[parte de esforço exegético apresentado em Congresso Científico]
1 Texto
23 Em ano cinco dez ano de Amazias filho de Joás rei de
Judá reinou Jeroboão Filho de Joás rei de Israel em Samaria quarenta e um anos.
24 E fez o mal aos olhos de YHWH não desviou de todos os pecados de Jeroboão
filho de Nabat que fez pecar a Israel. 25 ele fez voltar a fronteira Israel de
entrar (para/desde) Hamat até o mar de a Arabá como palavra de YHWH elohim de
Israel que disse pela mão de seu servo Jonas filho de Amitai o profeta que de
Gat hefer 26 Eis que viu YHWH pobreza de Israel amargura muita e ninguém
escravo e ninguém livre e não havia socorro para israel. 27 E não falou YHWH
limpar nome de Israel embaixo dos céus e salvou por mão de Jeroboão filho de
Joás. 28 E restante de palavras/feitos de Jeroboão o todo que fez e seu poder
que conduziu a batalha e que fez voltar Damasco e Hamat para Judá em Israel não
(estão) eles escritos sobre livro dos feitos dos dias dos reis de Israel? 29 E
deitou-se Jeroboão com os seus pais com reis de Israel e tornou-se rei Zacarias
seu filho em seu lugar.
A
perícope selecionada é 2 Reis 14.23-29, mesmo com poucos versículos é um texto
com uma estrutura bem definida. Vale dizer que este texto está inserido num
bloco maior que é o capítulo 14 de 2 Reis. Seguindo a lógica do livro, todo o
capítulo 14 descreve a sucessão de reis tanto do sul como do norte. A diferença
é que nesse trecho, existe um movimento de expansão e de conquistas do Reino do
Norte. Aparentemente é uma descrição de evolução, todavia, ao analisar todo o
bloco, percebe-se que esse desenvolvimento foi o início da destruição do Norte.
Voltando
a delimitação do texto de 2 Reis 14, o verso 23 carrega elementos que indicam o
início da perícope, como, por exemplo, a frase inicial que anuncia o início de
um novo tempo, de um novo reinado. Os atuantes dessa perícope são outros (o pai
de Jeroboão II, o profeta Jonas e Zacarias). Essa perícope tem seus argumentos
peculiares, sendo eles: o mal caminho de Jeroboão II; a expansão de seu
território; o estado de desgraça do povo; Deus e o profeta.
Nota-se
os elementos que indicam o término da perícope no verso 29. Já no verso 28
aparece a resolução da ação dos personagens, neste caso Jeroboão II. A
reafirmação da conquista e expansão de seu território (possivelmente um
elemento muito importante para o autor). Há a descrição da morte de Jeroboão II
e quem o sucedeu, numa clássica função terminal de uma perícope. Vale ressaltar
que no capítulo 15, o tema desenvolvido não tem relação direta com Jeroboão,
por mais que apareça o nome dele, é outro assunto, específico ao rei Azarias.
Essa é uma perícope com começo, meio e fim e que trata de um tema específico
que é o reinado de Jeroboão II e a forma como seu império, na perspectiva do
autor, desenvolveu-se.
Nota-se
que essa perícope é uma narrativa, ao passo em que se considera o contexto
vivencial, percebe-se que a preocupação do narrador é descrever como foi o
início, desenvolvimento e término do rei em questão. É notório a preocupação do
autor em descrever o que ficou na consciência do povo, a saga que ficou
conservada na memória do povo. Outro elemento presente em uma narrativa é o seu
viés etiológico, isto é, a pretensão do autor em descrever um fato
extraordinário ou um evento que acontecera. O reinado de Jeroboão II não foi
irrelevante, afinal de contas, foi nesse reinado em que houve a maior expansão
do território além da situação de extrema miséria em que o povo vivia.
As
narrativas, principalmente as escritas nos livros ‘históricos’, possuem um
caráter de anais ou historiográficos, esse texto possui essa variante, ao passo
que relata com precisão dados de Jeroboão II e do seu reinado. Não pode
desprezar o viés mítico que essa narrativa tem ao passo que a divindade é vista
como aquela que pode ou não eliminar/limpar uma nação, aponta a relação com
esta divindade, no caso, YHWH.
