na angustia, solidário ao sofrimento, que não veio para julgar mas para dar vida e vidar em abundância, trazer consolo, paz diante das incertezas, esse Deus é o nosso Deus, não um deus que não existe e manipulável ao desejos vaidosos de seres encardidos.
Da mesma proporção que a religião pode trazer a existência o que não existe (aspecto particular em tal 'ciência'), pode destruir o pouco do que restou. Logo, a religião precisa ajudar aqueles que ficam no processo de reconstruir a vida a partir do que se sobrou dela, não ser o instrumento demoníaco para destruir o pouco que se tem.
Esse 'homem em Cristo que conheço', descobriu o paradoxo do velório. Ninguém gosta de ir em velórios, principalmente quando é de uma pessoa amada. Postergamos e execramos tais possibilidades de nossas mentes, haja vista que são momentos dolorosos (ficar ao lado de alguém que não está mais ali para retribuir a presença).
Porém, eu te convidaria velar pelas pessoas amadas em vida. O termo 'velar' representa, também, outros sentidos e significados, sendo eles: proteger, ficar acordado ao lado, manter-se aceso, manter-se em guarda, dar proteção, zelar, cobrir, preocupar-se, então:
Proteja a pessoa amada com a sua própria vida;
Fique acordado ao lado de quem ainda tem a chance de acordar;
Mantenha-se aceso diante das ameaças e provações;
Mantenha-se em guarda quando o mau te surpreender com alguma cilada;
Zele por aquelas pessoas que valem a pena;
Cubra pessoas amadas de beijos, amor e doçura;
Preocupe-se em ser hoje melhor do que você foi ontem e melhor amanha do que você foi hoje.
Não espere pelo epitáfio para velar por quem é digno de se amar. Que o Senhor nos ajude. Amém.

domingo, 26 de junho de 2011

Provação gera Aprovação

[Pregação no dia 26 de Junho de 2011 em Jd. Conceição. Um período muito importante em minha trajetória ministerial. Sei que o texto é longo, mas se tiver um tempinho e não foi neste culto precioso, dê uma olhadinha.]

Texto: Gênesis 22.1-19

1 Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui!
2 Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.
3 Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.
4 Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe.
5 Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.
6 Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos.
7 Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?
8 Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.
9 Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha;
10 e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho.
11 Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui!
12 Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.
13 Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.
14 E pôs Abraão por nome àquele lugar -- O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá.
15 Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão
16 e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho,
17 que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos,
18 nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.
19 Então, voltou Abraão aos seus servos, e, juntos, foram para Berseba, onde fixou residência.


É sempre muito bom voltar para a casa. Esta Igreja representa, em minha trajetória ministerial, o começo de meu ministério pastoral, e hoje, de um modo muito especial, representa o recomeço de tudo. Foi aqui que entendi o meu chamado pastoral. Entendi que os verdadeiros cristãos são aquelas pessoas que não têm pretensões de mostrar o que são, simplesmente se esforçam para ser. Foi aqui que aprendi a amar o desconhecido, visitar o estranho, ouvir o anônimo, atender quem precisava, mesmo sem ter muitas condições para isso.
É nesse clima de recomeçar que quero pautar este sermão. Haja vista que 8 anos de vida e missão de uma comunidade de fé já é tempo o suficiente para se pensar aonde estão postos os olhos? Aonde se pretende chegar? Como esta a espiritualidade? etc. Para mim, este trecho de Gênesis representa um pouco disso, uma provação que desencadeou uma nova concepção de vida.


