5/09 Sábado
Amor Maior
1 João 4.8-9
“ 8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.
9 Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele.”
Porque você está aqui? Qual é a sua motivação em passar 4 dias em um lugar longe da sua família, dos seus amigos, da internet, da sua vida cotidiana? Será que você está aqui para se livrar disso tudo? Talvez você esteja de saco cheio da sua mãe, não suporta mais ouvir a voz do seu pai, não quer ver a cara de seus irmãos ou de quem mora com você, acha que todos os seus amigos são interesseiros. Talvez você está aqui porque quer curtir muito esses 4 dias, “pegar geral”. Ou você é uma pessoa (dita) “espiritual” e quer ter mais uma experiência para colocar em seu currículo sobrenatural. Acredito que você está aqui por outro motivo, um que você talvez nem imagine que possa existir: Deus quer te ensinar o que é o AMOR.
O trecho bíblico diz que existe uma condição para se conhecer a Deus, é amar. O que você entende por amar? Tenha certeza de uma coisa: amor não é apenas um sentimento, é uma escolha! São atitudes APESAR DE. Aprendemos que o amor é algo que cresce conforme o investimento da outra pessoa, quanto mais ela merece, mais eu devo amá-la. Isso é mentira! O verdadeiro amor não é movido por interesses e não é dado por merecimento, ele é de GRAÇA. Deus nos mostra isso.
Falar do amor de Deus as vezes se torna algo tão distante e vazio. Será que entendemos o que isso representa? Deve ser fácil um Ser tão grande amar, ele nunca perdeu nada, nunca sofreu, nunca teve que agüentar as coisas de uma casa, de uma família cheia de problemas! É fácil amar desse jeito! Pense um instante na pessoa que você mais ama. Imagine essa pessoa, levando uma surra, depois de apanhar muito, ela tem que andar uma distância imensa com um peso enorme nas costas, depois sentir um prego perfurando o seu punho e os seus pés. Imagine essa pessoa que você tanto ama sofrendo, gritando, chorando... O que você está sentindo? Foi isso o que Deus sentiu.
Ele permitiu que o seu único filho, a pessoa mais próxima d'Ele, que Ele amava profundamente sofresse dessa maneira. E sabe porque? Porque ele te ama com um AMOR MAIOR. Você veio aqui para descobrir que o amor de Deus por sua vida é imenso. Você está aqui para entender que Deus te ama tanto que não mede esforços para que você sinta esse amor.
Porque você está aqui? Porque Deus quer te ensinar a amar sua mãe, a respeitar o seu pai, a honrar os seus irmãos e parentes, quer te ensinar a fidelidade na amizade. Esses 4 dias serão dias de aprender um pouco do que é o amor e conseqüentemente conhecer mais de Deus.
Oração: Senhor. Me ajuda a ter os ouvidos sensíveis ao seu falar, os olhos atentos a ver o seu amor e o coração apto a ser tratado e ensinado. Em nome de Jesus, amém.
Pensamento para o dia: Quanto mais eu amar, mais vou conhecer a Deus.
Oremos para todos/as que são filhos/as demonstrem o Amor de Deus.
6/09 Domingo
O verdadeiro Amor lança fora o medo
João 20.19
“ 19 Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!”
Do que você tem mais medo? Do escuro ou de ficar sozinho? De levar um fora ou ser excluído da galera? De ser traído por um amigo ou não ter amigos? De morrer ou da morte de alguém próximo? Pense: do que você tem mais medo? Uma coisa é fato: O medo esta em todos, uns de forma mais explícita outros não.
O texto acima relata isso. João demonstra que aqueles discípulos que viveram ao lado de Jesus, testemunharam os milagres, os prodígios, as maravilhas que Jesus havia feito, estavam com medo do que os judeus poderiam fazer e por isso se escondiam dentro de uma casa com as portas trancadas.
Esse é o grande problema do medo. Ele faz com que você tranque as portas do seu coração para a realidade e se esconda. Te impede de arriscar, de acreditar, de insistir e até mesmo de viver. Você se transforma em uma pessoa do “e se...” “e se” eu tivesse arriscado? “E se” eu tivesse acreditado? “E se” eu tivesse insistido? Será que você é um juvenil do “e se...”?