I
– Início do reinado de Jeroboão II [v.23];
a) Data do
Reinado;
b) Genealogia;
c) Tempo do
Reinado.
II
– Descrição do reinado de Jeroboão II [v.23-27];
a) Pecado de
Jeroboão I;
b) Progresso do
Reino;
c) Pobreza e
restauração de Israel.
III
– Fim do reinado de Jeroboão II [v.28-29].
a) Descrição de
sua ‘principal’ conquista;
b) Morte e
sucessão monarquica
Numa
breve explicação da subdivisão do texto vale destacar que no primeiro verso o
autor segue o modelo do livro de Reis, especialmente o padrão do reinado do
norte, em que descreve a data do Reinado, a genealogia do monarca, isto é, qual
a dinastia que terá sequência no império e quanto tempo ele permaneceu no
poder.
Em
seguida aparece a descrição do reinado de Jeroboão II. Tem-se a ideia de que o
autor descreve os feitos que ficaram no imaginário do povo. O primeiro fato
destacado é a continuação dos pecados de Jeroboão I, por mais que Jeroboão II
tenha persistido nos mesmos erros de Jeroboão I, seu império foi marcado por um
tempo de expressivo progresso e expansão de modo considerável, contudo, ao
mesmo tempo em que havia progresso, houve grande tempo de pobreza sobre o povo,
isto é, a camada mais pobre. O autor aponta que até por meio deste monarca YHWH
salvou Israel, será que o autor tem a perspectiva de que Deus pode mudar a
história do povo nas piores condições políticas? É apenas um viés teológico?
Por
fim, seguindo o clássico modelo dos anais dos reis, o autor descreve o final do
reinado de Jeroboão II. Há a descrição de, possivelmente, sua maior conquista,
seus atos que ficaram nas crônicas dos reis, aonde foi sepultado e, por fim,
quem foi o seu sucessor no reino. Esse molde padrão é percebido em todas as
descrições para os reis do Norte. Uma estrutura concisa, sólida e bem
organizada.
O
texto bíblico demonstra a dificuldade em desvincular as diversas áreas que
permeiam a vida. Esta perícope retrata um pouco sobre isso. O Contexto
histórico dela é marcado por um grande índice de desenvolvimento do povo. O
monarca deste período é Jeroboão II, entretanto este rei é vinculado com
Jeroboão I, além do mesmo nome o autor bíblico afirma que eles tinham muitas
semelhanças.
Jeroboão
I assume o reinado após a morte de Salomão. Divide o povo, legitima seu poder
em uma profecia. Jeroboão I altera o polo religioso para Siquém, Região
montanhosa de Efraim, constrói dois bezerros de ouro e coloca um em Betel e
outro em Dã, dando a estes bezerros os créditos da libertação do Egito,
possivelmente o povo vivia um tempo de crise de identidade religiosa.
Estabeleceu os seus próprios sacerdotes, inaugura um tempo de profundo
sincretismo religioso.
Jeroboão
I tornou-se paradigma para reis rejeitados pelo autor do livro de Reis. Toda
vez que o nome de Jeroboão I é retomado é sempre num sentido de morte para os
reis que estão em voga. É um nome que prediz a morte ou num sentido de que o
rei esta afastado da vontade de Deus, dos caminhos de Deus (1 Rs 15.29-30;
15.34; 16.2-3; 16.7; 16.19; 16.26; 16.31; 21.22; 22.53; 2 Rs 3.3; 9.9; 10.29;
10.31; 13.2; 13.6; 13.11.). Jeroboão II é descrito como um rei que seguiu os
passos de Jeroboão I.
Jeroboão
II foi um monarca muito importante porque contribui significativamente para um
tempo de prosperidade e abundância do povo. Foi um tempo em que Israel
conseguiu se destacar significativamente, “podemos
constatar que a maior desgraça do Reino de Israel – e a causa de sua destruição
e do exílio de muitos do seu povo – foi que ele floresceu muito bem, como um
reino independente à sombra de um grande império.”.