Esse texto é profundamente rico em sentidos e significados. A história de Abraão vista em profundidade apresenta como os critérios de Deus são totalmente diferentes dos critérios humanos para desenvolver os seus projetos e sonhos. Isso porque, definitivamente, Abraão não tinha o perfil adequado para iniciar uma nação, afinal de contas, um estrangeiro, 'meio' desequilibrado, sem uma integridade pessoal no que se refere ao âmbito familiar, não teria condições de tal responsabilidade.
Nota-se que essa perícope tem o seu início trazendo a memória tudo o que havia acontecido. Abraão havia feito uma aliança Abimeleque, havia expulsado Agar e Ismael ao deserto de uma forma bastante cruel. Mesmo nessa situação é possível notar o cuidado e amor de Deus. Parece que a vida de Abraão estava bastante estável, afinal de contas, as promessas de Deus haviam se cumprido em sua vida. Já tinha um descendente homem, tinha bens, uma família estruturada, logo, não tinha do que se preocupar.
Desconfio que o que mais pode nos abater não são as nossas fraquezas, pois ficamos atentos com elas, mas, sim, nossas forças e potencialidades. Essas são aquelas que nutrem nosso sentimento de acomodação, estabilidade e, paulatinamente, nos fazem perder a nossa essência.
Parece que é nessa situação que Deus prova Abraão. Um homem que estava com a vida feita precisava ser 'provado' pelo próprio Deus, por que? Penso que não é um grande martírio ser provado por Deus, é, sem sombra de dúvidas, um grande privilégio. São nas provações feitas por Deus que percebemos o quanto somos dominados por aquilo que não deveria nos dominar. São nessas provações que descobrimos se a bênção não se transformou em maldição.
Este relato bíblico é considerado pelos exegetas como uma 'novela', pois investe muito tempo em relatar detalhes da caminhada de Abraão. As vezes experiências tão profundas como este texto apresente são esvaziadas pois grande parte das pessoas sabem o final da história e não se permitem tocar pelo contexto bíblico, estabelecendo uma conexão entre a vida e a Bíblia. Esse texto é fundamental na caminhada de Abrão porque demonstra sua confiança diante de Deus. É um texto que questiona a religiões de sua época, as quais tinham o hábito de sacrificar os filhos primogênitos em oferecimento aos seus deuses, mas é, também, um texto que aponta o caráter de Deus como pai, aquele que não toma o que dá, mas que questiona a espiritualidade e as prioridades das pessoas que se propõe em segui-lo.
Deus não é um capacho que gosta de ver o seu povo sofrendo. Que sente prazer em tirar o que foi conquistado com muito esforço. É um Deus que ama e não quer ver seu povo tão amado preso e dominado pelas bênçãos, pois podemos transformar bênção em maldição.

A experiência de vida de Abraão tem muitas tangências com as nossas próprias vidas, sendo assim, vejamos alguns aspectos relevantes para a nossa caminhada cristã.


I – As provações questionam a profundidade de nossa espiritualidade.
O texto relata a intenção de Deus em 'provar' a vida de Abraão. Algumas perguntas surgem, como: será que Abraão estava fora do eixo? Haja vista que ele tinha mandado seu filho para 'morrer' no deserto? Será que Abraão estava conformado com a situação existencial que ele vivia, acreditava que a situação que ele vivia era o patamar do que Deus tinha para ele?
A fala de Deus não foi suave, pelo contrário, foi dura. Pede à Abraão a sua maior bênção, o que ele tinha de melhor. A concretização dos seus sonhos. Nessa direção, notamos que o ser humano gosta de sentir:
Conforto diante da vida;
Segurança de que não haverá improviso e;
Garantia caso algo não dê certo.
Deus, em sua fala à Abraão, tira-o de sua região de conforto, desestabiliza-o, portanto, não oferece segurança além de não dar nenhuma garantia do que acontecerá. Deus coloca Abraão em “Xeque”. Possivelmente depois dessa fala de Deus Abraão não tenha dormido mais aquela noite. A ação de Deus surpreendeu Abraão. É interessante que este homem fica em silêncio, pelo menos o texto bíblico não cita se ele falou alguma coisa para Deus. Cita, apenas, que de madrugada ainda – sinal de uma pessoa ansiosa para agir – vai para o local direcionado por Deus.
As provações não são apenas para nos desestabilizar é muito mais que isso. Abraão se prepara para fazer o que Deus mandou. É um período de silêncio. É um período para caminhar segundo o direcionamento de Deus. É, possivelmente, o tempo mais intenso que temos ao lado de Deus.
Quando vivemos um tempo de provações gerado por Deus, somos levados, mesmo sem querer, para lugares inesperados. A distância que Abraão percorreu até o local em que Deus havia pedido o sacrifício exigia três dias de caminhada. Por que Deus queria esse deslocamento de Abraão? Por que não poderia ser feito esse sacrifício ali aonde Abraão estava?
Alguns deslocamentos exigem muito de nós. Sair de um contexto de estabilidade a fim de entregar a Deus, num lugar distante, o que se tem de melhor é um processo bastante doloroso, todavia, como tudo na vida, essa trajetória um dia chega ao fim.
Imagino como deve ter sido doloroso a Abraão ao olhar, mesmo que de longe, o lugar que seria o holocausto de seu filho. É interessante que passamos por situações similares, quando temos que enfrentar algo muito difícil. Depois de caminhar muito, deparamo-nos com nosso calvário, lugar de dor, morte e sofrimento. É um momento que ainda é preciso caminhar. A vontade interior é parar, não enfrentar, voltar para trás, enfim, é um tempo que se pudéssemos não viveríamos.
Ao invés de questionarmos o 'por que' da situação, é melhor levantar a cabeça, erguer os olhos e enfrentar com dignidade e, mesmo com medo, com convicção da presença de Deus.

