sábado, 19 de março de 2011

Celebrar no Deserto

(pregação dia da mocidade - 19/03/11)

“Depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.”

Exórdio: Certa vez, conversando com um pastor aposentado que, outrora, foi muito ativo na vida da Igreja, desde a época da juventude, ele disse, com lágrimas nos olhos: “É, não se faz mais jovens como antigamente.”. Essa frase me fez pensar muito, principalmente da minha relevância como jovem, e, mais do que isso, cristão e pastor. Quando este pastor me disse isso, ele passou a contar a história de uma juventude que questionava as decisões políticas, econômicas, e, até mesmo, religiosas.
Passei a perceber que um grande vírus que permeia a realidade de nossa juventude é a indiferença diante da vida e dos dramas que se levantam no cotidiano. A partir disso, a juventude perde a concepção de celebrar à Deus o que Ele fez, o que faz e o que pode fazer. Infelizmente muitas pessoas restringem a ideia de celebração ou para os momentos pietistas de música, na qual se incentiva uma ascese religiosa, ou, para outros, a ideia de 'baladas' e 'noitadas' bem longe da Igreja.
Infelizmente, boa parte da juventude não consegue equacionar celebração e festa com vida com Deus e em santidade.
Nesse caminho, é bom conceituar o que é celebração: Comemorar algo com festa, cerimônia, solenidade de caráter informal ou formal ou oficial, Reagir a algo com sentimento ou manifestação de alegria, satisfação, exaltação, FESTEJAR, Louvar, exaltar, enaltecer, Realizar algo. Celebração tem uma extrema relação com festa: Reunião de pessoas para fins comemorativos e/ou recreativos, alegria, contentamento, demonstração de alegria, de felicidade etc. Que duas pessoas fazem ao se reencontrarem, ou o momento em que se dá esse encontro, aproveitar situação ou condição favoráveis para lograr algo normalmente difícil.
Explicação: O versículo proposto é muito interessante, devido a sua ambiguidade. Se por um lado Moisés chama o povo para celebrar uma grande festa no deserto, e para isso acontecer ele fala com o faraó o que Deus mandou ele falar, por outro lado, o povo não tinha motivo nenhum para celebrar ou fazer festa.
Afinal de contas era um povo escravo. Sem dignidade, sem liberdade, sem motivos de alegria ou motivação. Parece que as situações contribuíam para a infelicidade, logo, não tem como celebrar a Deus nessas situações.
É interessante que Moisés e Arão pedem para levar o povo para o deserto, para que lá aconteça uma grande festa. Nota-se os vários sentidos e significados do deserto, pois ao mesmo tempo que é lugar de tentação, provação, morte, desespero, medo, de necessidade, é, também, lugar de provisão de Deus, cuidado divino, revelação de Deus, é o início de grandes transformações. É evidente isso na vida dos profetas, de homens e mulheres de Deus que passaram por períodos de provação e tentação, como do próprio Jesus. Aprendemos, já no Êxodo, que é possível celebrar e fazer uma grande festa no deserto.
Tenho aprendido que as coisas ganham os valores que damos a elas, logo, qual é o deserto que você vive? Qual é o sentido e significado que você tem dado para ele? Talvez as situações não nos ajudem a celebrar a Deus e fazer uma grande festa, então, nessa direção, o texto pode nos ajudar.
Proposição: Nessa perspectiva, vejamos quatro questionamentos que podem nos ajudar: Será que a juventude tem motivos para celebrar? Celebrar por que? Celebrar Pra que? Quando Celebrar?

Argumentação:
I – Será que a juventude tem motivos para celebrar?
Diante da escravidão, o povo não tinha porque celebrar a Deus, não existia alegria, felicidade, entusiasmo, existia a infelicidade.
Talvez não seja diferente em nossos dias. Talvez a vida está dura de mais, as coisas não estão acontecendo, vivendo em círculos e mais círculos. Mas o texto nos desafia para uma Convicção do que Deus pode fazer. A juventude não pode assumir o discurso do político que diz “pior que tá num fica”, pelo contrário, as coisas podem piorar sim, logo, a juventude precisa valorizar a sua maior potencialidade que é acreditar que as coisas podem mudar para melhor e que Deus está com os ouvidos e olhos sensíveis para à realidade do ser humano.