Período de proeminência que possibilitou que o estado gozasse de muita riqueza,
como segue:
É
no auge da prosperidade do reino do norte, sob o governo de Jeroboão II, que
nós podemos identificar, afinal, a totalidade dos critérios do Estado
organizado: alfabetização, administração burocrática, produção econômica
especializada e um exército profissional. É também o período do qual temos o
primeiro registro de reclamação profética. Os oráculos de Amós e Oséias são os
primeiros livros de profecias preservados, contendo material que reflete o
apogeu de profecias preservados, contendo material que reflete o apogeu de
Jeroboão II..
Num
primeiro momento, parece que o povo desfrutava de um tempo de prosperidade,
porém, ao ler os indícios apontados por outros textos, enquanto uma parte de
Israel desfrutava de luxo, poder e prosperidade, a maior parte do povo era
oprimido e assolado para poder manter a vida dos ricos.
Jeroboão
II foi rei do Norte por 41 anos. Pouco se fala desse monarca na Bíblia
Hebraica. Parece que há certa resistência quanto ao seu governo. O que não se
pode negar é seu papel de gestor ‘bem sucedido’ e general sanguinário, como
segue:
Jeroboão
II é da dinastia de Jeú, um general que – com algumas boas intenções e por meio
de muitos massacres (cf. Os 1.4; 3 Rs 9-10) – galgou o poder em 842. Jeroboão
II mostrou serviço. Atesta-o seu longo governo de quarenta e um anos, desde 787
até 746. Os anais, citados em 2 Rs 14.23-29, nos dão uma ideia de seus grandes
‘sucessos’. Ampliou as fronteiras de Israel. Impôs o interesse do Estado
israelita em Damasco e em Emat, vizinhos ao norte. No sul, alargou as
fronteriras até o Mar Morto. Não é possível que os Estados de Damasco e Emat
tenham sido mantidos sob ocupação, durante todo o governo de Jeroboão. Afinal,
de acordo com Am 1.3-13; 6.13 houve lutas fronteiriças em Galaade (na
Transjordânia). Nesses combates muitos civis foram massacrados, “trilhados com
trilhos de ferro” (Am 1.3).
A
ampliação das terras, do norte (Damasco e Emat) até o Sul (Mar Morto) feitas
por Jeroboão tinham objetivos específicos. Jeroboão II poderia intervir nas
rotas comerciais e garantir, assim, o pagamento dos altos tributos. O monarca
possuía o monopólio das principais vias fazendo com que “comerciantes egípcios e mesopotâmicos necessariamente passavam pela
Planície de Jezrael, um verdadeiro entroncamento comercial”,
sua estratégia fazia com que as rotas comerciais e a arrecadação de tributos não
saíssem de seu controle.
O
reinado de Jeroboão II teve grande progresso na área agrícola e pelo grande
crescimento populacional. As áreas montonhosas ao redor de Samaria foram
escolhidas para o cultivo de olivais, segundo Finkelstein “os famosos óstracos de Samaria – coleção 63 cacos de cerâmica inscritos
com tinta em hebraico e datados, admite-se, da época de Jeroboão II – registram
o carregamento e o embarque de azeite e de vinho pelas aldeias ao redor da
cidade de Samaria, a capital.”.
Grande parte dessas negociações fincava-se nas trocas que geravam grande
prejuízo para Israel, o qual, para compensar o prejuízo, tinha que oprimir,
subjulgar a camada mais pobre a fim de que ela produzisse muito mais, além do
trabalho forçado o povo tinha que pagar tributos que segundo Schwantes “tão somente serviam para satisfazer a
ganância e a luxúria dos ricos” .
Dentro da complexidade de administrar tanto cidade como campo, Jeroboão
enfatizava a coleta dos tributos para conseguir manter sua capital, Samaria –
este foi um dos grandes desafetos dos profetas. Além do que o movimento
agrícola ajudava em sua expansão da negociação internacional.