II – O “eis-me aqui” tem que ser constante em nossa caminhada.
A resposta de Abraão ao chamado de Deus é eis-me aqui. A resposta de Abraão ao seu filho é eis-me aqui. A resposta de Abraão ao anjo é eis-me aqui. Portanto:
Quando Deus te apontar algo a ser feito e realizado, por mais que seja doloroso, estranho, conturbado, disponha-se a fazer. Caminhe segundo a orientação de Deus. Se Deus te chama para uma responsabilidade mais intensa em seu Reino, obedeça. Se Deus te chama para um maior despreendimento de sua vida, faça. Se Deus te pede o que você tem de melhor, dê. Não existe nada melhor do que a obediência à voz de Deus.
Quando sua família te chamar responda 'eis-me aqui'. Por vezes somos extremamente sensíveis ao chamado ministerial, mas somos extremamente desligados quanto a nossa vida familiar. Não ouvimos a voz dos filhos, esposos, familiares. Precisamos estar com os ouvidos atentos para a nossa caminhada ministerial e familiar. Ouvir mesmo com os gritos das incertezas e ter uma resposta de fé diante dos cenários obscuros. Ouça a voz de Deus e ouça a voz da vida.

III – As evidências da provação não pode ofuscar a esperança da provisão divina.
Abraão tinha uma missão: sacrificar o próprio filho. Todas as situações estavam contrárias ao que ele queria. Durante três dias Deus se cala, não pedindo para ele evitar aquele sacrifício. Ele olha de longe o lugar e Deus não fala nada. Ele chega até o lugar e prepara tudo para o sacrifício e, ainda assim, Deus se mantém quieto. Definitivamente as evidências eram contrárias, haja vista que a palavra inicial de Deus foi o sacrifício do filho amado. E se Deus falou ele não voltará atrás. O que fazer numa situação assim?
Mesmo com toda essa tensão, insegurança do que iria acontecer, os três dias de agonia e aflição que possivelmente Abraão estivera sentido, percebe-se nele a disposição em cumprir o que Deus havia lhe dito. Por mais que não fosse exatamente o que ele queria, ele continua firme e perseverante em sua trajetória.
Portanto, ter medo, sentir-se aflito e inseguro não é um sinal da ausência de Deus, é a ocasião certa para experimentar do cuidado e presença de Deus. Nessa direção, Abraão se mostra determinado diante do que Deus havia pedido dele. Obedecer mesmo andando no escuro. Não sabemos o que passava pela mente de Abraão, mas se nós estivéssemos no lugar dele estaríamos pensando: por que então foi que Deus me deu esse filho? O que eu fiz para merecer isso? Por que Deus gosta de me ver agonizando? E tantas perguntas mais.
Acho, apenas, que essas são as perguntas erradas nesses momentos. Acredito que precisamos fazer perguntas para nós mesmos com o propósito de andar, não ficar parado ou de retrocesso, logo, perguntar: Diante disso tudo, para onde Deus quer me levar? O que Deus quer tratar em mim? Diante dessa situação, quem eu sou? Perguntas assim constroem e edificam.