Talvez você enxergue as coisas de maneira pessimista e sem futuro. Ou você é um valentão por fora - porque diz que faz e acontece, não tem medo de punição, não dá satisfação da sua vida para ninguém - só que é um medroso e carente por dentro - pois vive querendo chamar a atenção, quer colo, ser visto, reconhecido e amado.
Saiba que o medo te impede de abrir a porta do seu coração e desfrutar da paz que Jesus pode te dar. Você pode pensar: “e se” eu quebrar a cara de novo? “e se” ele não corresponder as minhas expectativas? “e se” tantas outras coisas mais. Você está aqui para aprender que o VERDADEIRO AMOR LANÇA FORA O MEDO. A beleza do amor de Deus é que ele é incondicional. Não importa a sua condição, o que aconteceu, o que foi feito ou se você está no fundo do posso. O amor de Deus é aquele que quando se cai 1000 vezes ele te levanta 1001 vezes.
Nada pode te separar do amor de Deus, nem a morte, nem a vida, nem as angústias nem os medos, porque tudo está sobre o controle de Deus. Mas existe uma coisa que Deus não pode fazer: Ele não pode fazer o que você tem e/ou pode fazer! Você tem que abrir mão do medo, abrir mão dessas máscaras que tem escondido quem de fato você é. E tenha certeza de que o que você não puder fazer, essas coisas que estão além das suas forças é a parte de Deus.
Fica o desafio para você: lute contra esse medo que te deixa para baixo e tome para si o amor de Deus que é bom, perfeito e agradável.
Oração: Jesus, tu és a maior expressão de amor, ajuda-me a perceber este amor incondicional em minha vida, afim de que eu possa lançar fora todo o medo que me paralisa. Ajude-me a fazer a minha parte e honrar o teu nome. Em nome de Jesus, amém.
Pensamento para o dia: Quais os medos que me impedem de amar?
Oremos para os juvenis adquiriram coragem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo.
7/09 Segunda
É hora de enfrentar o mundo
1 João 5.4-5
“4 porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.
5 Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?”
Está na hora de voltar para casa. E provavelmente os problemas estarão lá, quase da mesma forma que você deixou. Talvez o seu maior desejo fosse ficar por aqui, não é verdade? Se divertindo, comendo e bebendo, ao lado de pessoas que você gosta, sem ter que voltar para a sua rotina. Mas, é necessário voltar para casa.
Nesses dias, Deus veio falando ao seu coração, mostrando que Jesus expressou o seu amor naquela cruz para dar vida à humanidade, porque ele ama a todos/as de uma forma muito especial. Você ouviu que o verdadeiro amor lança fora todo o medo, fazendo de você uma pessoa mais corajosa e perseverante. Agora, Deus te diz o seguinte: Você é capaz de vencer o mundo. O mundo que te cerca e que você vive.
Antes de vencer o mundo, é preciso que cada pessoa tenha nascido em Deus. Ser nascido em Deus é reconhecer Jesus como Senhor e Deus, só que isso não é suficiente se não tiver fé. A fé é o grande combustível da vida do cristão/ã. A bíblia relata que fé é a certeza das coisas que não se vê e a convicção das coisas que se espera. Isso nos mostra que a fé é aquele impulso, o que nos lança. E a única certeza que se tem é que Deus irá agir de uma maneira surpreendente e maravilhosa.
Creia que você é capaz de vencer o mundo. Sua família está “detonada”? Seus amigos são falsos? Está sem emprego? Seus pais te dão tristeza? Seu namoro é uma fuga? Você é o seu pior inimigo, não se gosta, não se respeita, não se valoriza? Saiba que se você nasceu em Deus e tem essa fé firme, o mundo em que você vive será transformado.
Essa é a hora de enfrentar o mundo. Ter ousadia de negar o pecado e dizer sim para os princípios de Deus. Abrir mão do velho juvenil que entrou aqui e buscar uma vida em santidade. Viver em santidade é: amar intensamente, perdoar sempre, ser uma extensão do reino de Deus em todos os lugares que você pisar e pensar em seus passos o que faria Jesus?
Você é capaz de vencer o mundo que te cerca. Tenha coragem em dizer não, tenha ânimo em meio a tribulação, seja a alegria do seu lar, tenha perseverança em viver em santidade e disposição em ser corrigido pelo Espírito Santo. Deus espera que você seja um embaixador do Reino de Deus. Não se esqueça que Cristo conta com você.
