Igreja Metodista em Guaianases
Marcos 12.41-44 – Dores Crônicas
41 Assentado diante do gazofilácio,
observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos
depositavam grandes quantias. 42 Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas
pequenas moedas correspondentes a um quadrante. 43 E, chamando os seus
discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no
gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. 44 Porque todos eles
ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto
possuía, todo o seu sustento.
Segundo o Drauzio Varela “dor é uma
sensação quando há alguma ameaça de dano, senti-lá é fundamental para manter a
integridade do organismo. Existem doenças que alteram a sensibilidade deixando
os traumas e ferimentos imperceptíveis. Dor crônica é uma doença debilitante
com consequências nefastas a condição físico, psicológica e o comportamento.
Seus portadores desenvolvem “N” doenças, entre elas depressão.
Numa breve definição, Dor crônica: “é uma
experiência sensitiva e emocional bastante desagradável, associada a uma lesão
ou descrita como a ela relacionada”. Nas dores crônicas não existe qualquer
finalidade biológica, sendo a dor, o sofrimento e os comportamentos
relacionados às mesmas, totalmente desnecessários e danosos para a
sobrevivência. Vale saber que para tratar uma dor crônica é preciso tratar o
físico e, ao mesmo tempo, o emocional/psicológico, é algo complexo.
Analgésicos é uma substância que ajuda a
aliviar ou prevenir dores, tanto a morfina como o ópio são substâncias que
ajudam a enganar as dores, mas não a curá-las. Quando Karl Marx disse que a
religião é o ópio do povo, há a possibilidade de sua relação está ligada com a
substancia que ameniza dores, mas quen ao resolve problema nenhum.
Mas por que falar sobre isso? E qual a
relação disso com Marcos 12.41ss? O texto conhecido como a oferta da viúva
pobre é muito conhecido não apenas no meio cristão, mas fora desse âmbito
também. Essa perícope aparece logo após um dia de Jesus no templo. Para
terminar o dia Jesus observou como as pessoas davam suas ofertas. Percebeu que
todo mundo tinha alguma coisa para dar, os ricos tinham muito para dar, porém o
que chama a atenção de Jesus é a oferta de uma mulher, pelo que o texto afirma
pobre e viúva, que separa duas moedas que não dava para nada, a reação de Jesus
diante dessa ação é valorizar o que ela tinha feito em contraponto ao que as
outras pessoas fizeram, pois ninguém havia feito como ela fez, dar tudo o que
tinha, haja vista que as pessoas davam do que sobravam.
Numa breve conjectura, essa mulher, sem
nome ou mais referências da Bíblia, tinha muitas possibilidades de fazer o que
estava fazendo. Em primeiro lugar era mulher, sofria todos os preconceitos de
sua época, não devia ser fácil ser feminina num período em que o machismo era
adorado; era viúva, então, sua família tinha problemas sérios e ela também,
pois a mulher não tinha como trabalhar para se sustentar; a Bíblia não relata
se ela tinha filhos, então seu futuro era pior do que se imaginava; era uma
mulher, viúva, sem filhos e pobre, talvez não tinha aonde morar, o que comer,
não tinha nada para oferecer, possivelmente vivia de esmolas e da pena das
pessoas.
Nessa mulher encontramos muito do que
caracteriza uma dor crônica, ao invés disso ela dá outro sentido para a vida.
Ela pega tudo o que tinha ganhado, talvez num dia, o que garantiria uma
refeição e entrega ao Senhor como oferta agradável. Essa mulher poderia ter dor
crônica no mais intimo do seu ser, quem sabe pensar na plausibilidade da morte,
no castigo divino, na rejeição, na pobreza, mas ainda assim ela tem o que dar.
Neste pequeno trecho aparece 7 vezes a
palavra ‘ballou’, isto é, lançar, trazer para perto. É interessante que o texto
descreve que a multidão tinha o que lançar, os ricos tinham muito pra lançar,
todavia tudo o que eles lançavam, por mais valiosos fossem sob o critério
humano, não tinha valor para Jesus. A mulher, por sua vez, sem sua pequenez e
insignificância, segundo os critérios humanos, teve relevância diante de Jesus.
Traçando um paralelo com a doença crônica,
muitas pessoas por mais que deem, por causa de dores no coração, isto é, um
sentimento terrível de traição seja ela divina ou humana, de remorso por ter
feito o que não poderia ter feito, por ações compulsivas, vale dizer que morrem
pessoas diariamente por conta da impulsividade em várias instâncias.
Uma doença crônica espiritual pode torna as
pessoas egoístas, pensando que seus problemas são os únicos, que tudo gira em
torno de si, e que as pessoas não têm dimensão do que é o verdadeiro
sofrimento, pois os/as verdadeiros/as sofredores somos nós. Em outros casos,
quando as dores crônicas estão relacionadas com Deus, pensa-se que Deus esta
antipático a toda a situação, que ao invés de cooperar para o nosso bem parece
que Deus potencializa o mal. Talvez este texto tenha alguns caminhos para
ajudar na caminhada de fé:
I –
Analgésico não cura disfarça o problema.
Quantas pessoas que vivem dores crônicas em
várias dimensões que ao invés de procurar a verdadeira cura passa analgésicos
ara disfarçar o problema. Esse analgésico acontece na ação de dar muitas
coisas, fazer muitas coisas, uma vida pautada do ativismo mas que não tem valor
nenhum para o reino de Deus, ao invés disso, é uma forma de disfarçar suas
dores existenciais, isso não resolve em nada.
II –
Antibiótico age diretamente do problema
A palavra antibiótico, anti é contra
biótico é conjunto de seres vivos em uma área específica. Muitas dores crônicas
são compostas de vidas que invadiram lugares que não são naturais a elas, e
causam problemas nefastos. Essa viúva pobre possivelmente tinha dores crônicas,
mas ao invés de disfarçar e usar antibióticos para curar suas dores, ela lança,
coloca, dá tudo o que tinha para a sua vida ao Senhor, entrega não o que sobra,
ou faz uma barganha, ao invés disso, lança tudo o que tinha, pois o texto
afirma que Jesus disse que ela lançou todo o ‘bion’ não como sutento, mas toda
a vida dela. Só dá para curar dores crônicas lançado toda a vida ao Senhor.
Quando lançamos nossas vidas para o Senhor,
tanto o nosso passado, presente e futuro, enfim a vida como um todo, tudo é
colocado nas sob o cuidado de Deus é como se tomássemos antibióticos que age
diretamente na doença, nos problemas, destrói aquilo que gera morte, mal estar.
III – A
cura é resultado da vontade de ser curado.
Jesus descreve três tipos de pessoas que
lançam suas ofertas, a multidão, os ricos e a viúva. Dos três a única que lançou sua vida foi a viúva,
decidiu, teve vontade de curar e depender do que Deus poderia fazer, os outros,
por sua vez, não tiveram vontade de cura, ao invés disso, preferem continuar no
controle da situação, por cima de tudo, lançando muito, não tudo. Continuam com
suas dores crônicas, que são camufladas, mas persistem e quem as sofre sabe o
quanto dói. Decidir curar o egocentrismo, enfermidades n’alma, no coração, na
vida espiritual é um caminho doloroso, sobretudo um viés seguro pois Deus
assume as diretrizes da vida e cuidadosamente cura dores crônicas aparentemente
incuráveis. Caminhe em direção a cura.