II – celebrar por que?
Será que nossa juventude tem algum Motivo para celebrar o que Deus tem feito em suas vidas? Família? Igreja? Profissão?
Existe alguma Razão para celebrar? Isto é, Deus tem agido de modo relevante na vida de nossa juventude?
Tem alguma causa, um fato, um acontecimento em especial para celebrar a constante presença de Deus e sua ação?
Ao pensar em POR QUE, é preciso pensar em uma boa explicação para o que Deus tem feito e realizado. É possível?
O POR QUE aponta para uma justificativa, é possível, de modo sistemático, justificar o amor incondicional de Deus?
Lembre-se SEMPRE - Deus não conspira contra os seus filhos, isso quando as pessoas estão alegres, parece que Deus quer ver as pessoas tristes, malhando, passando sempre pela prova.

III – Celebrar pra que?
A pergunta do PRA QUE traz consigo a ideia de Funcionalidade, não é pensar num conceito administrativo, é, acima disso, lembrar a ideia de Acreditar na vida antes da morte, logo, se tem uma função, tem uma Utilidade, não com o paradigma de descartável, acima disso, como algo valoroso para a vida, então celebrar torna-se algo Prático, e, consequentemente, relevante.

IV – Quando Celebrar?
Pensar em QUANDO é pensar a respeito do Momento, nem sempre estamos num bom momento, como Moisés não estava, mas, acima disso, é fazer de cada momento uma oportunidade impar para celebrar ao que Deus pode fazer e fará. Pensar em QUANDO é trabalhar a temática da época, um tema muito presente na vida da juventude, haja vista que existem épocas boas e épocas más. Épocas de extremo entusiasmo e épocas de marasmo espiritual. Mesmo diante das más épocas da vida, celebre a Deus pedindo que ele renove a esperança e a vontade de celebrar. Assim, a concepção do apesar de: a família estar com problemas, o pastor não ser o mais legal, a igreja não ser a mais divertida, o trabalho não pagar tão bem, apesar disso tudo, vale a pena celebrar a Deus, pois Deus nunca abandona o seu povo. Jesus sempre se faz presente, apensar de...
Celebre a vida como um presente de Deus – não celebre apenas quando as coisas terminam ou chegam ao fim.
Peroração: Relembrando, celebre uma grande festa ao Senhor trazendo na memória bons motivos, isso todas as pessoas têm. Pense sempre do por que, pra que e quando celebrar a Deus.
Contudo, um detalhe muito interessante do texto é que Moisés e Arão tem uma caricatura bastante jovial, isso porque eles fazem uma coisa 'muito loca': chegam diante do faraó e pedem algo absurdo. Seja ousado no que você fizer. Seja na sociedade local, Federação, Confederação. Tenha ousadia para fazer. Pense longe, grande e absurdamente, tendo em vista 1 Cor 1.27 “Deus escolheu as coisas loucas desse mundo para envergonhar as sábias.”. A juventude faz parte dessa loucura toda. Não vamos ser uma juventude satisfeita, sempre culpados, ou motivando uma religião que não celebra a vida. “Nunca questione nas trevas o que você aprendeu sobre Deus na luz” - o dia mal vai aparecer, porém ele não é capaz de ofuscar o que Deus já fez, faz e fará!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Igreja: Como eu gosto!