Oração: Santo Espírito, preciso da sua ajuda para enfrentar o que me espera lá fora e tenho certeza que com a sua ajuda, serei mais que vencedor em todo tempo. Seja o meu diferencial aqui e lá no mundo que me espera, em nome de Jesus, amém.
Pensamento para o dia: Qual é maior desafio que me espera lá fora? O que preciso para superá-lo? Sou nascido de Deus? Tenho fé?
Oremos para que o juvenis honrem a prova de Amor de Jesus, descubram e lutem contra o seus medos e enfrentem o mundo que está por vir. Pois mesmo em meio as tempestades, é possível vencer o mundo.
"Senhor, dê-me serenidade para conviver com aquilo que não posso mudar. Dê-me coragem para mudar aquilo que se pode mudar. Dê-me sabedoria para distinguir uma da outra..."
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
NO caminho de Cristo, mas que Cristo?
Culto FaTeo 09/09/2009
Texto: Marcos 8.27-38; 9.1
Tema: No caminho de Cristo, mas que Cristo?
TEXTO
27 Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
28 E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.
29 Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo.
30 Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.
31 Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.
32 E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo.
33 Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.
34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
35 Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.
36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
37 Que daria um homem em troca de sua alma?
38 Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.
9:1 Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.
Essa história do livro “O Peregrino” me lembra a jornada que boa parte dos discente fazem quando escolhem vir para a Faculdade de Teologia. Algumas pessoas que cursam teologia, buscam respostas em meio as suas inquietações existenciais. Uma vocação que nasce em meio as horríveis catástrofes que assolam o mundo, questões pessoais ou uma resposta ao chamado de Deus. Os discentes iniciam uma jornada neste caminho que se chama FaTeo. Caminhar “pelas trilhas do mundo, a caminho do Reino”2. Mas que Reino?
Os discípulos queriam saber qual era o Reino que Jesus propunha. É no caminho rumo a Filipe de Cesaréia, “uma grande cidade helenística que controlava extenso território e até tinha o privilégio de cunhar o dinheiro3” que as verdadeiras intenções dos discípulos de Jesus vem a tona. O Evangelho de Marcos é sobretudo um escrito político, buscando responder algumas indagações que assolavam a comunidade cristã por volta de 65-70 d.C. Se por um lado a cultura era influenciada pelo helenismo, por outro lado, existia uma ideologia que legitimava o imaginário judaico: o Cristo enviado por Deus, guerreará contra as forças opressoras do império.
É no caminho que o segredo messiânico é declarado. Os discípulos são chamados para o discipulado que contrariava o evangelho de César que anunciava a paz romana por meio do seu exército. O caminho estabelece um novo paradigma a respeito da vitória que o Reino de Deus pode estabelecer à humanidade.
Da mesma forma que os discípulos, hoje todos os discentes estão no caminho e à caminho. E o que se pode aprender neste caminho?
Em primeiro lugar no caminho aprende-se que...
I – Jesus não é o Cristo!
Normalmente quando se lê este texto, as pessoas ficam impressionadas com a resposta de Pedro e a repreensão de Jesus. Contudo, ao entrar no contexto, percebe-se que a tonalidade da fala de Pedro no verso 29 - “Tu és o Cristo” - é uma fala política. Em seu imaginário o Cristo não pode ser João Batista, nem Elias ou até mesmo algum dos profetas, pois mesmo esses se impondo contra o império, foram consumidos. O Cristo era aquele líder político e guerreiro, que iria impor o reino de Deus por meio de guerras e sangue dos adversários. Eram atitudes assim que Pedro e os discípulos esperavam de Jesus. E por isso, Jesus os repreende. Pois Jesus não era esse Cristo.
Todos/as que estão na FaTeo tem um imaginário a respeito da figura de Jesus. Talvez um Cristo milagreiro, ou um Cristo que dá poder e status. Talvez um Cristo indiferente à realidade ou aquele que serve como “trampolim” na vida financeira. Por vezes, um belo discurso guarda em sua essência intenções maldosas, excludentes e longe do propósito do Reino de Deus. Logo, Jesus não é este Cristo.
Um grande desafio para os/as discípulos/as que caminham na FaTeo é rever alguns paradigmas e se perguntarem: Qual é o Cristo que sigo? Será que é o Cristo que responde aos meus próprios interesses?
Isso traz a tona outro aspecto do que se aprende do caminho:
Em segundo lugar no caminho aprende-se que...
