domingo, 20 de fevereiro de 2011

2x7 = Perfeição dobrada



Passaram-se os primeiros 14 dias como pastor. É certo que foram poucos dias, contudo, isso não evitou a intensidade e o clima de descoberta e alegria que esses dias me proporcionaram. A Igreja é linda. Tem muitos sonhos, projetos e projeções, expectativas e medos, bênçãos e tristezas para serem contadas, e, acima de qualquer coisa, tem buscado ser um local no qual o Espírito de Deus habita e pode ser transmitido. Nessa Igreja pude encontrar um povo muito acolhedor.
Quero, de modo breve, compartilhar algumas coisas que pude experimentar com Deus nesses dias de perfeição dobrada ministerial. Um primeiro elemento interessante nesse período de novidade é a beleza da descoberta. A descoberta é interessante porque ela tem a capacidade de frustrar expectativas e, ao mesmo tempo, criar novas expectativas. Frustrar expectativas porque tudo o que se imaginava desaparece. A realidade sobrepõe as fantasias. Isso não é ruim não. A confrontação que a realidade oferece para os seres humanos, fazem com que as pessoas interpretem a vida como ela é. Esse primeiro contato frustou conjecturas que foram criadas sem nunca terem existido. Possivelmente, muitas pessoas cometeriam menos erros, antecipariam equívocos em seus relacionamentos, na vida profissional se fossem confrontadas pela realidade, de modo que o 'pais das maravilhas' fosse extinto, frustrando, assim, todo espírito de 'talvez' e gerando sonhos que não deixem de ser impossíveis, mas que são construídos a partir da posssibilidade.
É certo que a descoberta gerou um 'espírito' de criatividade! Criar é, em sua essência, divino. Deus cria do nada tudo. Deus faz existir a partir do que não existe. Portanto, pensar em criar novas expectativas é tocar o intocável apenas com a imaginação. Não estou sendo incoerente, apenas afirmo a necessidade de viver o que 'invivido' a partir do que se vive.
Podemos aprender com isso. Criar novas oportunidades a partir das limitações. Nossas potencialidades são descobertas, quase que automaticamente, quando nos deparamos com o que não se pode ser mudado, em paralelo com o que pode ser criado. Muitas situações não podem ser mudadas. Por exemplo, o passado não permite alteração. O que foi, é, logo, imutável. Na maioria das vezes nos prendemos a algo que é intocável, imutável, intolerável. Tornamo-nos idólatras quando damos poder inexistente para coisas que não podem ter este poder. Nota-se isso em namoros em que não existe liberdade, mas, sim, carceragem. Em Igrejas que pregam a cumplicidade, mas, sem sua prática de vida, evidenciam a desigualdade. Relacionamentos que se acostumam com a mentira a ponto de empodera-la pelo vulto da veracidade.
Então, criar novas expectativas é ser, de fato, imagem e semelhança de um Deus que é criador. Criar novas expectativas é dar corda à justiça diante da normalidade do 'politicamente correto', é caçar o mandato da indiferença e eleger o amor como o novo Rei. É promover um impetman contra todo satanimos feito em nome de Jesus.
Concluímos então que a frustração é divina quando ela divorcia os preconceitos criados pelo clima prematuro de uma ansiedade imatura do contexto real e vivencial, que carrega em si, toda esperança e oportunidade. E, ao mesmo tempo, notamos que criar novas expectativas é fundamental para quem almeja chegar em lugares novos. Criar a partir do inesperado. Criar algo do nada, sendo, realmente, imagem e semelhança de Deus.
Que O Pai continue a frustrar expectativas incabíveis, que o Filho dos dê criatividade para criar e que o Santo Espírito nos lembre sempre de nossa “imago Dei”.