IV – A provação mostra quem tememos.
O texto deixa claro que Deus queria ver quem Abraão temia. Mas será que era Deus que precisava saber disso ou o próprio Abraão? Nós como 'bons' humanos' demonstramos quem realmente somos quando estamos diante de uma situação limite. Tudo estava tranquilo na vida de Abraão. Tanto sua família, suas finanças, etc, ele poderia fazer, como normalmente fazemos:
Surdos ao que Deus tem falado;
Cegos ao que Deus tem mostrado:
Mudos, portanto, coniventes com o que desagrada ao coração de Deus;
Paralíticos diante dos lugares que precisamos ir;
Esquizofrênicos para entender as orientações divinas.
São nessas situações que mostramos quem tememos: se são as pessoas, o status, a instituição, as consequências de uma decisão, etc., ou se é ao Deus vivo. Muito se fala a respeito do temor-do-Senhor, porém pouco se vive a essência dessa expressão. Temor-ao-Senhor é ter consciência de que tudo o que fazemos (ou não) está diante de Deus e que temos responsabilidade diante disso tudo. É o temor-do-Senhor que gera no ser humano sabedoria e discernimento para tomar decisões bem ajustadas com a vontade de Deus, agradando-o em tudo.
É lindo a forma como Abraão confia na providência divina e se lança ao desconhecido, tendo por certo que alguma coisa Deus iria fazer em seu favor. Ele não diz para os servos que iria sacrificar o próprio filho, ao contrário, ele afirma para os seus servos que iria até o local reservado por Deus para prestar adoração. É uma postura de fé diante do impossível.
O texto afirma que pai e filho andam juntos. O que será que passava na mente do pai? Será que o filho imaginava que ele era a oferta à Deus? Diante desse cenário todo, o que permeia o coração de Abraão é que Deus proverá aquilo que falta, dará aquilo que é necessário.


É interessante que diante dessa provação Abraão é lançado no lugar aonde ele e nós sempre devemos estar: de joelhos aos pés de Deus. É diante das provações que vivenciamos o cumprimento das promessas de Deus em nossas vidas. Abraão vai até o fim. Mesmo com os olhos fechados, não acreditando no que estava a acontecer, Deus percebe que poderia contar com Abraão. Talvez se ele tivesse 'pipocado', olhado para trás, Deus teria que iniciar um novo projeto com um outro homem (vai que isso aconteceu). Todavia Deus se alegra da postura de Abraão em ficar firme.
Que nós, semelhantemente, possamos ficar firmes e mesmo diante das provações que aparecerem em nossas vidas. Que possamos passar e ser aprovados por Deus. É diante desse posicionamento firme que iremos contemplar todas as promessas de Deus.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

EsQuIZoFrEnIa...



Após um diálogo com um grande amigo, chegamos a conclusão de que o ser humano é, sem sombra de dúvidas, esquizofrênico. Para alguns, a esquizofrenia é 'um termo que engloba várias e graves afecções mentais crônicas'. Será que só as pessoas que tem algum desvio mental são esquizofrênicas? Só por que tem uma dificuldade em sintetizar o conceito com a sua práxis, isso faz dessas pessoas aptas a serem consideradas assim?
Acredito que não. Tenho notado o quanto as pessoas ditas normais são extremamente esquizofrênicas. Vejamos algumas dessas pessoas, sendo elas religiosas ou não.
Como se sabe, a religião tem a função de 'religar', isto é, é o fio condutor que une duas dimensões supostamente separadas. Uma das linhas de conexão utilizadas pela religião é o amor. Pois bem, as pessoas religiosas dizem que amam. Falam do amor como aquilo que move incondicionalmente, todavia são as primeiras a exercerem a indiferença, visto que este adjetivo é o verdadeiro antônimo do ato de amar. São pessoas que falam muito bem sobre o amor, mas não trilham este caminho que é sobremodo excelente. Isso não é esquizofrênico? Já que o pensamento não tem relação com a ação exercida de tais pessoas?
Essas mesmas pessoas religiosas falam a respeito do perdão, mas desprezam o ato de perdoar. Algumas pessoas até se propõe a perdoar, só que com a mesma proporção que perdoam, descartam a pessoa, pois essa não é digna da convivência. Isso sim é esquizofrênico, haja vista que perdoar é permitir caminhar junto. Não é esquecer, mas é saber do vacilo e, mesmo assim, andar mais uma légua. Perdoa mas não caminha? “Eita” doidice isso. Isso é maluquice!
Outra coisa que não dá para entender é que as pessoas 'pregam' a importância do ser multidisciplinar, do trabalhar em equipe, na força coletiva, porém, valorizam o indivíduo e sua individualidade, não na coletividade. Valoriza o rendimento individual, não a caminhada construída e galgada juntos. Isso é, sem sombra de dúvidas, esquizofrênico, pois se um ganha, todos ganham, se um perde, todos perdem. Não tem com valorizar um e desprezar o restante.
Há, porém, os piores esquizofrênicos. Estes não são curados com remédios ou algo do gênero, possivelmente o que trate esse tipo de gente seja uma 'oração forte' (e olhe lá). São aquelas pessoas que criam situações, envolvem sentimentos, geram expectativas, dão-se falsamente a conhecer, comprometem-se mentirosamente com a situação não com a missão que esta em jogo. Essas pessoas, sim, são esquizofrênicas. São cruéis porque desconhecem a sensibilidade.
Pode-se entender a dificuldade em amar. Pode-se entender a dificuldade em perdoar. Pode-se entender a supervalorização de uns e o desprezo de outros, todavia é complicado entender pessoas que se dão em nada e tomam tudo. Pessoas esquizofrênicas porque não conseguem pôr-se no lugar de outrem e, cruelmente, descartam a pessoa como um copinho plástico.
Então se você, como eu, tem tiques, manias, formas malucas de falar, não pisa nos riscos do asfalto, lava a mão por diversas vezes ao dia, vive no mundo da lua, desculpe-me em informar, mas nós não somos esquizofrênicos. Esquisitas e frenéticas são aquelas pessoas que desconhecem o sentido maior do amor; que recusam-se em perdoar e caminhar; que valorizam uns e desprezam outros por motivos gananciosos e voltados à resultados; e, o pior de todos os tipos esquizofrênicos, aquelas pessoas cruéis que descartam, tomam tudo sem dar nada, e sentem-se bem diante desse cenário, como vitoriosas. Essas pessoas, sim, são esquizofrênicas, doentes e cruéis.
É interessante que para o senso comum tais pessoas são consideradas normais. É, infelizmente tenho que concordar que tais pessoas são normais. Isso porque estão moldadas e adaptadas à um nomos que não tem relação com o Cristo. Deus não se adapta à tal normalidade.
Se você, assim como eu, já se deparou com essas pessoas, convido-te a lembrar das palavras de Jesus em orar por aqueles que te perseguem, abençoar aqueles que te amaldiçoam, perdoar aqueles que batem em sua face. Não é fácil, porém isso é cristianismo.
Talvez, se tentarmos isso, para muitos seremos considerados esquizofrênicos, haja vista que não retribuímos com a mesma moeda o que foi feito a nós. Doidos, esquisitos, frenéticos, etc. Não se esqueça que Deus escolheu as coisas loucas desse mundo para confundir as sábias. Ame. Perdoe. Valorize. Viva. Por mais que soe como um 'trouxa', vale a pena. Que Deus nos ajude.