II – Jesus é o Filho do Homem.
O verso 31 apresenta quem realmente Jesus era. Um ser humano que iria sofrer, ser rejeitado, morto e ressuscitar. Mas não era isso o que Pedro esperava dele. Por isso, Pedro o chama a parte e utiliza-se do termo EMPITMAN para exortá-lo. Sabe-se que o grego influenciou o latim, e por sua vez o francês, que tem a palavra EMPECHÊ (impedir), até que chegou ao inglês na palavra IMPEACHMENT, que significa “impedir, impugnar, denunciar, acusar, descrédito, depreciação”4. Logo, Pedro tem em mente impedir Jesus de concretizar o seu ministério. Ou de impugnar a liderança de Jesus, descredibilizar o caminho para Jerusalém, depreciar a vocação de Jesus.
Será que os discípulos de hoje são diferentes Pedro, quando se deparam diante de um caminho de sofrimento pelo Reino de Deus, de rejeição pela sociedade, de morte mas ressurreição? Por vezes, quando Jesus não corresponde a expectativa da Igreja, ele recebe um impeachment, é barrado e deixado de lado. O Deus que era da convivência, passa a ser o da conveniência.
Talvez a exortação que Jesus fez para os seus discípulos, sirva para os/as alunos/as da FaTeo. Qual é a pretensão ao cursar Teologia? É para legitimar um sistema humano ou para anunciar e implantar o Reino de Deus? Este desafio, leva a todos/as a meditarem em sua vocação e ministério. Pois da mesma forma que esperamos algo de Jesus, ele espera uma postura de nós.
Isso evidência outro aspecto que se aprende no caminho.
Em terceiro lugar no caminho aprende-se que...
III – Jesus convida para o caminho da renuncia.
O verso 34 representa bem as intenções de Jesus. Os discípulos e a multidão são chamados para “negar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo”. A lógica é: para salvar precisa morrer. “Negar a si mesmo” é parar de cogitar as “coisas” humanas para cogitar as “coisas” de Deus. “Tomar a cruz e seguir”, é uma alusão aos condenados que carregavam a própria cruz até o lugar da execução. Seguir à Jesus era colocar em risco a própria vida. A proposta é desafiar a hegemonia imperial mas sem sangue. A afirmação “Filho do Homem”, remete à uma perspectiva escatológica, em que o Reino de Deus é, mas ainda não. “Ganhar a vida” é mais importante que “ganhar o mundo inteiro”.
Essa lógica de Jesus mexe com todos/as que estão neste caminho. Em um tempo em que muitos lideres querem ganhar o “mundo todo”, afim de aumentar o seu império, acabam perdendo a própria alma. Muitas pessoas vendem a alma por mais fama e destaque, envergonhando e tendo vergonha do Evangelho. Se esquecem do caminho que é proposto pelo Filho do Homem, e afastam-se do Reino de Deus. Quanto será que vale a alma de um acadêmico de teologia?
Jesus nos desafia a “negarmos” as vontades humanas para afirmar a vontade de Deus; à “tomarmos a cruz” e assumir as responsabilidades deste ministério e; “seguirmos” o caminho de doação e amor. Ele mostra que para ganhar é preciso dar, para salvar é preciso perder, para viver é preciso morrer.
Concluindo...
O texto nos mostra que Jesus não é o Cristo que queremos, mas o Filho do Homem que aponta para o caminho da renuncia e anúncio. O primeiro verso do capítulo 9 diz que alguns não enfrentaram a morte sem antes ver o Reino de Deus vindo com poder. Está aí um desafio pastoral aos nossos dias.
Ver o Reino de Deus com poder é levar esperança para aquelas almas que estão abatidas e cansadas. Ver o Reino de Deus com poder é trazer consolo aqueles/as que estão fracos/as e abatidos/as. Ver o reino de Deus com poder é anunciar o amor como o caminho que supera toda e qualquer crise. Ver o Reino de Deus com poder é afirmar a sacralidade da vida opondo-se contra as forças da morte.
Hoje somos convidados/as a trilhar este caminho que vai em direção ao Reino de Deus. Que o Senhor nos ajude nesta jornada.
1BUNYAN, John. O peregrino.
2SANTANA, Julio de. Pelas trilhas do mundo, a caminho do Reino. São Paulo, imprensa Metodista, 1984.