Outro
elemento interessante na economia desenvolvida por Jeroboão II são os indícios
de ter sido um grande criador e adestrador de cavalos. O cavalo era um dos
produtos mais apreciados e valorizados no reino do Norte. Essa teoria dava
margem para que Jeroboão II tenha fornecido cavalos adestrados para os povos da
Assíria.
Sem
sombra de dúvidas é uma teoria muito interessante. Durante um tempo foi
questionada, pois os objetos encontrados tinham quase nenhuma relação com
bigas, porém, com descobertas arqueológicas essa refutação perdeu força, pois
há possibilidade de Jeroboão II, sim, ter sido um adestrador de cavalos, como
segue:
Graças
ao processo de estabelecer outras datas para o estrato de Megiddo – e a
reavaliação da história arqueológica do reino do norte – agora podemos rejeitar
as teorias anteriores e afirmar com segurança que as estruturas que parecem
estábulos em Megiddo pertencem à época de Jeroboão II. Muito embora ACab tenha
mantido razoável força de bigas, ele construiu os grandes palácios em Megiddo
que precedem o nível dos ‘estábulos’ (apesar de alguns estudiosos sugerirem que
essa cidade, apenas escavada em parte, tivesse estábulos também). Mas
relacionar os ‘estábulos’ da Jeroboão II não resolve o problema sobre a sua
função..
Há
a possibilidade de Jeborão II ter desenvolvido projetos públicos, não apenas em
Meguido, mas “também a construção de
Hazor, como fortaleza, nos terrórios retomados dos arameus e a reconstrução da
cidade de Gezer, posto avançado estratégico do reino do Norte, na froteira com
Judá e a Filistéia”.
É
importante o fato de Jeroboão II seja o mais antigo monarca de Israel que se
encontrou um selo oficial [uma espécie de leão], esse dado revela indícios da
memória do povo a respeito de Jeroboão II: monarca que por meio da usurpação
aos pobres conseguiu expressivo crescimento para as camadas ricas utilizando de
alianças e conexões internacionais, além de grandes construções e edificações.
Samaria
foi um ponto estratégico para todo esse desenvolvimento do império de Jeronoão
II. O território de Samaria não foi escolhida aleatoriamente, ao contrário
disso, uma região situada na rota Sul/Norte, no acesso Leste/Oeste não dá bom
acesso. Uma região melhor protegida do que Siquém e/ou Tirza, militarmente uma
região mais fácil para ser protegida. Quando Omri passou a dar destaque para
Samaria nota-se um possível interesse de ligações especiais de origem, além das
relações comerciais. Todavia é certo que Samaria era um bom exemplo de capital
na época do ferro II, isto é, um estado não depende só de uma cidade como
acontecia na época do Bronze. Cada cidade dá sua contribuição, auxilia do
desenvolvimento, contudo a capital precisava de segurança, como descreve o
Professor Schwantes:
A
capital obviamente deve ser segura, pouca exposta aos avanços de inimigos. Não
necessita estar no melhor lugar comercial, pois este não se perde para o
Estado. Quando Onri foi para o monte da Samaria, não desprestigiou Siquém como
núcleo comercial. A Samaria segura, no alto, mais fácil de ser defendida que
Siquém, um núcleo urbano concebido nos tempos do bronze, cumpria, pois, seu
papel em colaboração com os demais centros de poder. Onri fez de Samaria a
capital dentro dos moldes de um estado territorial.
Jeroboão
II se utiliza bem desses elementos estratégicos para fortalecer seu império.
Por mais que Samaria fosse a capital e gozasse de boa segurança, a mesma rota
que levava os cerais, óleo, cavalos e os demais produtos foram os mesmos
caminhos que trouxeram os soldados assíricos, desencadeando na ruína de
Samaria, tragédia tal que Israel do Norte nunca mais conseguiu se
reestabelecer.
Para
os olhos externos Israel vivia um tempo de grande progresso, mas para o povo,
era um tempo de miséria, destruição e ausência de referência religiosa. Por
mais que a religiosidade fosse um elemento importante dentro deste imaginário
religioso, ela exercia poder apenas ao que se refere tributário. A
religiosidade era violenta e recebe fortes críticas dos profetas, pois era
inescrupulosa em seu processo de arrecadação, há, segundo Schwantes, 3
principais causas: causa interna (manter o sistema militar e os custos
administrativos); causa externa (Jeroboão II pagava tributos para poder manter
suas relações internacionais de negócios); e a elite de Israel (manter uma vida
de luxo e de extravagância).