sábado, 18 de junho de 2011

Pensei nisso Hoje




O que você espera da vida? Terminar bem os estudos? Ter uma pessoa amada ao lado? Ser um/a profissional reconhecido/a e valorizado/a? Assumir o matrimônio e, assim, garantir a posteridade? Tudo isso é um pouco do que a maioria das pessoas querem e esperam. É aquela ideia de trazer a existência o que não existe. Alcançar o futuro.
Gosto de enfatizar que nossos olhos precisam estar fixos em alvos, os quais ficam fincados no futuro, todavia, pensando um pouco sobre isso, descobri um certo equívoco em minha filosofia de vida. Parei para pensar que o único 'tempo espacial' que não existe é o futuro. Senti-me como um 'adolescente' que ('de repente, não mais que de repente') imagina que as coisas iriam 'cair do céu'. Iria terminar os estudos, seria encontrado por alguém, seria um profissional valorizado, teria um matrimônio, etc. Pensei que as coisas iriam acontecer naturalmente. Doce engano de minha parte juvenil.
Ainda acredito que nossos olhos precisam estar atentos para o futuro, pra frente, pra vida, etc. Mas, antes de tudo, precisamos aprender a viver o hoje sem muitas pretensões.
Confesso que 'curtir' o sofrimento 'nosso de cada dia' não é nada fácil. Saber que foi rejeitado/a, traído/a, deixado/a, excluído/a, menosprezado/a, esquecido/a, enfim, tal sentimento é horrível, doloroso, intenso e desesperador.
Até nesses momentos de trevas, construídos ou não por nossas próprias mãos, são momentos preciosos para nos levar para mais perto de Deus, ou, talvez, evidenciar o quanto Deus ja estava perto. A Bíblia relata a história de pessoas que foram sacanas como, também, foram 'sacaniadas', e não foi por causa disso que o amor e cuidado de Deus deixou de se expressar na vida dessas pessoas.
Ficamos preocupados com coisas de mais sem ter necessidade, aliás, foi essa a exortação que Jesus fez à Marta. Ela estava ansiosa, preocupada com o trabalho, com a casa, com o futuro e esqueceu de desfrutar o que se dava para viver naquele momento. Não fique desesperado pelo que há de acontecer. Curta o presente, sorrindo ou chorando, de modo que a vida seja construída sem grandes pretensões, apenas vivida como se dá para viver.
Supere o fora. Enxugue as lágrimas. Coloque uma roupa nova. Faça a sobrancelha. Corte as unhas. Corra 15 km. Fiquei cheiroso/a. Sorria pra desconhecidos/as. Grite, sempre que possível, 'Ooh'! Aprenda com os fracassos. Crie oportunidades. E nunca se esqueça que Deus já te deu, hoje, tudo o que você precisa para ser feliz e fazer feliz hoje. É difícil, mas necessário.
Que Deus nos ajude. Amém