3MEYRS, Chedit. O Evangelho de São Marcos. São Paulo, Paulinas, 1992.
4Site www.wikiedia.com.br enciclopédia livre.
Texto: Marcos 8.27-38; 9.1
Tema: No caminho de Cristo, mas que Cristo?
TEXTO
27 Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
28 E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.
29 Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo.
30 Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.
31 Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.
32 E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo.
33 Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.
34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
35 Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.
36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
37 Que daria um homem em troca de sua alma?
38 Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.
9:1 Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.
“Querida esposa, filhos do coração, não posso resistir por mais tempo ao peso deste fardo que me esmaga. Sei com certeza que a cidade em que habitamos vai ser consumida pelo fogo do céu, e todos perecemos em tão horrível catástrofe se não encontrarmos um meio de escapar. O meu temor aumenta com a idéia de que não encontre esse meio. Vamos por este caminho. Quem me indicou o caminho foi um homem chamado Evangelista. Segundo o que ele me disse, havemos de encontrar uma porta estreita, lá, mais adiante, e aí nos dirão o caminho que havemos de seguir.”1
Essa história do livro “O Peregrino” me lembra a jornada que boa parte dos discente fazem quando escolhem vir para a Faculdade de Teologia. Algumas pessoas que cursam teologia, buscam respostas em meio as suas inquietações existenciais. Uma vocação que nasce em meio as horríveis catástrofes que assolam o mundo, questões pessoais ou uma resposta ao chamado de Deus. Os discentes iniciam uma jornada neste caminho que se chama FaTeo. Caminhar “pelas trilhas do mundo, a caminho do Reino”2. Mas que Reino?
Os discípulos queriam saber qual era o Reino que Jesus propunha. É no caminho rumo a Filipe de Cesaréia, “uma grande cidade helenística que controlava extenso território e até tinha o privilégio de cunhar o dinheiro3” que as verdadeiras intenções dos discípulos de Jesus vem a tona. O Evangelho de Marcos é sobretudo um escrito político, buscando responder algumas indagações que assolavam a comunidade cristã por volta de 65-70 d.C. Se por um lado a cultura era influenciada pelo helenismo, por outro lado, existia uma ideologia que legitimava o imaginário judaico: o Cristo enviado por Deus, guerreará contra as forças opressoras do império.
É no caminho que o segredo messiânico é declarado. Os discípulos são chamados para o discipulado que contrariava o evangelho de César que anunciava a paz romana por meio do seu exército. O caminho estabelece um novo paradigma a respeito da vitória que o Reino de Deus pode estabelecer à humanidade.
Da mesma forma que os discípulos, hoje todos os discentes estão no caminho e à caminho. E o que se pode aprender neste caminho?
Em primeiro lugar no caminho aprende-se que...
I – Jesus não é o Cristo!
Normalmente quando se lê este texto, as pessoas ficam impressionadas com a resposta de Pedro e a repreensão de Jesus. Contudo, ao entrar no contexto, percebe-se que a tonalidade da fala de Pedro no verso 29 - “Tu és o Cristo” - é uma fala política. Em seu imaginário o Cristo não pode ser João Batista, nem Elias ou até mesmo algum dos profetas, pois mesmo esses se impondo contra o império, foram consumidos. O Cristo era aquele líder político e guerreiro, que iria impor o reino de Deus por meio de guerras e sangue dos adversários. Eram atitudes assim que Pedro e os discípulos esperavam de Jesus. E por isso, Jesus os repreende. Pois Jesus não era esse Cristo.
Todos/as que estão na FaTeo tem um imaginário a respeito da figura de Jesus. Talvez um Cristo milagreiro, ou um Cristo que dá poder e status. Talvez um Cristo indiferente à realidade ou aquele que serve como “trampolim” na vida financeira. Por vezes, um belo discurso guarda em sua essência intenções maldosas, excludentes e longe do propósito do Reino de Deus. Logo, Jesus não é este Cristo.
Um grande desafio para os/as discípulos/as que caminham na FaTeo é rever alguns paradigmas e se perguntarem: Qual é o Cristo que sigo? Será que é o Cristo que responde aos meus próprios interesses?
Isso traz a tona outro aspecto do que se aprende do caminho:
Em segundo lugar no caminho aprende-se que...
II – Jesus é o Filho do Homem.
