domingo, 18 de novembro de 2012

dores crônicas

[sermão IM em Guaianases 18/11/12]


Igreja Metodista em Guaianases
Marcos 12.41-44 – Dores Crônicas

41 Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. 42 Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. 43 E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. 44 Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.

Segundo o Drauzio Varela “dor é uma sensação quando há alguma ameaça de dano, senti-lá é fundamental para manter a integridade do organismo. Existem doenças que alteram a sensibilidade deixando os traumas e ferimentos imperceptíveis. Dor crônica é uma doença debilitante com consequências nefastas a condição físico, psicológica e o comportamento. Seus portadores desenvolvem “N” doenças, entre elas depressão.
Numa breve definição, Dor crônica: “é uma experiência sensitiva e emocional bastante desagradável, associada a uma lesão ou descrita como a ela relacionada”. Nas dores crônicas não existe qualquer finalidade biológica, sendo a dor, o sofrimento e os comportamentos relacionados às mesmas, totalmente desnecessários e danosos para a sobrevivência. Vale saber que para tratar uma dor crônica é preciso tratar o físico e, ao mesmo tempo, o emocional/psicológico, é algo complexo.
Analgésicos é uma substância que ajuda a aliviar ou prevenir dores, tanto a morfina como o ópio são substâncias que ajudam a enganar as dores, mas não a curá-las. Quando Karl Marx disse que a religião é o ópio do povo, há a possibilidade de sua relação está ligada com a substancia que ameniza dores, mas quen ao resolve problema nenhum.
Mas por que falar sobre isso? E qual a relação disso com Marcos 12.41ss? O texto conhecido como a oferta da viúva pobre é muito conhecido não apenas no meio cristão, mas fora desse âmbito também. Essa perícope aparece logo após um dia de Jesus no templo. Para terminar o dia Jesus observou como as pessoas davam suas ofertas. Percebeu que todo mundo tinha alguma coisa para dar, os ricos tinham muito para dar, porém o que chama a atenção de Jesus é a oferta de uma mulher, pelo que o texto afirma pobre e viúva, que separa duas moedas que não dava para nada, a reação de Jesus diante dessa ação é valorizar o que ela tinha feito em contraponto ao que as outras pessoas fizeram, pois ninguém havia feito como ela fez, dar tudo o que tinha, haja vista que as pessoas davam do que sobravam.
Numa breve conjectura, essa mulher, sem nome ou mais referências da Bíblia, tinha muitas possibilidades de fazer o que estava fazendo. Em primeiro lugar era mulher, sofria todos os preconceitos de sua época, não devia ser fácil ser feminina num período em que o machismo era adorado; era viúva, então, sua família tinha problemas sérios e ela também, pois a mulher não tinha como trabalhar para se sustentar; a Bíblia não relata se ela tinha filhos, então seu futuro era pior do que se imaginava; era uma mulher, viúva, sem filhos e pobre, talvez não tinha aonde morar, o que comer, não tinha nada para oferecer, possivelmente vivia de esmolas e da pena das pessoas.
Nessa mulher encontramos muito do que caracteriza uma dor crônica, ao invés disso ela dá outro sentido para a vida. Ela pega tudo o que tinha ganhado, talvez num dia, o que garantiria uma refeição e entrega ao Senhor como oferta agradável. Essa mulher poderia ter dor crônica no mais intimo do seu ser, quem sabe pensar na plausibilidade da morte, no castigo divino, na rejeição, na pobreza, mas ainda assim ela tem o que dar.
Neste pequeno trecho aparece 7 vezes a palavra ‘ballou’, isto é, lançar, trazer para perto. É interessante que o texto descreve que a multidão tinha o que lançar, os ricos tinham muito pra lançar, todavia tudo o que eles lançavam, por mais valiosos fossem sob o critério humano, não tinha valor para Jesus. A mulher, por sua vez, sem sua pequenez e insignificância, segundo os critérios humanos, teve relevância diante de Jesus.
Traçando um paralelo com a doença crônica, muitas pessoas por mais que deem, por causa de dores no coração, isto é, um sentimento terrível de traição seja ela divina ou humana, de remorso por ter feito o que não poderia ter feito, por ações compulsivas, vale dizer que morrem pessoas diariamente por conta da impulsividade em várias instâncias.
Uma doença crônica espiritual pode torna as pessoas egoístas, pensando que seus problemas são os únicos, que tudo gira em torno de si, e que as pessoas não têm dimensão do que é o verdadeiro sofrimento, pois os/as verdadeiros/as sofredores somos nós. Em outros casos, quando as dores crônicas estão relacionadas com Deus, pensa-se que Deus esta antipático a toda a situação, que ao invés de cooperar para o nosso bem parece que Deus potencializa o mal. Talvez este texto tenha alguns caminhos para ajudar na caminhada de fé:

I – Analgésico não cura disfarça o problema.
Quantas pessoas que vivem dores crônicas em várias dimensões que ao invés de procurar a verdadeira cura passa analgésicos ara disfarçar o problema. Esse analgésico acontece na ação de dar muitas coisas, fazer muitas coisas, uma vida pautada do ativismo mas que não tem valor nenhum para o reino de Deus, ao invés disso, é uma forma de disfarçar suas dores existenciais, isso não resolve em nada.

II – Antibiótico age diretamente do problema
A palavra antibiótico, anti é contra biótico é conjunto de seres vivos em uma área específica. Muitas dores crônicas são compostas de vidas que invadiram lugares que não são naturais a elas, e causam problemas nefastos. Essa viúva pobre possivelmente tinha dores crônicas, mas ao invés de disfarçar e usar antibióticos para curar suas dores, ela lança, coloca, dá tudo o que tinha para a sua vida ao Senhor, entrega não o que sobra, ou faz uma barganha, ao invés disso, lança tudo o que tinha, pois o texto afirma que Jesus disse que ela lançou todo o ‘bion’ não como sutento, mas toda a vida dela. Só dá para curar dores crônicas lançado toda a vida ao Senhor.
Quando lançamos nossas vidas para o Senhor, tanto o nosso passado, presente e futuro, enfim a vida como um todo, tudo é colocado nas sob o cuidado de Deus é como se tomássemos antibióticos que age diretamente na doença, nos problemas, destrói aquilo que gera morte, mal estar.

III – A cura é resultado da vontade de ser curado.
Jesus descreve três tipos de pessoas que lançam suas ofertas, a multidão, os ricos e a viúva. Dos três  a única que lançou sua vida foi a viúva, decidiu, teve vontade de curar e depender do que Deus poderia fazer, os outros, por sua vez, não tiveram vontade de cura, ao invés disso, preferem continuar no controle da situação, por cima de tudo, lançando muito, não tudo. Continuam com suas dores crônicas, que são camufladas, mas persistem e quem as sofre sabe o quanto dói. Decidir curar o egocentrismo, enfermidades n’alma, no coração, na vida espiritual é um caminho doloroso, sobretudo um viés seguro pois Deus assume as diretrizes da vida e cuidadosamente cura dores crônicas aparentemente incuráveis. Caminhe em direção a cura.

Vo te fazer 3 perguntas e quero 3 respostas

[aula escola Dominical na IM em Guaianases, 18 de novembro de 2012].


Escola Dominical IM Guaianases - Marcos 12.13-34
13 E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra. 14 Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar? 15 Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja. 16 E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. 17 Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele.
 18 Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição, aproximaram-se dele e lhe perguntaram, dizendo: 19 Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão. 20 Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência; 21 o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o terceiro, da mesma forma. 22 E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa? Porque os sete a desposaram. 24 Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? 25 Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento; porém, são como os anjos nos céus. 26 Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? 27 Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais (trabalhar, cair, incidir, incorrer) em grande erro.
 28 Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? 29 Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! 30 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. 31 O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. 32 Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele, 33 e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios. 34 Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.