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ponto Final




Dei um ponto final naquela situação! Essa é uma exclamação quando as pessoas querem encerrar um fase na vida, um relacionamento, uma situação, enfim, levar ao fim ou dar cabo de algo. Pois bem, sabe-se o que significa o 'ponto final', vale dizer o que 'o ponto final' não significa. Ele não significa o encerramento de uma ideia, mas, sim, de um período. Na ortografia, por exemplo, o 'ponto final' aparece para encerar um período da frase a fim de que uma ideia maior seja construída e constituída com clareza e precisão.
Logo, para que uma ideia fique clara e bem definida é preciso se utilizar do 'ponto final'. Encerrar um período é, quase que sempre, iniciar outro período com o objetivo de construir uma ideia maior, um ideal com maior precisão e abrangência.
Então, quando você precisar pôr um 'ponto final' em alguma área de sua vida, não fique com medo ou com pavor. Lembre-se sempre que para desenvolver uma ideia maior é fundamental encerrar períodos e começar novas frases (fases).
Coloque mesmo 'ponto final' num período, mas fique atento para a frase (fase) que se iniciará. A vida é assim, começos, términos e recomeços. Encontro, desencontros e encontros. Tangências, convergências e divergências. Porém, quando se põe um 'ponto final' é possível sistematizar a vida a partir dos novos horizontes que aparecem diante de um cenário meio nebuloso.
Encerrar é começar. Não pense que o 'Ponto final' é o final, pelo contrário é o início de algo que 'nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou o coração humano aquilo que o Senhor preparou para aqueles que [colocam ponto final em suas vidas]...”
Termine e inicie. Inicie e termine. Termine bem, inicie bem. Faça dos 'pontos finais' um tempo para restauração de todas as coisas. Que o Senhor nos ajude nessa caminhada.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sem grandes ideias




Já se deparou com um momento existencial sem inspiração alguma? Já sentiu o desejo de falar algo mas não sabe o que dizer nem por onde começar a dizer? Já ficou pensando em pensar alguma coisa relevante, só que você fica assim por horas e horas e nada aparece? Nem um inside, nenhum estalo, nadica de nada? Já ficou assim? Então podemos dar as mãos e caminhar.
A parte boa de tudo é que descobri que pensar sem conseguir pensar em nada me mostrou que nem sempre preciso pensar algo realmente significante. Não preciso ter respostas para tudo. Não tenho a obrigação de ter frases inspiradoras. Não preciso desenvolver e, porque não, mover minha filosofia de modo centrífugo ou centrípeta, a fim de eliminar os algozes que me ameaçam, tanto internos como os externos.
Não ter criatividade é uma ação criativa. Não ter o que pensar, ou sem norte para iniciar o ato de pensar pode ser uma ação pedagógica que auxilia a sistematizar aquilo que está desorganizado e desestruturado, até chegar numa fase um pouco mais madura ou, pelo menos, um pouco menos incoerente e inconsequente.
Deste modo, passei a curtir a minha ausência de inspiração, minha ânsia de pensar em coisas e mais coisas, neste período de infertilidade de ideias pude descobrir coisas importantes e libertadores sobre mim mesmo. A 'desinspiração' ajudou-me a controlar e amenisar aquilo que nao dou conta de responder. Posso achar o que está perdido, organizar o que esta bagunçado e ser feliz sem muitas pretensões.
Caso você esteja em um tempo semelhante ao meu, sem ideias, improdutivo, infértil, etc, talvez, como eu, Deus esta colocando em ordem o que conseguimos bagunçar. Descubra no silêncio as palavras que te sustentarão. Descubra da ausência a presença necessária. Descubra na dúvida respostas incompletas, mas que se bastam.