Li, nesses últimos tempos, muitos artigos que criticavam a Igreja, o ser evangélico, o modo de ser cristão da atualidade, etc. Considero que muitas críticas são bastante consistentes e com embasamentos sólidos. É certo que dentro das Igrejas existem movimentos que contrariam o que Jesus esperava dos/as seus/suas novos/as seguidores/as. Muitos evangélicos/as não tem nada de Evangelho, e muitos cristãos/ãs não passam de anticristãos. Mas é um erro generalizar. Nem todo político é corrupto, nem todo pastor é ladrão, nem todo cristão é hipócrita, nem toda Igreja é falida. Toda generalização, irremediavelmente, é falha – Graças a Deus por isso.
Portanto, gostaria de afirmar algumas convicções pessoais. De coisas que eu gosto 'por dimais'.
Gosto muito de ir à Igreja aos Domingos pela manhã. Como é bom entrar na presença de Deus logo cedinho, cantar, orar, ouvir a voz de Jesus, estudar a Bíblia. Sinto que o divino toca o humano com tal intensidade, sendo que o Reino se faz em nós e para nós.
Como gosto de ir à Igreja aos Domingos a noite. Utilizar-se da liturgia como viés para se achegar mais do Espírito Santo e, paralelamente a isso, torna-se demasiadamente humano. Cantar, alegrar, pular, orar e chorar, verbos que geram ações fundamentais para o ser cristão. Ouvir a voz de Deus, ouvir a voz dos irmãos e irmãs, ouvir o riso das crianças, sentir o calor contagiante dos jovens e juvenis.
Como eu gosto das reuniões semanais pela manhã ou noite. Nesses pequenos encontros somos desafiados a nos desencontrar com o egoísmo e, assim, entrar, de pouquinho em pouquinho, no mundo de outrem, descobrindo universos paralelos, que, em outros tempos, eram intocáveis, pois eram cercados pelos muros da solidão e do egocentrismo.
Como eu gosto dos encontros familiares. Ainda será inventado algo que aproxime mais culturas, histórias e estórias, jeitos e trejeitos como estes tais cultos familiares. Acredito que esses cultos são uma caricatura do que nos espera na eternidade. Momentos excepcionais para fazer coisa que gente gosta de fazer: falar, ser ouvido e ouvir, comer bastante e se permitir o ato do descobrimento.
Como eu gosto dos “Louvorsões”, como eu gosto das reuniões de oração, dos encontros de casais, dos encontros jovens, das gincanas, das datas comemorativas, como eu gosto de dançar e pular junto com as crianças nas EBFs... Ah como é bom Igreja!
Sou apaixonado pela Igreja porque foi nela que descobri o que é liberdade. É nela aonde o Espírito se faz sentir e, por isso, gera uma genuína libertação. Foi na Igreja que tive as minhas maiores decepções, porém, foi nela mesma que tive experiências impares que me solidificam nos dias atuais.
É um paradoxo ir à Igreja. É um erro não ir à Igreja.
Mesmo sendo apaixonado, um 'eterno' romântico no que se refere ao corpo de Cristo, ainda, assim, consigo desenvolver um senso crítico, estabelecendo critérios conscientes. Sei bem das trevas que pairam sobre o mundo religioso. Mas sei que, mesmo assim, a Igreja é 'coisa' de Deus.
Igreja vai para além dos muros institucionais, mesmo utilizando desses sistemas doidos, mas até as Escrituras afirmam que 'usaria das coisas loucas desse mundo para impressionar as sábias', afinal de contas, não existe nada tão louco como as instituições religiosas.
Acredito que os poemas do Hinário Evangélico e da Harpa Cristã são insuperáveis. Os poetas tem seus méritos, todavia, mesmo toda maestria para dominar a linguagem, nada consegue retratar tão bem o âmago humano como estes hinos tradicionais. Um jeito todo especial de fazer uma teologia que respondia as demandas, exigências, medos e inseguranças de um período que se foi, que é e que há de vir.
Antes de ser um líder religioso ou algo do gênero, sou um cristão, que acredito na Igreja como parte do projeto de Deus. Acredito que as coisas podem melhorar a medida que eu melhoro. Estou ciente dos erros, equívocos, “demonicidades” em nome de Jesus que existem, mas, apesar disso, acredito no cuidado e amor de Deus.
Vou a Igreja não como obrigação, não como o lugar do meu sustento material, não como uma organização que me paga o salário no fim do mês. Vou a Igreja porque lá é um dos locais que tenho meus encontros com o transcendente. É lá que posso ser um pouquinho do que Cristo foi e ser impactado pelos pequenos Cristos que nos cercam. Não desisto da Igreja porque sei que Jesus não desistiria dela. Eu gosto de acreditar na Igreja.