Esse
movimento religioso desperta nos profetas (Amós e Oséias) fortes críticas ao
império de Jeroboão II. Um ponto de forte crítica é o sistema opressivo de
arrecadação e opressão ao povo; outro elemento de forte crítica dos profetas é
que havia grande incentivo dos ritos de fertilidade, tanto humano como de produção
agrícola. Ambos eram muito valiosos e determinantes para o progresso de
Jeroboão II.
Com
o a morte de Jeroboão II todo o seu império, por mais expressivo e desenvolvido
que tenha sido a sua época, apresentou-se frágil e sem condições de
continuidade do reinado. “O progresso jeroboânico foi, sem sombra de dúvidas, o
túmulo do povo e de Israel. A
deterioração das condições de vida do povo era palpável em toda parte.
Schwantes descreve que a “violência e
maus-tratos, religiosidade formalista e templos interesseiros, enriquecimento
fácil e suborno, enfim a justiça transformada em veneno e o caos social
dominavam a cena.”.
O povo transitou de um tempo de profundo desenvolvimento e prosperidade para um
período de instabilidade e calamidade, sem condições para enfrentar algumas
mazelas.
O
autor bíblico destaca, mesmo que em poucas linhas, a grande expansão do
território de Jeroboão II. Sem sombra de dúvidas um tempo de grande progresso e
evolução. Na atualidade o reinado de Jeroboão II seria arquétipo de uma nação
bem sucedida, de um ministério bem aventurado, afinal de contas conseguiu
expandir não apenas o território, mas suas aquisições e o povo. Segundo o texto
bíblico esse progresso e tempo de prosperidade foi a anti-sala da maior
catástrofe do povo de Israel. Logo, nem todo progresso, crescimento, expansão é
sinal de bênção.
Na
contemporaneidade há uma grande ânsia em conquistar, expandir, crescer e ter.
Isso tudo a qualquer preço, a qualquer custo. Não se ponderam os riscos, os
valores. Jeroboão II retratada bem pessoas que não calculam o estrago que
causam na vida de outras pessoas por serem insaciáveis em seus desejos
egocêntricos. O povo vivia em miséria, numa pobreza intensa, não dava para
distinguir quem era livre ou escravo, não havia salvação para o povo porque
quem retinha o poder não se compadecia.
Não
é diferente nos dias atuais. Existem muitos líderes que a qualquer preço tentam
expandir suas negociatas, independente se religiosos, estatais ou empresariais.
São dominadores que possuem legitimidade religiosa e que colocam deus em seus
grandes empreendimentos, sempre com uma boa desculpa. Apertam o povo para tirar
o máximo que puder. Ensinam o povo a fazer o que é mal e a ter uma má
religiosidade, uma espiritualidade baseada na troca, nos bens, nas coisas.
Ensinam que a divindade precisa se dobrar diante do novo senhor por meio de
trocas justas.
Distinguir
o falso profeta do verdadeiro não é fácil. Perceber quais são os motivos ou os
resultados da predileção de um profeta, pode ajudar a discernir. Ponderar o que
está em jogo, o que o profeta ganha com tudo isso auxilia numa percepção clara.
Em
tempos contemporâneos o que não faltam são profetas que venderam as bênçãos em
favor de trocas, poder, status, dinheiro, posses. “Nem todo o que diz Senhor, Senhor entrará no reino dos céus” (Mt
7.21ss). Há uma repulsa por parte do autor bíblico deste monarca. O que para
uma sociedade pode representar normalidade, progresso e prosperidade, para o
autor bíblico é o primeiro passo de uma desgraça irreparável. Ter sensibilidade
para não confundir bênção com maldição passa não por trilhos de ferro (Am.13),
sobretudo, por caminhos da coerência e da solidariedade.