Quem eram os herodianos? Não era um grupo religioso, sua característica é de um grupo político, de formatação de opinião de modo que o império de Herodes tivesse maiores e melhores aceitações. Defendiam o império, afim de coibir e/ou identificar possíveis agitadores que poderiam influenciar uma revolta.
Quem eram os saduceus? Eram pessoas ligadas a uma espécie de facção religiosa, em que não acreditavam na ressurreição, em anjos e demônios e sua perspectiva messiânica era sacerdotal, isto é, uma justificação que vem por meio do templo e dos atos religiosos. É um grupo que aparece apenas no NT, nota-se como características um alto nível de rigor para cumprir a Lei, sendo que eles consideravam apenas as Leis (A Torah);
Quem eram os escribas? Escriba era uma função antiga, existente tanto no Egito como na Mesopotâmia. No mundo bíblico sua aparição mais expressiva é no NT. Havia alguns questionamentos a respeito da idoneidade desse grupo (Jeremias 8.8 Pois, com efeito, a falsa pena dos escribas a converteu em mentira). Sua autoridade se fundamentava em seu amplo conhecimento, dando respaldo para suas opiniões. Jesus, por sua vez, ensinava com autoridade, mas não como um escriba. Era um grupo culto, profundamente conhecer do primeiro Evangelho, todavia que por motivos pessoais e políticos conspiraram contra o ministério de Jesus. Há de se considerar a possibilidade de alguns escribas terem se convertido a comunidade cristã primitiva.
Esse trecho esta localizado em uma parte em que Jesus estava no templo e muitos queriam pegá-lo em alguma falta, de modo que as pessoas que estivessem ouvindo sua voz deixassem de dar crédito à sua mensagem. Três grupos diferentes, com doutrinas diferentes questionam Jesus, é como se:

Ø  Um presbiteriano perguntasse sobre predestinação;
Ø  Um assembleiano sobre batismo no Espírito Santo;
Ø  Um Batista sobre batismo infantil.

São três perguntas que já estão bem definidas para ambos, sendo que não precisa de perguntas para resolver esses problemas, pois já estão bem sistematizados e resolvidos. Suas intenções eram questionar o ministério de Jesus. Não havia a pretensa de aprender alguma coisa, ao invés disso, eles queriam dar xeque mate em Jesus, ou desmascará-lo diante de todos.
O que eles não esperavam era que Jesus estava preparado para, não apenas responder as perguntas deles, sobretudo perceber a intencionalidade de seus corações e, mais do que responder ao questionário, questionar o que passava em seus corações.

Algumas considerações a partir do texto.
I - Nem todas as perguntas que fazemos são para saciar dúvidas, são apenas desculpas para provarmos alguém.
Tanto os herodianos, saduceus e os escribas não tinham essas dúvidas, então, por que fizeram essas perguntas? Não havia virtude no que eles fizeram, havia maldade

II – É fundamental estar preparado o todo tempo.
Jesus surpreendeu seus questionadores porque ele estava preparado, não apenas com o discernimento espiritual da intenção das pessoas, mas, também, com conhecimento da Bíblia, das escrituras, por isso ele não foi iludido nem ‘tapeado’, muito erro vem do desconhecimento:
1 Cor 15.34 “porque alguns ainda não tem conhecimento de Deus.

III – Jesus com toda sabedoria consegue valorizar aqueles que queriam subjulga-lo.
Jesus ao invés de levantar um muro, uma barreira, afinal de contas ele precisava se defender dos seus acusadores, ao invés disso, Jesus consegue se conectar com algo positivo que um dos seus inquisidores. Ver virtude aonde ninguém veria.
Sem sombra de dúvidas o ministério de Jesus incomodava os demais grupos, principalmente porque a mensagem de Jesus era esclarecedora e não se escondia atrás de dogmatismo morto. Ter uma fé vive e relevante é um grande desafio hoje.