terça-feira, 27 de outubro de 2009

O limite gera libertação

TEXTO

46 E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho
47 e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
49 Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.
50 Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.
51 Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver.
52 Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.

Essa semana tivemos um encontro na faculdade que se chama Tutoria. Nesse encontro, compartilhamos nossa realidade com um pastor que está ali para nos ouvir, cuidar da gente, em suma, nos pastorear. Pude compartilhar com o pastor e toda a turma que tenho passado por um período de muito cansaço físico e mental. Parece que não tenho muito força para pensar ou trabalhar. O pastor acrescentou que passo por um Limite existencial da minha vida. Isso me fez pensar nesse termo – LIMITE – e em seu significado:
Limite é: Linha ou ponto, real ou imaginário, que marca a separação entre duas coisas, entre dois territórios, Divisa, Fronteira;
Limite é: Ponto extremo ou término de alguma coisa, Fim.
Limite é: Local que assinala o fim de uma extensão espacial: Beira, Confim.
Limite é: Ponto além do qual não se pode ou não se deve prosseguir.
Limite é: Limitação, insuficiência.
Limite é: Momento ou época que marca o fim ou o início de um período de tempo.
Dessa maneira, podemos pensar um pouco sobre a situação Limite que nossas Igrejas Metodistas passam, próximos a um mais um concílio Regional, percebemos que muitas coisas precisam ser re-avaliadas. Não apenas na situação eclesiástica, mas nossas famílias passam por situações Limite. Em que pais não conseguem relacionar-se com os filhos, esposos e esposas não desfrutam de um amor pleno; aspectos mundanos são normais dentro dos lares. No trabalho passamos por situações Limite, pois, grande parte dos trabalhadores/as não tem uma condição estável em sua situação, correndo riscos de demissão. O Limite da saúde, pode se estar bem hoje, mas não se sabe se amanhã estará. O Limite da segurança, sendo que nenhum lugar pode ser dito como um lugar plenamente seguro, é em casa, na rua, na escola, no trabalho, até mesmo nas igrejas, corremos riscos de segurança.
Percebe-se que a situação Limite assola a vida de todos/as. Podemos pensar um pouco em qual é o nosso limite como esposo/a, filho/a, homem ou mulher de Deus? Será que ter limite é algo bom?
A sociedade diz que não. Ter limite ou reconhece-lo é algo extremamente errado, além de sinônimo de fraqueza. Quanto mais limites se tem, mais se sabe que aquela pessoa é quadrada. É pregado pelo mundo que não se deve ter limite para curtir a vida, limite no respeito no convívio entre as pessoas, limite familiar – em que o adultério, infidelidade, indiferença é comum – haja vista que, reconhecer o próprio limite no mercado de trabalho é assinar a sua própria sentença de morte e de incompetência. Algo preocupante é que nossas Igrejas tomam para si verdades mundanas e esquecem de verdades Eternas. É na limitação que podemos encontrar a graça e o poder de Deus, é na fraqueza que se aperfeiçoa a grandeza do Senhor. Paulo diz que “é quando estou fraco é que estou forte.”
O grande desafio é reconhecer qual é o nosso limite, e a partir dele passar a trabalhar uma nova forma de viver e da vida. Como foi dito anteriormente, Limite pode ser considerado o fim de alguma coisa, todavia, pode ser visto como o começo de uma nova vida. É no limite humano que experimentamos quem realmente é Deus. Limite é a fronteira entre a fragilidade humana diante da ação divina.


É perceptível no texto bíblico a situação limite de um homem, que consegue chamar para si a atenção de Jesus. Mas não existe apenas esse personagem, têm também os discípulos de Jesus, aqueles que estava mais perto de Jesus, que erravam muito, que são repreendidos e amados por Jesus. Uma outra categoria de pessoas que seguiam Jesus eram as grandes multidões, pessoas que estavam apáticas diante da situação de Jesus, pois, provavelmente muitas dessas pessoas queriam apenas ver os milagres, comer da multiplicação de pão, não tinham um propósito de onde queriam chegar ou o pra que daquilo tudo.
Encontramos nessa história o cego Bartimeu. Seu nome significa Filho do Impuro, que era filho de Timeu, “o Impuro”. Além de ser cego, pobre, mendigo era chamado por todos de Impuro e com uma genealogia impura. Um homem que vivia as margens e que não valia nada.
Quando observamos a Região geográfica, Jericó é a última cidade antes de chegar em Jerusalém, assim sendo, pode-se definir que algo muito especial Jesus queria ensinar para as pessoas que o seguia naquele momento. É interessante perceber que é no caminho que Jesus demonstra atos maravilhosos do poder de Deus. É no caminhar que aprendemos que é Deus e como podemos nos relacionar com ele de uma forma melhor. É no caminho que descobrimos quem de fato nós somos, nossos limites, nosso caráter, e é no caminho que recebemos a verdadeira e libertação.


Quais são os aspectos que o texto nos revela a respeito do limite humano que foi vivenciado naquele momento e nós, hoje, estamos vivenciado, seja em nossas igrejas, lares, emprego, contexto como um todo?


Transição: Em primeiro Lugar nota-se que...
I – O limite pode revelar quem somos (v. 46)
“Só se pode tratar uma doença que se conhece”

Transição: Em segundo lugar nota-se que...
II – O limite nos faz clamar por algo maior que nossas forças (47-48)
“O “empitiman” opositor é normal nos momentos Limite.”

Transição: Em terceiro lugar notá-se que...
III – O limite humano faz Jesus parar. (v. 49)
“Nossa fragilidade é oportuna para estabelecer uma dependência de Jesus”

Transição: Em quarto lugar notá-se que...
IV – O limite pode ser o começo de uma nova vida (v. 50)
“O copo pode estar meio cheio ou meio vazio, depende de como se vê”

Transição: Em quinto lugar notá-se que...
V – O limite não nos limita. (v.51)
“Podemos valorizar o que perdemos ou o que ganhamos... o que escolhemos?”

Transição: Em sexto lugar notá-se que...
VI – O limite gera fé libertadora. (v. 52a)
“A religião oprime, a fé liberta.”

Transição: Em sétimo lugar notá-se que...
VII – O limite superado nos leva ao caminho de Cristo. (v. 52b)
“Aprender a conviver é sinal de superação...”