O verso 31 apresenta quem realmente Jesus era. Um ser humano que iria sofrer, ser rejeitado, morto e ressuscitar. Mas não era isso o que Pedro esperava dele. Por isso, Pedro o chama a parte e utiliza-se do termo EMPITMAN para exortá-lo. Sabe-se que o grego influenciou o latim, e por sua vez o francês, que tem a palavra EMPECHÊ (impedir), até que chegou ao inglês na palavra IMPEACHMENT, que significa “impedir, impugnar, denunciar, acusar, descrédito, depreciação”4. Logo, Pedro tem em mente impedir Jesus de concretizar o seu ministério. Ou de impugnar a liderança de Jesus, descredibilizar o caminho para Jerusalém, depreciar a vocação de Jesus.
Será que os discípulos de hoje são diferentes Pedro, quando se deparam diante de um caminho de sofrimento pelo Reino de Deus, de rejeição pela sociedade, de morte mas ressurreição? Por vezes, quando Jesus não corresponde a expectativa da Igreja, ele recebe um impeachment, é barrado e deixado de lado. O Deus que era da convivência, passa a ser o da conveniência.
Talvez a exortação que Jesus fez para os seus discípulos, sirva para os/as alunos/as da FaTeo. Qual é a pretensão ao cursar Teologia? É para legitimar um sistema humano ou para anunciar e implantar o Reino de Deus? Este desafio, leva a todos/as a meditarem em sua vocação e ministério. Pois da mesma forma que esperamos algo de Jesus, ele espera uma postura de nós.
Isso evidência outro aspecto que se aprende no caminho.
Em terceiro lugar no caminho aprende-se que...
III – Jesus convida para o caminho da renuncia.
O verso 34 representa bem as intenções de Jesus. Os discípulos e a multidão são chamados para “negar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo”. A lógica é: para salvar precisa morrer. “Negar a si mesmo” é parar de cogitar as “coisas” humanas para cogitar as “coisas” de Deus. “Tomar a cruz e seguir”, é uma alusão aos condenados que carregavam a própria cruz até o lugar da execução. Seguir à Jesus era colocar em risco a própria vida. A proposta é desafiar a hegemonia imperial mas sem sangue. A afirmação “Filho do Homem”, remete à uma perspectiva escatológica, em que o Reino de Deus é, mas ainda não. “Ganhar a vida” é mais importante que “ganhar o mundo inteiro”.
Essa lógica de Jesus mexe com todos/as que estão neste caminho. Em um tempo em que muitos lideres querem ganhar o “mundo todo”, afim de aumentar o seu império, acabam perdendo a própria alma. Muitas pessoas vendem a alma por mais fama e destaque, envergonhando e tendo vergonha do Evangelho. Se esquecem do caminho que é proposto pelo Filho do Homem, e afastam-se do Reino de Deus. Quanto será que vale a alma de um acadêmico de teologia?
Jesus nos desafia a “negarmos” as vontades humanas para afirmar a vontade de Deus; à “tomarmos a cruz” e assumir as responsabilidades deste ministério e; “seguirmos” o caminho de doação e amor. Ele mostra que para ganhar é preciso dar, para salvar é preciso perder, para viver é preciso morrer.
Concluindo...
O texto nos mostra que Jesus não é o Cristo que queremos, mas o Filho do Homem que aponta para o caminho da renuncia e anúncio. O primeiro verso do capítulo 9 diz que alguns não enfrentaram a morte sem antes ver o Reino de Deus vindo com poder. Está aí um desafio pastoral aos nossos dias.
Ver o Reino de Deus com poder é levar esperança para aquelas almas que estão abatidas e cansadas. Ver o Reino de Deus com poder é trazer consolo aqueles/as que estão fracos/as e abatidos/as. Ver o reino de Deus com poder é anunciar o amor como o caminho que supera toda e qualquer crise. Ver o Reino de Deus com poder é afirmar a sacralidade da vida opondo-se contra as forças da morte.
Hoje somos convidados/as a trilhar este caminho que vai em direção ao Reino de Deus. Que o Senhor nos ajude nesta jornada.
1BUNYAN, John. O peregrino.
2SANTANA, Julio de. Pelas trilhas do mundo, a caminho do Reino. São Paulo, imprensa Metodista, 1984.
3MEYRS, Chedit. O Evangelho de São Marcos. São Paulo, Paulinas, 1992.
4Site www.wikiedia.com.br enciclopédia livre.
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